domingo, 29 de junho de 2008

Recomendo o filme: Jornada da Alma



A história de Sabina Spielrein vista através da lente do cineasta italiano Roberto Faenza, levanta inúmeras questões para além do tema central que aborda a paixão entre ela e Carl Gustav Jung, seu psiquiatra.

Em 1904 Sabina é levada por seus pais para o Hospital Psiquiátrico de Burghölzli, em Zurique, onde Jung, recém nomeado primeiro assistente do Dr. Eugene Bleuler, faz seus primeiros experimentos com o método de associação de palavras e repudia veementemente os procedimentos arcaicos da psiquiatria. Sabina viria a ser uma das primeiras pacientes submetidas à nova técnica que hoje conhecemos como associação livre. Portanto, para Jung, que ainda era discípulo de Freud, a cura desta paciente, cujo diagnóstico era histeria, implicava não apenas em seu reconhecimento profissional, mas também na possibilidade de superar os tão desumanos tratamentos a que eram submetidos os pacientes psiquiátricos.

Por outro lado, Sabina, ao pressentir em Jung a possibilidade de ser compreendida e amada, passa, após um período de total negação, a aceitar o tratamento.

O encontro de Sabina e Jung perpetua a incógnita da transferência e contra-transferência e sua significativa importância no processo de cura, sempre presente nas discussões em psicanálise. Neste caso, tal incógnita é levada ao extremo e uma avassaladora paixão rompe resistências, apesar dos riscos que representa para ambos. Sabina sabe do casamento de Jung, que sabe das implicações éticas de um romance entre um médico e sua paciente.

Vale apontar que a exigências de “neutralidade” e de “impessoalidade” impostas ao analista e tidas como pressupostos para sua eficácia na interpretação da transferência, atravessa a história da psicanálise, mas atualmente começa a ser questionada, embora timidamente.

A necessidade e/ou opção de Jung pela renúncia à sua paixão e seu pedido, ou imposição, pois beira mesmo a uma certa chantagem, para que a amante seja amiga de sua esposa, remete Sabina à busca de si mesma.Não é por acaso que estuda medicina, se especializa em psicanálise, e troca correspondências com Freud: interditado, o objeto do desejo sobrevive, através da identificação.

Há uma cena muito significativa em que Sabina, ainda internada, (sua alta do hospital ocorre em 1905, após quase um ano de tratamento), reage com uma tentativa de suicídio ao sentir-se traída por Jung que se ausenta por alguns dias. No retorno deste, ela lhe mostra seu testamento, segundo o qual sua cabeça é oferecida a Jung, para que a disseque e a estude. Em agradecimento, ele lhe presenteia com um seixo que representa sua alma.

A impossibilidade de metáfora de Sabina em um surto de psicose histérica, representada por esta doação, no real, de parte de seu corpo, contrasta com a total simbologia que Jung atribui ao seixo.

Por outro lado, Sabina precipita em Jung sua decisão de rompimento, quando lhe pede um filho, ou quem sabe, permissão para a maternidade, uma vez que sua crença de que seria incapaz para ser mãe estaria no âmago de sua estrutura histérica, pois impossibilitaria a realização de seu imenso desejo de procriação, localizado no enredo de forma sensível ao focaliza-la em sua obsessão em modelar gatinhos em argila. Mas, ao contrário do previsível: não suportar o rompimento e desestruturar-se, a ex paciente, e ex amante de Jung, além de tornar-se mãe, dedica-se à psicanálise de crianças e dirige uma famosa escola soviética, conhecida como Creche Branca.

A partir da separação dos amantes, é o contexto histórico-social em que os personagens estão inseridos que parece servir de bússola ao roteiro, aliás, polifônico: constam na ficha técnica seis roteiristas. Mas a regência de Roberto Faenza dá o tom deliciosamente melodramático em, pelo menos, dois momentos: na cena em que Sabina reúne os pacientes no sanatório para um baile improvisado ao som do piano, demonstrando toda sua vivacidade e contagiando os demais, o que sinaliza sua saída do estado psicótico; e naquela em que um senhor russo narra a história de um menino apático e solitário, que mantinha os dedos entrelaçados e recusava qualquer contato. Através de flashback, recurso talvez banal, mas eficaz, vamos sabendo como a diretora da Escola Branca logrou, após inúmeras tentativas, desatar os dedos desta criança e provocar seu sorriso. O menino era o próprio narrador.

Costurado por uma situação contemporânea em que um historiador e uma suposta descendente de Sabina Spielrein se unem por, em última análise, estarem interessados na pesquisa de um mesmo tema, o enredo pode, para alguns, incomodar por sua fragmentação. No entanto, parece-me absolutamente coerente com o destino de Sabina, que aderiu à revolução russa para depois ter que enfrentar Stálin, e acaba sendo executada por soldados nazistas (era judia), junto com sua filha, em uma sinagoga de Rostov, sua cidade de origem.

Por fim, parte de seu diário, e não seu diário completo, é encontrado na década de setenta e é a partir dele que a dupla de pesquisadores nos guia nesta jornada para a alma de uma mulher que, ao percorrer o caminho da loucura, encontra sua própria capacidade de promover a cura, a sua e a de outros.

Fonte: Rocio Novaes em "recantodasletras.uol.com.br"

Carl Gustav Jung


Juventude

Ao longo da sua juventude interessou-se por filosofia e por literatura, especialmente pelas obras de Pitágoras, Empédocles, Heráclito, Platão, Kant e Goethe. Uma das suas maiores revelações seria a obra de Schopenhauer. Jung concordava com o irracionalismo que este autor concedia á natureza humana, embora discordasse das soluções por ele apresentadas.


Primeiros estudos

Já estudante de medicina, decide dedicar-se à, então obscura, especialidade de psiquiatria, após a leitura ocasional de um livro do psiquiatra Kraff-Ebbing. Em 1900, Jung tornou-se interno na Clínica Psiquiátrica Burgholzli, em Zurique, então dirigida pelo psiquiatra Eugen Bleuler, famoso pela sua concepção de esquizofrenia.


Primeira ocupação, encontro com Sigmund Freud e polêmicas sobre nazismo

Em 1902 deslocou-se a Paris onde estudou com Pierre Janet, regressando no ano seguinte ao hospital de Burgholzli onde assumiu um cargo de chefia e onde, em 1904, montou um laboratório experimental em que implementou o seu célebre teste de associação de palavras para o diagnóstico psiquiátrico. Neste interim, Jung entra em contato com as obras de Sigmund Freud (1856-1939). O primeiro encontro entre eles transformou-se numa conversa que durou treze horas ininterruptas. Porém, tamanha identidade de pensamentos e amizade não conseguia esconder algumas diferenças fundamentais. Jung jamais conseguiu aceitar a insistência de Freud de que as causas dos conflitos psíquicos sempre envolveriam algum trauma de natureza sexual, e Freud não admitia o interesse de Jung pelos fenômenos espirituais como fontes válidas de estudo em si. O rompimento entre eles foi inevitável. Seria nos anos 30 do século XX que esta divergência atingiria o auge. Se por um lado os livros de Freud eram proibidos e queimados publicamente pelos Nazistas, sendo Freud obrigado a deixar Viena pouco depois da anexação da Áustria, doente, nos seus 80 anos, para se dirigir ao exílio em Londres enquanto que quatro irmãs suas não foram autorizadas a deixar a Áustria, tendo perecido no Holocausto nos campos de concentração de Auschwitz e de Thereseinstadt, por seu lado Carl Jung tornar-se-ia neste mesmo período uma das faces mais visíveis da psiquiatria "alemã" da época. Carl Jung, que alguns pretendem ter sido um simpatizante Nazista, assumiu em 1933, ano da chegada ao poder de Adolf Hitler a presidência da "Sociedade Médica Internacional Geral para a Psicoterapia", que contou como administrador, entre outros, de um sobrinho de Göring. No início de 1934, num artigo "Sobre a situação actual da psicoterapia", Jung afirma que o Judeu, como nómada, não pode jamais criar a sua cultura própria; para desenvolver os seus instintos e talentos tem de apoiar-se em um "povo anfitrião mais ou menos civilizado". Carl Jung viria mais tarde a deixar aquela organização.Ver: Jung and the Nazis (em inglês),Carl Gustav Jung y el Nacionalsocialismo (em espanhol)


Por outro lado, tem-se alguns eventos biográficos que mostram suas relações amistosas e profissionais com muitos Judeus, relações estas que não parecem indicar alguma atitude anti-semita. Em alguns documentos, afirmou num comentário de época sobre a cultura judaica que judeus em geral são mais conscientes e diferenciados, enquanto os 'arianos' comuns permaneceram próximos à barbárie (apud Lomeli, 1999).


A polêmica teórica mantida por Jung com Freud não chegou ao ponto de Jung fazer referências à origem religiosa ou racial de Freud, com vistas a conquistar a simpatia nazista. Nem no artigo de 1929, em que comparava as duas teorias (Gallard, 1994 apud Medweth, 1996), nem no discurso de Jung sobre Freud após a morte deste eminente pensador, em 1939, num momento que poderia ser propício a angariar aquele beneplácito (Medweth, 1996).


Sabe-se também que o obscurantismo atingiu obras de Jung que não interessavam ao regime nazista, tendo sido suprimidas em 1940 várias edições publicadas na Alemanha, e quando da invasão da França a Gestapo destruiu as traduções francesas da obra de Jung. (Medweth, 1996).


As primeiras providências de Jung quando assumiu a Überstaatliche Ärztliche Gesellschaft für Psychotherapie (Sociedade Médica Internacional para Psicoterapia), acumulando com a entidade Suíça, em 1933, foram:
* A reformulação dos estatutos, para evitar o controle hegemônico por alguma das sociedades nacionais; como a Sociedade Internacional congregava as Sociedades Nacionais da Alemanha, Dinamarca, Grã-Bretanha, Holanda, Suécia e Suíça, era importante evitar o domínio isolado de uma delas (apud Lomeli, 1999; McGuire e Hull, 1982), de modo que as demais tivessem participação adequada e dividissem as responsabilidades;
* A aceitação na Sociedade Internacional dos membros judeus e antinazistas expulsos da Sociedade da Alemanha (apud Lomeli, 1999; McGuire e Hull, 1982), de modo que eles podiam exercer o seu ofício em outros países e garantir a sua subsistência como profissionais qualificados.


Sobre o editorial nazista publicado na revista editada pela Sociedade Médica Nacional da Alemanha para Psicoterapia, Jung declarou várias vezes que ele não teve ingerência no episódio. Pelas amizades que tinha com muitos representantes das vítimas do preconceito nazista, e pelo conteúdo de sua obra, é extremamente improvável que ele concordasse intelectualmente com o seu conteúdo, sob pena de perder esses relacionamentos.



Teorias

Anterior mesmo ao período em que estavam juntos, Jung começou a desenvolver uma sistema teórico que chamou, originalmente, de "Psicologia dos Complexos", mais tarde chamando-a de "Psicologia Analítica", como resultado direto de seu contato prático com seus pacientes. O conceito de inconsciente já está bem sedimentado na sólida base psiquiátrica de Jung antes de seu contato pessoal com Freud, mas foi com Freud, real formulador do conceito em termos clínicos, que Jung pôde se basear para aprofundar seus próprios estudos. O contato entre os dois homens foi extremamente rico para ambos, durante o período de parceria entre eles. Aliás, foi Jung quem cunhou o termo e a noção básica de "complexo", que foi adotado por Freud.
Utilizando-se do conceito de "complexos" e do estudo dos sonhos e de desenhos, Jung passou a se dedicar profundamente aos meios pelos quais se expressa o inconsciente. Em sua teoria, enquanto o inconsciente pessoal consiste fundamentalmente de material reprimido e de complexos, o inconsciente coletivo é composto fundamentalmente de uma tendência para sensibilizar-se com certas imagens, ou melhor, símbolos que constelam sentimentos profundos de apelo universal, os arquétipos: da mesma forma que animais e homens parecem possuir atitudes inatas, chamadas de instintos, também é provável que em nosso psiquismo exista um material psíquico com alguma analogia com os instintos.



O funcionamento da psique


Para Jung, a psique humana é composta de vários estratos, ou instâncias, que interagem de forma variada no decorrer da vida. O ego, a sombra, a dupla animus-anima e o Si-mesmo são estratos que se expressam, interna ou externamente, para cada pessoa. Ao processo de integração desses estratos Jung chamou individuação.
Ao estudar a tipologia humana na literautura e na história, Jung chegou à definição de quatro tipos clássicos: o pensativo e o sentimental, em que uma destas duas funções racionais predomina, e o perceptivo e o intuitivo, em que predomina uma destas duas funções irracionais (no sentido em que são funções de apreensão do dado, sem mediação da razão). Estes quatro tipos básicos são modificados pela disposição primária da psique para a introversão ou a extroversão da energia psíquica.
Cada pessoa desenvolve uma função dominante de relacionamento com o mundo interno e externo, e outra função secundária. Algumas pessoas desenvolvem uma terceira função, mas a individuação requer que se integre também a quarta. Por isto, surge a necessidade da função simbólica: a quarta função sendo antagônica às dominantes, sua integração exige um função psíquica que integre razão e irracionalidade. Daí a necessidade dos mitos e da arte.



Sincronicidade


Um outro conceito proposto por Jung foi o da Sincronicidade, como uma tentativa de encontrar formas de explicação racional para fenômenos que a ciência de então não alcançava. Eventos como premonições, por exemplo. Para uma abordagem sobre a construção do conceito veja-se Capriotti, Letícia. Jung e sincronicidade: a construção do conceito), e uma explanação sintética e didática de sincronicidade, veja-se Capriotti, Letícia. Jung e sincronicidade: o conceito e suas armadilhas.)
A construção do conceito de sincronicidade surgiu da leitura que Jung fez de um grande número de obras sobre alquimia e o pensamento renascentista. Jung chegou a possuir grande quantidade de textos alquímicos originais, que o levaram também a usar a expressão Unus Mundus em sua autobiografia, e a idéia de Anima Mundi.
Uma interessante análise da contribuição da psicologia profunda de Freud – Jung para a formação do pensamento ocidental, mostrando como Jung tinha preocupações epistemológicas rigorosas pode ser vista em Tarnas. Em função disso, tais fenômenos puderam ser examinados, mas apenas como algo psicológico, e não propriamente da natureza, resultando em algumas distorções interpretativas, em inúmeros sentidos.
A partir da contribuição de Jung, vários desenvolvimentos em diferentes áreas do conhecimento têm ampliado a compreensão da relação entre os processo psíquicos e o mundo exterios. O conceito de inconsciente coletivo encontra ecos na nova física de Bohm e Capra, nos campos morfogenéticos de Sheldrake, nas psicologia profunda e na ecopsicologia norte-americanas.



Imagens do inconsciente


No Brasil, Jung teve uma conhecida aluna, a Dra. Nise da Silveira, fundadora do Museu de Imagens do Inconsciente. Ela escreveu, dentre outros, o livro “Jung: vida e obra”, publicado em primeira edição em 1968.



Últimos dias


Carl Gustav Jung morreu a 6 de junho de 1961, aos 86 anos, em sua casa, nas margens do lago de Zurique, em Küsnacht após uma longa vida produtiva, que marcou - e tudo leva a crer que ainda marcará mais - a antropologia, a sociologia e a psicologia.



Obras


Devido à metodologia usada por Jung, seus escritos costumam ser de leitura difícil e penosa. É recomendável iniciar por algum de seus comentadores, como Nise da Silveira (Jung: vida e obra) e Aniela Jaffe (Memórias, sonhos e reflexões de C. C. Jung). Sobre este, um comentário.

Eis abaixo, a lista das obras de Jung, publicadas em português no Brasil:


*A Energia Psíquica.
*A Prática da Psicoterapia.
*A Vida Simbólica: Escritos Diversos.
*Ab-reação, análise dos sonhos, transferência.
*Aion: Estudos sobre o Simbolismo do Si-mesmo.
*Cartas de Carl Gustav Jung.
*Escritos Diversos.
*Estudos Alquímicos.
*Estudos Experimentais Vol. II.
*Estudos Experimentais.
*Estudos Psiquiátricos.
*Eu e o Inconsciente.
*Freud e a Psicanálise.
*Interpretação Psicológica do Dogma da Trindade.
*Memórias, Sonhos e Reflexões. Autobiografia escrita em conjunto com Aniela Jaffé.
*Misterium Coniunctionis 1.
*Misterium Coniunctionis 2.
*Misterium Coniunctionis 3.
*O Desenvolvimento da Personalidade.
*O Homem e seus Símbolos. Obra para leigos, organizada por Jung e escrita por ele e seus colaboradores, com artigos de Aniella Jaffé, Marie-Louise fon Franz e outros.
*O Segredo da Flor de Ouro: Um Livro de Vida Chinesa.
*Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo.
*Presente e Futuro.
*Psicologia da Religião Ocidental e Oriental.
*Psicologia do Inconsciente.
*Psicologia e Alquimia.
*Psicologia e Religião Oriental.
*Psicologia e Religião.
*Símbolo da Transformação na Missa.
*Símbolos da Transformação: Análise dos Prelúdios de uma Esquizofrenia.
*Sincronicidade.
*Tipos Psicológicos.
Fonte:www.psicosite.com.br

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Navegue...


Navegue,
descubra tesouros,
mas não os tire do fundo do mar,
o lugar deles é lá.


Admire a lua,
sonhe com ela,
mas não queira trazê-la para a terra.


Curta o sol,
se deixe acariciar por ele,
mas lembre-se que o seu calor é para todos.


Sonhe com as estrelas,
apenas sonhe,
elas só podem brilhar no céu.


Não tente deter o vento,
ele precisa correr por toda parte,
ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.


Não apare a chuva,
ela quer cair e molhar muitos rostos,
não pode molhar só o seu.


As lágrimas?
Não as seque,
elas precisam correr na minha,
na sua,
em todas as faces.


O sorriso!
Esse você deve segurar,
não o deixe ir embora,
agarre-o!


Quem você ama?
Guarde dentro de um porta-jóias,
tranque, perca a chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui,
a mais valiosa.


Não importa se a estação do ano muda,
se o século vira,
se o milênio é outro,
se a idade aumenta...
Conserve a vontade de viver,
não se chega à parte alguma sem ela.


Abra todas as janelas que encontrar
e as portas também.

Persiga um sonho,
mas não o deixe viver sozinho.

Alimente sua alma com amor,
cure suas feridas com carinho.

Descubra-se todos os dias,
deixe-se levar pelas vontades,
mas não enlouqueça por elas.


Procure, sempre procure o fim de uma história,
seja ela qual for.

Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso.

Acelere seus pensamentos,
mas não permita que eles te consumam.

Olhe para o lado,
alguém precisa de você.


Abasteça seu coração de fé,
não a perca nunca.

Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.

Agonize de dor por um amigo,
só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também.

Procure os seus caminhos,
mas não magoe ninguém nessa procura.


Arrependa-se,
volte atrás,
peça perdão!

Não se acostume com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.

Alague seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.


Se achar que precisa voltar
VOLTE!


Se perceber que deve seguir
SIGA!


Se estiver tudo errado
COMECE NOVAMENTE.


Se estiver tudo certo
CONTINUE.


Se sentir saudades
MATE-A.


Se perder um amor
NÃO SE PERCA!


Se achá-lo
SEGURE-O!


Circunda-te de rosas,
ama,
e cala.


"O MAIS É NADA".


Seja Feliz !!!

Fernando Pessoa

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Bendita la Luz - Maná



Bendito el lugar y el motivo de estar ahi
Bendita la coincidencia
Bendito el reloj que nos puso puntual ahi
Bendita sea tu presencia
Bendito dios por encontrarnos en el camino
Y de quitarme esta soledad de mi destino

Bendita la luz
Bendita la luz de tu mirada...desde el alma (bis)

Benditos ojos q me esquibaban
simulaban desde que me ignoraban
Y de repente sostienes la mirada

Bendito Dios por encontranos en el camino
Y de quitarme esta soledad de mi destino

Bendita la luz
Bendita la luz de tu mirada (bis)

Oh gloria divina de esta suerte... de buen tino
Y de encontrarte justo ahi en medio del camino
Gloria al cielo de encontarte ahora llevarte mi soledad
y coincidir en mi destino... en el mismo destino

Bendita la luz
Bendita la luz de tu mirada (bis)
Bendita mirada oh oh
Bendita mirada desde el alma

Tu mirada oh oh
Bendita bendita bendita mirada
Bendita tu alma y bendita tu luz
Tu mirada oh oh


Tradução:
Bendita a Luz

Bendito o lugar e o motivo de estar aqui
Bendita a coincidência
Bendito o relógio que nos pôs pontualmente aqui
Bendita seja tua presença
Bendito Deus por encontrar-nos no caminho
E de tirar-me esta solidão de meu destino.

Bendita a luz
Bendita a luz do teu olhar
Bendita a luz
Bendita a luz do teu olhar...desde a alma.

Benditos olhos que me fugiam
simulavam desde que me ignoravam
E de repente sustentas o olhar

Bendito Deus por encontrar-nos no caminho
E de tirar-me esta solidão de meu destino

Bendita a luz
Bendita a luz do teu olhar
Bendita a luz
Bendita a luz do teu olhar

Oh glória divina desta sorte
E de encontrar-te justo aqui no meio do caminho
glória ao céu por encontrar você agora levar-te minha
solidão
e coincidir em meu destino no mesmo destino

Bendita a luz
Bendita a luz do teu olhar
Bendita a luz
Bendita a luz do teu olhar

Bendito olhar oh oh Bendito olhar desde a alma
Teu olhar oh oh Bendita bendita bendito olhar
Bendita tua alma e bendita tua luz Teu olhar oh oh

A importancia do riso e o valor do sorriso


A importancia do riso


O homem primitivo mostrava os dentes em sinal de agressão, ameaça ou advertência. Mas contorcendo o rosto ao mesmo tempo em que produzia sons estranhos, inarticulados e ritmados, ele transformava a agressão em afabilidade, a advertência em recepção cordial."Quer lutar?" transformava-se em "Quer brincar?"


Rir em conjunto é um modo de fortalecer os laços sociais entre as pessoas, pois o riso nos faz sair de nós mesmos e fornece o contato humano de que necessitamos para sobreviver. Mas traz outros benefícios.


Quando rimos, fazemos entrar e sair mais ar dos pulmões do que durante a respiração normal e regular. Portanto, quando rimos, podemos estar introduzindo mais oxigênio no sangue, (estimulando a circulação). A freqüência cardíaca aumenta também, ajudando todo o processo.


Estudos de amostras de sangue colhidas enquanto as pessoas riam mostraram níveis mais elevados dos hormônios de estimulação - a adrenalina e a noradrenalina. Durante um acesso de riso, ficamos fisicamente mais excitados e, conseqüentemente, poderemos depois ficar mentalmente mais alertas.


Finalmente, quando rimos, experimentamos ao mesmo tempo uma explosão de atividade, seguida de um período de relaxamento em que os nossos músculos se encontram menos tensos do que estavam antes. Esses ciclos de tensão e relaxamento alternados impedem-nos, sobretudo de ficar fisicamente nervosos com os problemas do dia-a-dia.


Os benefícios mentais relacionam-se mais com o nosso estado de humor do que propriamente com o ato de rir. Encarar um problema de modo divertido quebra a sensação opressiva de TENSÃO que geralmente o acompanha, e uma dificuldade intimidante torna-se repentinamente controlável.


Os psicólogos encaram o humor também como uma forma vital de lidar com os problemas do dia-a-dia. O riso ajuda a promover e a manter a saúde mental, pois as pessoas com um sentido de humor bem desenvolvido têm geralmente menos problemas emocionais do que as que sentem dificuldade em rir ... em especial delas próprias.


E a saúde mental pode promover a saúde física, como revelou um estudo norte americano realizado durante trinta anos. Os médicos observaram um grupo de homens desde a infância até a meia-idade. Descobriram que os rapazes com boa saúde mental tinham comparativamente menos doenças depois dos 40 anos.


Por outro lado, os que haviam tido problemas emocionais enquanto ainda eram estudantes tinham muito mais problemas físicos quando atingiam a meia-idade. Os cientistas concluíram, a partir desses resultados, que uma boa saúde mental revelada por um bom sentido de humor - retarda a inevitável deterioração da saúde física que vem com a idade.


O riso tem, portanto, uma história curiosa e contraditória. Originalmente um sinal de hostilidade, transformou-se em signo de atração mútua. Pessoas que riem quando estão juntas têm mais chances de continuarem juntas.


E o riso é um sinal superficial de algo mais profundo e mais significativo - reflete um modo especial de encarar o mundo que nos faz sentir melhor e pode até nos ajudar a viver mais tempo.
Dr. Roberto Boohrem



O valor do sorriso

É tão fácil sorrir! Tudo fica mais agradável se em nossos lábios houver um sorriso.Tudo fica mais fácil se houver nos lábios dos que convivem conosco um sorriso sincero.


Alguns de nós pensamos que só devemos sorrir para as pessoas com as quais simpatizamos. São tantas as que cruzam o nosso caminho diariamente... Algumas com o semblante carregado por levar no íntimo as amarguras da caminhada áspera.


Poderemos colaborar com um sorriso aberto, no mínimo, para que essa pessoa se detenha e perceba que alguém lhe sorri, já que o sorriso é um alento. O sorriso é uma arma poderosa, da qual nos podemos servir em todas as situações.

*Não custa nada e rende muito...
*Enriquece quem o recebe, sem empobrecer quem o dá.
*Dura somente um instante, mas seus efeitos perduram para sempre.
*Ninguém é tão rico que dele não precise.
*E ninguém é tão pobre que não o possa dar a todos.
*Leva a felicidade a muita gente e a toda parte.
*É o símbolo da amizade, da boa vontade. É alento para os desanimados; repouso para os cansados; raio de sol para os tristes; consolo para os desesperados.
*Não se compra nem se empresta.
*Nenhuma moeda do mundo pode pagar seu valor.


E não há ninguém que precise tanto de um sorriso, como aqueles que não sabem mais sorrir, aqueles que perderam a esperança...os que vagueiam sem rumo...os que não acreditam mais que a felicidade é algo possível...


O sorriso é sempre bom para quem sorri e melhor ainda para quem o recebe, pois tem o poder de fazer mais amena a nossa caminhada.


Dessa forma, se não temos o hábito de levar a vida sorrindo, comecemos a cultivá-lo, e veremos que sem que mude a situação à nossa volta, nós, intimamente, nos sentiremos mais felizes.


Você sabia que o semblante carregado, ou seja, a "cara amarrada", como se costuma dizer, traz ao corpo um desgaste maior que o promovido pelo sorriso?


Isto quer dizer que, quando sorrimos, utilizamos menos músculos e fazemos menos esforços.


Assim sendo, até por uma questão de economia, é mais vantajoso sorrir. : )))))




quarta-feira, 18 de junho de 2008

Transtornos de personalidade


O que são os transtornos de personalidade?

Os transtornos de personalidade afetam todas as áreas de influência da personalidade de um indivíduo, o modo como ele vê o mundo, a maneira como expressa as emoções, o comportamento social. Caracteriza um estilo pessoal de vida mal adaptado, inflexível e prejudicial a si próprio e/ou aos conviventes. Essas características, no entanto apesar de necessárias não são suficientes para identificação dos transtornos de personalidade, pois são muito vagas. A maneira mais clara como a classificação deste problema vem sendo tratada é através da subdivisão em tipos de personalidade patológica. Ao nosso ver, esta forma é bastante adequada, pois se verifica na prática manifestações diversas e até opostas para o mesmo problema.


Generalidades

Para se falar de personalidade é preciso entender o que vem a ser um traço de personalidade. O traço é um aspecto do comportamento duradouro da pessoa; é a sua tendência à sociabilidade ou ao isolamento; à desconfiança ou à confiança nos outros. Um exemplo: lavar as mãos é um hábito, a higiene é um traço, pois implica em manter-se limpo regularmente escovando os dentes, tomando banho, trocando as roupas, etc. Pode-se dizer que a higiene é um traço da personalidade de uma pessoa depois que os hábitos de limpeza se arraigaram. O comportamento final de uma pessoa é o resultado de todos os seus traços de personalidade. O que diferencia uma pessoa da outra é a amplitude e intensidade com que cada traço é vivido.
Por convenção, o diagnóstico só deve ser dado a adultos, ou no final da adolescência, pois a personalidade só está completa nessa época, na maioria das vezes. Os diagnósticos de distúrbios de conduta na adolescência e pré-adolescência são outros.


Transtorno de Personalidade Anti-Social

Como se caracteriza ?

Caracteriza-se pelo padrão social de comportamento irresponsável, explorador e insensível constatado pela ausência de remorsos. Essas pessoas não se ajustam às leis do Estado simplesmente por não quererem, riem-se delas, freqüentemente têm problemas legais e criminais por isso. Mesmo assim não se ajustam. Freqüentemente manipulam os outros em proveito próprio, dificilmente mantêm um emprego ou um casamento por muito tempo.

Aspectos essenciais
Insensibilidade aos sentimentos alheios

*Atitude aberta de desrespeito por normas, regras e obrigações sociais de forma persistente.
*Estabelece relacionamentos com facilidade, principalmente quando é do seu interesse, mas *dificilmente é capaz de mantê-los.
*Baixa tolerância à frustração e facilmente explode em atitudes agressivas e violentas.
*Incapacidade de assumir a culpa do que fez de errado, ou de aprender com as punições.
*Tendência a culpar os outros ou defender-se com raciocínios lógicos, porém improváveis.



Transtorno de Personalidade Borderline (Limítrofe)


Como se caracteriza ?


Caracteriza-se por um padrão de relacionamento emocional intenso, porém confuso e desorganizado. A instabilidade das emoções é o traço marcante deste transtorno, que se apresenta por flutuações rápidas e variações no estado de humor de um momento para outro sem justificativa real. Essas pessoas reconhecem sua labilidade emocional, mas para tentar encobri-la justificam-nas geralmente com argumentos implausíveis. Seu comportamento impulsivo freqüentemente é autodestrutivo. Estes pacientes não possuem claramente uma identidade de si mesmos, com um projeto de vida ou uma escala de valores duradoura, até mesmo quanto à própria sexualidade. A instabilidade é tão intensa que acaba incomodando o próprio paciente que em dados momentos rejeita a si mesmo, por isso a insatisfação pessoal é constante.


Aspectos essenciais


*Padrão de relacionamento instável variando rapidamente entre ter um grande apreço por certa pessoa para logo depois desprezá-la.
*Comportamento impulsivo principalmente quanto a gastos financeiros, sexual, abuso de substâncias psicoativas, pequenos furtos, dirigir irresponsavelmente.
*Rápida variação das emoções, passando de um estado de irritação para angustiado e depois para depressão (não necessariamente nesta ordem).
*Sentimento de raiva freqüente e falta de controle desses sentimentos chegando a lutas corporais.
*Comportamento suicida ou auto-mutilante.
*Sentimentos persistentes de vazio e tédio.
*Dúvidas a respeito de si mesmo, de sua identidade como pessoa, de seu comportamento sexual, de sua carreira profissional.



Transtorno de Personalidade Paranóide


Como se caracteriza ?


Caracteriza-se pela tendência à desconfiança de estar sendo explorado, passado para trás ou traído, mesmo que não haja motivos razoáveis para pensar assim. A expressividade afetiva é restrita e modulada, sendo considerado por muitos como um indivíduo frio. A hostilidade, irritabilidade e ansiedade são sentimentos freqüentes entre os paranóide. O paranóide dificilmente ri de si mesmo ou de seus defeitos, ao contrário ofende-se intensamente, geralmente por toda a vida quando alguém lhe aponta algum defeito.


Aspectos essenciais


*Excessiva sensibilidade em ser desprezado.
*Tendência a guardar rancores recusando-se a perdoar insultos, injúrias ou injustiças cometidas.
*Interpretações errôneas de atitudes neutras ou amistosas de outras pessoas, tendo respostas hostis ou desdenhosas. Tendência a distorcer e interpretar maléficamente os atos dos outros.
*Combativo e obstinado senso de direitos pessoais em desproporção à situação real.
*Repetidas suspeitas injustificadas relativas à fidelidade do parceiro conjugal.
*Tendência a se autovalorizar excessivamente.
*Preocupações com fofocas, intrigas e conspirações infundadas a partir dos acontecimentos circundantes.



Transtorno de Personalidade Dependente


Como se caracteriza ?


Caracterizam-se pelo excessivo grau de dependência e confiança nos outros. Estas pessoas precisam de outras para se apoiar emocionalmente e sentirem-se seguras. Permitem que os outros tomem decisões importantes a respeito de si mesmas. Sentem-se desamparadas quando sozinhas. Resignam-se e submetem-se com facilidade, chegando mesmo a tolerar maus tratos pelos outros. Quando postas em situação de comando e decisão essas pessoas não obtêm bons resultados, não superam seus limites.


Aspectos essenciais


*É incapaz de tomar decisões do dia-a-dia sem uma excessiva quantidade de conselhos ou reafirmações de outras pessoas.
*Permite que outras pessoas decidam aspectos importantes de sua vida como onde morar, que profissão exercer.
*Submete suas próprias necessidades aos outros.
*Evita fazer exigências ainda que em seu direito.
*Sente-se desamparado quando sozinho, por medos infundados.
*Medo de ser abandonado por quem possui relacionamento íntimo.
*Facilmente é ferido por crítica ou desaprovação.



Transtorno de Personalidade Esquizóide


Como se caracteriza ?


Primariamente pela dificuldade de formar relações pessoais ou de expressar as emoções. A indiferença é o aspecto básico, assim como o isolamento e o distanciamento sociais. A fraca expressividade emocional significa que estas pessoas não se perturbam com elogios ou críticas. Aquilo que na maioria das vezes desperta prazer nas pessoas, não diz nada a estas pessoas, como o sucesso no trabalho, no estudo ou uma conquista afetiva (namoro). Esses casos não devem ser confundidos com distimia.


Aspectos essenciais


*Poucas ou nenhuma atividade produzem prazer.
*Frieza emocional, afetividade distante.
*Capacidade limitada de expressar sentimentos calorosos, ternos ou de raiva para como os outros.
*Indiferença a elogios ou críticas.
*Pouco interesse em ter relações sexuais.
*Preferência quase invariável por atividades solitárias.
*Tendência a voltar para sua vida introspectiva e fantasias pessoais.
*Falta de amigos íntimos e do interesse de fazer tais amizades.
*Insensibilidade a normas sociais predominantes como uma atitude respeitosa para com idosos ou àqueles que perderam uma pessoa querida recentemente.



Trantorno de Personalidade Ansiosa (evitação)


Como se caracteriza ?


Caracteriza-se pelo padrão de comportamento inibido e ansioso com auto-estima baixa. É um sujeito hipersensível a críticas e rejeições, apreensivo e desconfiado, com dificuldades sociais. É tímido e sente-se desconfortável em ambientes sociais. Tem medos infundados de agir tolamente perante os outros.


Aspectos essenciais


*É facilmente ferido por críticas e desaprovações.
*Não costuma ter amigos íntimos além dos parentes mais próximos.
*Só aceita um relacionamento quando tem certeza de que é querido.
*Evita atividades sociais ou profissionais onde o contato com outras pessoas seja intenso, mesmo que venha a ter benefícios com isso.
*Experimenta sentimentos de tensão e apreensão enquanto estiver exposto socialmente.
*Exagera nas dificuldades, nos perigos envolvidos em atividades comuns, porém fora de sua rotina. Por exemplo, cancela encontros sociais porque acha que antes de chegar lá já estará muito cansado.



Transtorno de Personalidade Histriônica


Como se caracteriza ?


Caracteriza-se pela tendência a ser dramático, buscar as atenções para si mesmo, ser um eterno "carente afetivo", comportamento sedutor e manipulador, exibicionista, fútil, exigente e lábil (que muda facilmente de atitude e de emoções).


Aspectos essenciais


*Busca freqüentemente elogios, aprovações e reafirmações dos outros em relação ao que faz ou pensa.
*Comportamento e aparência sedutores sexualmente, de forma inadequada.
*Abertamente preocupada com a aparência e atratividade físicas.
*Expressa as emoções com exagero inadequado, como ardor excessivo no trato com desconhecidos, acessos de raiva incontrolável, choro convulsivo em situações de pouco importância.
*Sente-se desconfortável nas situações onde não é o centro das atenções.
*Suas emoções apesar de intensamente expressadas são superficiais e mudam facilmente.
*É imediatista, tem baixa tolerância a adiamentos e atrasos.
*Estilo de conversa superficial e vago, tendo dificuldades de detalhar o que pensa.



Transtorno de Personalidade Obsessiva (anancástica)


Como se caracteriza ?


Tendência ao perfeccionismo, comportamento rigoroso e disciplinado consigo e exigente com os outros. Emocionalmente frio. É uma pessoa formal, intelectualizada, detalhista. Essas pessoas tendem a ser devotadas ao trabalho em detrimento da família e amigos, com quem costuma ser reservado, dominador e inflexível. Dificilmente está satisfeito com seu próprio desempenho, achando que deve melhorar sempre mais. Seu perfeccionismo o faz uma pessoa indecisa e cheia de dúvidas.


Aspectos essenciais


*O perfeccionismo pode atrapalhar no cumprimento das tarefas, porque muitas vezes detém-se nos detalhes enquanto atrasa o essencial.
*Insistência em que as pessoas façam as coisas a seu modo ou querer fazer tudo por achar que os outros farão errado.
*Excessiva devoção ao trabalho em detrimento das atividades de lazer.
*Expressividade afetiva fria.
*Comportamento rígido (não se acomoda ao comportamento dos outros) e insistência irracional (teimosia).
*Excessivo apego a normas sociais em ocasiões de formalidade.
*Relutância em desfazer-se de objetos por achar que serão úteis algum dia (mesmo sem valor sentimental)
*Indecisão prejudicando seu próprio trabalho ou estudo.
*Excessivamente consciencioso e escrupuloso em relação às normas sociais.


Fonte:www.psicosite.com.br


segunda-feira, 16 de junho de 2008

Roda Viva - Chico Buarque



Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo (etc.)

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá

domingo, 15 de junho de 2008

Centenário da morte de Machado de Assis


Em 2008, estamos comemorando o centenário da morte de Machado de Assis.
Considerado, por muitos, um dos maiores escritores da Literatura Brasileira, sua
obra está imortalizada e figura como um dos pilares de nosso cânone literário. Reconhecido mundialmente, Machado deixou-nos uma rica produção composta de textos dos mais variados gêneros, em que se destacam o conto e o romance.
Quanto ao romance, Memórias Póstumas de Brás Cubas e D. Casmurro são os mais
conhecidos.

A importância de Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) para a Literatura
Brasileira é indiscutível. Considerado, por muitos críticos e historiadores, como o ponto mais alto do realismo no Brasil, na verdade, ele ultrapassa este estilo literário por desenvolver uma escrita, em muitos pontos, revolucionária para sua época.

Machado transitou por vários gêneros textuais, destacando-se como contista e
romancista. Dono de uma obra extensa, ele apresenta muitas facetas, conforme o
amadurecimento de sua produção. Suas crônicas não tem o mesmo brilho e seus poemas têm uma diferença curiosa com o restante de sua produção: ao passo que na prosa Machado é contido e elegante, seus poemas são algumas vezes chocantes na crueza dos termos, similar talvez à de Augusto dos Anjos.

O estilo literário de Machado de Assis tem inspirado muitos escritores brasileiros ao longo do tempo e sua obra tem sido adaptada para a televisão, o teatro e o cinema. Em 1975, a Comissão Machado de Assis, instituída pelo Ministério da Educação e Cultura, organizou e publicou as edições críticas de obras de Machado de Assis, em 15 volumes. Suas principais obras foram traduzidas para diversos idiomas e grandes escritores contemporâneos como Salman Rushdie, Cabrera Infante e Carlos Fuentes confessam serem fãs de sua ficção, como também o confessou Woody Allen. A Academia Brasileira de Letras criou o Espaço Machado de Assis, com informações sobre a vida e a obra do escritor.

O primeiro livro publicado por Machado de Assis foi a tradução de “Quedas que as mulheres têm para os tolos” (1861). Ele faleceu em 29 de setembro de 1908, morando ainda no Rio de Janeiro.

O escritor ocupa a cadeira de número 23 da Academia Brasileira de Letras (ABL), ficou no cargo da presidência por mais de dez anos, sendo o primeiro presidente.

Não é a toa que a leitura das obras desse lendário escritor é obrigatória nas escolas e para vestibulandos. Todos são capazes de reconhecer a importância dessa cultura, não importa a época. Um autor reconhecido e homenageado especificamente em âmbito nacional em 2008, é de grande repercussão internacional todos os anos em vários países.

O centenário da morte de Machado de Assis evidencia sua contribuição para a literatura brasileira através de suas obras que permanecem atuais mesmo depois de 100anos, valorizando a língua portuguesa e ressaltando a importância da escrita.

A galeria de tipos e personagens que criou revela o autor como um mestre da observação psicológica.

Fontes: www.ulbra.br/www.e-educador.com/www.amigosdoslivros.com.br

Os Dois Horizontes - Machado de Assis



Dois horizontes fecham nossa vida:

Um horizonte, - a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, - a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, - sempre escuro, -
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.

As doces brincadeiras da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais.
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.

Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.

No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, - tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? - Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? - Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.

Dois horizontes fecham nossa vida.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Arriscar-se é viver...



Rir é arriscar-se a parecer louco.

Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.

Estender a mão para o outro é arriscar-se a se envolver.

Expor seus sentimentos é arriscar-se a expor seu eu verdadeiro.

Amar é arriscar-se a não ser amado.

Expor suas idéias e sonhos ao público é arriscar-se a perder.

Viver é arriscar-se a morrer...

Ter esperança é arriscar-se a sofrer decepção.

Tentar é arriscar-se a falhar.

Mas...é preciso correr riscos. Porque o maior azar da vida é não arriscar nada...

Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são. Podem estar evitando o sofrimento e a tristeza. Mas assim não podem aprender, sentir, crescer, mudar, amar, viver...

Acorrentadas às suas atitudes, são escravas; Abrem mão de sua liberdade.

Só a pessoa que se arrisca é livre...

"Arriscar-se é perder o pé por algum tempo. Não se arriscar é perder a vida..."


Kierkegaard

quarta-feira, 11 de junho de 2008

A pessoa errada...



Pensando bem em tudo o que a gente vê e vivencia e ouve e pensa,
Não existe uma pessoa certa pra gente.

Existe uma pessoa que se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa faz tudo certinho!
Chega na hora certa, fala as coisas certas,
faz as coisas certas, mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.

A pessoa errada te faz perder a cabeça, perder a hora, morrer de amor...
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
que é pra na hora que vocês se encontrarem
a entrega ser muito mais verdadeira.

A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas.

Essa pessoa vai tirar seu sono.

Essa pessoa talvez te magoe e depois te enche de mimos pedindo seu perdão.

Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você.

Vai estar o tempo todo pensando em você.

A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo,
porque a vida não é certa.
Nada aqui é certo!
O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo,
querendo,conseguindo...

E só assim, é possível chegar àquele momento do dia em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo"
Quando na verdade, tudo o que Ele quer é que a gente encontre a pessoa errada pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra
gente...

Luis Fernando Veríssimo

terça-feira, 10 de junho de 2008

A questão da Culpa




Na faculdade de Teologia, em minha monografia final, abordei a questão da culpa, e de como dentro de uma comunidade de fé (Igreja), por menos que se espere, ainda é mais evidente a cobrança por sermos pessoas perfeitas e “santas”.

Durante cinco anos freqüentei e participei ativamente dessas comunidades, confesso que o maior problema que pude observar foram pessoas ficando cada vez mais “doentes” emocionalmente, isso me entristeceu muito, despertando cada vez mais minha vontade de trabalhar com aconselhamento, reforçando minha dupla formação nas disciplinas teológicas e psicológicas.

Os teólogos são os únicos profissionais de aconselhamento cuja formação normal inclui o estudo sistemático de filosofia, teologia, ética, história da Igreja, religiões do mundo e psicologia da religião. O conhecimento que possuem destas áreas teológicas pode capacitá-los a prestar uma ajuda singular a pessoas cujos problemas e bloqueios de crescimento concentram-se em torno de dilemas éticos, conflitos religiosos, distorções de valores e preocupações últimas tais como achar um sentido de vida e lidar criativamente com o medo da morte.

Minha proposta futura, com a Psicologia, mediante esses anseios, é direcionar o meu trabalho, de maneira ética, uma constante troca com novas possibilidades de crescimento a partir de uma leitura mais profunda, apoiados no diálogo multidisciplinar com as ciências humanas afins, tais como: psicologia, psicanálise, etc.

Hoje sou pagã, sou bruxa, filha da Grande Mãe Terra, pertenço a religião Wicca, e não frequento mais nenhum Templo, Igreja, ou coisa parecida, não quero raízes em lugar algum a não ser com meu propósito de ajudar as pessoas a serem escutadas, compreendidas em suas dores.

Em meu trabalho, coloquei dois enfoques sobre a culpa, um enfoque psicanalítico e outro, uma reflexão teológica.

No enfoque psicanalítico, lógico, citei Freud e seu famoso texto “O mal-estar da civilização”. O homem tem pulsões, desejos, e o animal tem o instinto. A civilização é tudo que nos diferencia dos animais, pois ela tem todos os termos para controlar a natureza, ou seja, um aparato de leis, regras e regulamentações para que a convivência social seja possível.

Para viver em sociedade, temos que abrir mão de toda a nossa constituição instintiva, refrear nossos instintos e pagamos um preço caro por viver em comunidade, o nosso corpo “cobra caro” toda essa repressão de instintos.

Para Freud, o que gera esse mal-estar é a inibição desses prazeres e desses instintos. O que define o propósito da vida é o princípio do prazer, dinâmica pulsional, que seria se livrar da infelicidade buscando a felicidade. Uma pessoa se torna neurótica porque não pode tolerar a frustração que a sociedade lhe impõe, a serviço de seus ideais culturais, inferindo-se disso que a abolição ou redução dessas exigências resultaria num retorno a possibilidades de felicidade.

Isso reforça o sentimento de culpa por meio de proibições externas, a civilização limita-se a eventualidade de uma violência generalizada e cobra do indivíduo o preço de uma inevitável perda de felicidade pelo mal provocado ao equilíbrio do grupo ou progresso cultural.

Numa reflexão teológica, podemos dizer que, quando uma pessoa tem medo de perder alguém faz de tudo para assegurar sua companhia. Qualquer coisa que aconteça, mesmo sem intenção ou intervenção da pessoa, que faz com que a perda se concretize, pode originar um sentimento de culpa. Este sentimento ou medo é descrito da seguinte forma no livro Culpa, Neurose e Pecado:

"A culpa está sempre ligada ao temor de ser indigno da estima e do desejo do outro, ao mesmo tempo que ao sofrimento de perder a estima e o amor que cada um de nós dedica a si mesmo. Este temor de perder a estima e o amor pode não passar de uma culpabilidade difusa, de uma inquietação de dignidade”.

O fato é que, em maior ou menor intensidade, todos nós passamos por sentimentos de culpa constantemente, mesmo aquelas pessoas que não estão ligadas a um referencial religioso e de compromisso com o Divino. Culpa em relação a si mesmo, que está vinculada àquela sensação de que as conseqüências do estado em que se encontra determinada pessoa foram causadas por ela mesma; culpa em relação aos outros, ligada a um referencial de relacionamento e também a culpa em relação a esse mesmo Divino, juntamente com a sensação de que as atitudes não foram feitas de acordo com sua vontade.

A culpa surge em nossos relacionamentos, quando recebemos críticas alheias, com um possível desprezo da sociedade ou de um sentimento de inferioridade. Pelas pessoas conviverem juntas, acabam por gerar comparações, pois são pensamentos diferentes, conceitos e visões diferentes de vida. Cada um convicto de que seu pensamento é o verdadeiro. Daí surgem os julgamentos, que os homens tomam como se fosse o próprio julgamento do que chamam de Deus.

Um grande desafio que vejo pela frente é como podemos dialogar com a sociedade pós-moderna. Algumas de suas características peculiares como competitividade, consumismo, utilitarismo, agressividade, perda de valores absolutos, relativização da verdade, etc., têm gerado indivíduos enfermos do ponto de vista dos relacionamentos.

Somos uma sociedade enferma. Que desaprendeu a amar, que estabeleceu a desconfiança como condição ímpar na relação pessoal, que não sabe mais desenvolver relacionamentos saudáveis e profundos, que vive deprimida e angustiada, que perdeu a dimensão da comunidade e da solidariedade, dando lugar a um estilo de vida egoística, que não sabe mais construir pontes metodológicas de comunicação que levem ao encontro do outro para a celebração da vida em verdade e em amor.

Quando estive no ambiente da Igreja, também vi uma Igreja enferma, na ânsia de crescer numérica e financeiramente começou a priorizar os grandes projetos e as realizações de mega eventos, deixando de lado a importância dos relacionamentos. Tornou-se uma Igreja realizadora, mas pouco relacional.

Nada mais atual em nossos dias do que o problema da culpa. A questão da culpa está longe de ser encerrada. Cada um de nós, por mais cético que seja, se acha pessoalmente envolvido, quando lhe é pedido contas do que se faz, quer na convivência religiosa, quer fora dela.

A culpa é uma exigência exagerada de uma perfeição que não é humana, que nunca, de fato, poderemos alcançar. Devemos, então, assumir o que somos e enxergar nisto uma experiência de se encontrar na totalidade do que é ser humano, ou seja, o assumir-se humano é descobrir-se cheio de limitações, erros e acertos e encontrar nesta possibilidade a superação dos conflitos interiores, não no sentido de se conformar com o que somos, mas sim de valorização desta condição humana.

A humanidade cria e projeta deuses, anjos, heróis perfeitos e sem pecado, na expectativa de se tornar um pouco daquilo que eles são. Mas na verdade estas divindades não são humanas, e, querer tornar-se igual a elas, é deixar de ser humano.

Uma religiosidade saudável deve ser vivida a partir dos limites humanos e não dos modelos divinizados construídos longe de qualquer realidade humana. Desviar-se deste sentido é negar a própria criação de Deus. Não se aceitar como possibilidade de erros e acertos, é não compreender a própria condição de ser homem/mulher esperada como resposta ao Criador.

Posso citar, e por que não? O meu psicólogo preferido, que chamo carinhosamente de “Barbudinho” (falo do homem Jesus), teve um ministério de sanidade, à medida que promovia "cura", ao mesmo tempo, restaurava indivíduos em sua integralidade trazendo-os de volta para o convívio saudável com a sociedade.


por, Yv Luna

Primeiros erros - Kiko Zambianchi



Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde vou
Meu destino não é de ninguém
Eu não deixo os meus passos no chão
Se você não entende, não vê
Se não me vê, não entende
Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende
Se o meu corpo virasse sol
Minha mente virasse sol
Mas só chove chove
chove chove

Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
O meu corpo viraria sol
Minha mente viraria
Mas só chove chove
chove chove

Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
O meu corpo viraria sol
Minha mente viraria
Mas só chove chove
chove chove

O meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove chove
Chove chove
Chove chove
Chove chove
Chove chove
Chove chove
Chove chove

O mito de Eros e Psique



Os deuses da mitologia grega costumam ter dois nomes, um grego e outro romano. Assim, Eros é o nome grego do Cupido e sua tradução para o português é Amor. Palavras como erótico e erotismo vem daí. Afrodite e Vênus também são a mesma deusa. Psique só tem esse nome que, em grego, significa alma. Psíquico, psiquiatria e psicologia nasceram dessa raiz. O mito de Eros e Psique é a história da ligação entre o amor e a alma.

Era uma vez um rei que tinha três filhas. Duas eram lindas, mais a mais nova era muito, muito mais bonita. Dizia-se até que Afrodite - a deusa da beleza - não era tão bonita quanto Psique (esse era seu nome). Os templos de Afrodite andavam vazios porque as pessoas, principalmente os homens, passaram a cultuar aquela princesa maravilhosa.

Afrodite ficou com ciúme e pediu para seu filho, Eros, preparar uma vingança. Ela queria que Psique se apaixonasse por um monstro horrível. Só que Eros também acabou sendo atingido pelos encantos da menina. Ele ficou tão maravilhado ao ver Psique que não conseguiu cumprir a ordem da mãe.

O estranho é que todos aqueles homens que ficavam enfeitiçados com sua beleza não se aproximavam e nem tentavam namorá-la. As duas irmãs, que perto da caçula não tinham a menor graça, logo arranjaram pretendentes e cada uma se casou com um rei. A família ficou preocupada com a solidão de Psique. Então, um dia, o pai resolveu perguntar ao oráculo de Apolo o que deveria fazer para a menina arranjar um marido. O que ele não sabia é que Eros já havia pedido a Apolo para ajudá-lo a cumprir aos planos de sua mãe. A resposta que o rei levou para casa o deixou muito mais preocupado do que já estava: o deus falou que Psique deveria ser vestida de luto e abandonada no alto de uma montanha, onde um monstro iria buscá-la para fazer dela sua esposa.

Embora muito triste, a família cumpriu essas determinações e Psique foi deixada na montanha. Sozinha e desesperada, ela começou a chorar. Mas, de repente, surgiu uma brisa suave que a levou flutuando até um vale cheio de flores, onde havia um palácio maravilhoso, com pilares de ouro, paredes de prata e chão de pedras preciosas.

Ao passar pela porta ouviu vozes que diziam assim: "Entre, tome um banho e descanse. Daqui a pouco será servido o jantar. Essa casa é sua e nós seremos seus servos. Faremos tudo o que a senhora desejar". Ela ficou surpresa. Esperava algo terrível, um destino pior que a morte e agora era dona de um palácio encantado. Só uma coisa a incomodava: ela estava completamente sozinha. Aquelas vozes eram só vozes, vinham do ar.

A solidão terminou à noite, na escuridão, quando o marido chegou. E a presença dele era tão deliciosa que Psique, embora não o visse, tinha certeza de que não se tratava de nenhum monstro horroroso.

A partir de então sua vida ficou assim: luxo, solidão e vozes que faziam suas vontades durante o dia e, à noite, amor. Acontece que a proibição de ver o rosto do marido a intrigava. E a inquietação aumentou mais ainda quando o misterioso companheiro avisou que ela não deveria encontrar sua família nunca mais. Caso contrário, coisas terríveis iam começar a acontecer.

Ela não se conformou com isso e, na noite seguinte, implorou a permissão para ver pelo menos as irmãs. Contrariado, mas com pena da esposa, ele acabou concordando. Assim, durante o dia, quando ele estava longe, as irmãs foram trazidas da montanha pela brisa e comeram um banquete no palácio.

Só que o marido estava certo, a alegria que as duas sentiram pelo reencontro logo se transformou em inveja e elas voltaram para casa pensando em um jeito de acabar com a sorte da irmã. Nessa mesma noite, no palácio, aconteceu uma discussão. O marido pediu para Psique não receber mais a visita das irmãs e ela, que não tinha percebido seus olhares maldosos, se rebelou, já estava proibida de ver o rosto dele e agora ele queria impedi-la de ver até mesmo as irmãs? Novamente, ele acabou cedendo e no dia seguinte as pérfidas foram convidadas para ir ao palácio de novo. Mas dessa vez elas apareceram com um plano já arquitetado.

Elas aconselharam Psique a assassinar o marido. À noite ela teria que esconder uma faca e uma lamparina de óleo ao lado da cama para matá-lo durante o sono.
Psiquê caiu na armadilha. Mas, quando acendeu a lamparina, viu que estava ao lado do próprio Eros, o deus do amor, a figura masculina mais bonita que havia existido. Ela estremeceu, a faca escorregou da sua mão, a lamparina entornou e uma gota de óleo fervente caiu no ombro dele, que despertou, sentiu-se traído, virou as costas, e foi embora. Disse: "Não há amor onde não há confiança".

Psiquê ficou desesperada e resolveu empregar todas as suas forças para recuperar o amor de Eros, que, a essa altura, estava na casa da mãe se recuperando do ferimento no ombro. Ela passava o tempo todo pedindo aos deuses para acalmar a fúria de Afrodite, sem obter resultado. Resolveu então ir se oferecer à sogra como serva, dizendo que faria qualquer coisa por Eros.

Ao ouvir isso, Afrodite gargalhou e respondeu que, para recuperar o amor dele, ela teria que passar por uma prova. Em seguida, pegou uma grande quantidade de trigo, milho, papoula e muitos outros grãos e misturou. Até o fim do dia, Psique teria que separar tudo aquilo.
Era impossível e ela já estava convencida de seu fracasso quando centenas de formigas resolveram ajudá-la e fizeram todo o trabalho.

Surpresa e nervosa por ver aquela tarefa cumprida, a deusa fez um pedido ainda mais difícil: queria que Psique trouxesse um pouco de lã de ouro de umas ovelhas ferozes. Percebendo que ia ser trucidada, ela já estava pensando em se afogar no rio quando foi aconselhada por um caniço (uma planta parecida com um bambu) a esperar o sol se pôr e as ovelhas partirem para recolher a lã que ficasse presa nos arbustos. Deu certo, mas no dia seguinte uma nova missão a esperava.

Agora Psique teria que recolher em um jarro de cristal um pouco da água negra que saía de uma nascente que ficava no alto de uns penhascos. Com o jarro na mão, ela foi caminhando em direção aos rochedos, mas logo se deu conta de que escalar aquilo seria o seu fim. Mais uma vez, conseguiu uma ajuda inesperada: uma águia apareceu, tirou o jarro de suas mãos e logo voltou com ele bem cheio de água negra.

Acontece que a pior tarefa ainda estava por vir. Afrodite dessa vez pediu a Psique que fosse até o inferno e trouxesse para ela uma caixinha com a beleza imortal. Desta vez, uma torre lhe deu orientações de como deveria agir, e, assim, ela conseguiu trazer a encomenda.

Tudo já estava próximo do fim quando veio a tentação de pegar um pouco da beleza imortal para tornar-se mais encantadora para Eros. Ela abriu a caixa e dali saiu um sono profundo, que em poucos segundos a fez tombar adormecida.

A história acabaria assim se o amor não fosse correspondido. Por sorte Eros também estava apaixonado e desesperado. Ele tinha ido pedir a Zeus, o deus dos deuses, que fizesse sua mãe parar com aquilo para que eles pudessem ficar juntos.

Zeus então reuniu a assembléia dos deuses (que incluía Afrodite) e anunciou que Eros e Psique iriam se casar no Olimpo e ela se tornaria uma deusa. Afrodite aceitou porque, percebendo que a nora iria viver no céu, ocupada com o marido e os filhos, os homens voltariam a cultuá-la.

Eros e Psique tiveram uma filha chamada Volúpia e, é claro, viveram felizes para sempre.

João e Maria - Chico Buarque



Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três.

Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês.

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigada a ser feliz.

E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país.

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido.

Sim, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade
Acho que a gente nem tinha nascido.

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim.

Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim.


segunda-feira, 9 de junho de 2008

Conhecendo um pouco o pai da psicanálise...



Sigmund Freud (Príbor, 6 de maio de 1856 — Londres, 23 de setembro de 1939). Médico neurologista austríaco e fundador da Psicanálise. Interessou-se inicialmente pela histeria e, tendo como método a hipnose, estudou pessoas que apresentavam esse quadro. Mais tarde, com interesses pelo inconsciente e pulsões, entre outros, foi influenciado por Charcot e Leibniz, abandonando a hipnose em favor da associação livre. Estes elementos tornaram-se bases da Psicanálise. Freud, além de ter sido um grande cientista e escritor (Prémio Goethe, 1930), possui o título, assim como Darwin e Copérnico, de ter realizado uma revolução no âmbito humano: a idéia de que somos movidos pelo inconsciente.

Freud, suas teorias e seu tratamento com seus pacientes foram controversos na Viena do século XIX, e continuam a ser muito debatidos hoje. Suas idéias são freqüentemente discutidas e analisadas como obras de literatura e cultura geral em adição ao contínuo debate ao redor delas no uso como tratamento científico e médico.


Biografia

Nascido Sigmund Schlomo Freud (em 1877 abreviou seu nome), aos quatro anos de idade sua família transferiu-se para Viena por problemas financeiros. Morou em Viena até 1938, quando, com a vinda do nazismo (Freud era judeu), foge para a Inglaterra. Era um excelente aluno, porém, por ser judeu, só poderia escolher entre os cursos de Direito ou Medicina, optando por este último.

Sigmund Freud é filho de Jacob Freud e de sua terceira mulher Amalie Nathanson (1835-1930). Jacob, um judeu proveniente da Galiza e comerciante de lã, muda-se a Viena em 1860. Não recebe do pai uma educação tradicionalista, embora já bastante jovem o garoto Sigmund tenha se apaixonado pela cultura hebraica e pelas escrituras hebraicas, em particular pelo estudo da Bíblia. Este interesse deixou traços evidentes em sua obra.

Os primeiros anos de Freud são pouco conhecidos, já que ele destruíra seus escritos pessoais em duas ocasiões, a primeira em 1885 e novamente em 1907. Além disso, seus escritos posteriores foram protegidos cuidadosamente nos Arquivos de Sigmund Freud, aos quais só tinham acesso Ernest Jones (seu biógrafo oficial) e uns poucos membros do círculo da psicanálise. O trabalho de Jeffrey Moussaieff Masson pôs alguma luz sobre a natureza do material oculto.

Freud teve cinco filhos. Um deles, Martin Freud, escreveu uma memória intitulada Freud: Homem e Pai, na qual descreve o pai como um homem reservado, porém, amável, que trabalhava extremamente longas horas, mas que adorava ficar com suas crianças durante as férias de verão.

Anna Freud, filha de Freud, foi também uma psicanalista destacada, particularmente no campo do tratamento de crianças e do desenvolvimento psicológico. Sigmund Freud foi avô do pintor Lucian Freud e do ator e escritor Clement Freud, e bisavô da jornalista Emma Freud, da desenhista de moda Bella Freud e do relacionador público Matthew Freud.

Por sua vida inteira Freud teve problemas financeiros. Josef Breuer foi um aliado de Freud em suas idéias e também um aliado financeiro.

Nos tempos do nazismo, Freud perdeu quatro irmãs (Rosa, Dolfi, Paula, e Marie Freud). Embora Marie Bonaparte tenha tentado retirá-las do país, elas são impedidas de sair de Viena pelas autoridades nazistas (fonte) e morrem nos campos de concentração de Auschwitz e de Theresienstadt.


Maturidade


Freud inicia os estudos na universidade aos 17 anos e toma-lhe inesperadamente bastante tempo até a graduação, em 1881. Registros de amigos que o conheciam naquela época, assim como informações nas próprias cartas escritas por Freud, sugerem que ele foi menos diligente nos estudos de medicina do que devia ter sido. Em lugar dos estudos, ele atinha-se à pesquisa científica, inicialmente pelos estudos dos órgãos sexuais de enguias — um estranho, mas interessante presságio das teorias psicanalíticas que estariam por vir vinte anos mais tarde. De acordo com os registros, Freud completa tal estudo satisfatoriamente, mas sem distinção especial. Em 1877, desapontado com os resultados e talvez menos excitado em enfrentar mais dissecações de enguias, Freud vai ao laboratório de Ernst Brücke, que torna-se seu principal modelo de ciência.

Com Brücke, Freud entra em contato com a linha fisicalista da Fisiologia. O interesse de Brücke não era apenas descobrir as estruturas de órgãos ou células particulares, mas sim suas funções. Dentre as atribuições de Freud nesta época estavam o estudo da anatomia e da histologia do cérebro humano. Durante os estudos, identifica várias semelhanças entre a estrutura cerebral humana e a de répteis, o que o remete ao recente estudo de Charles Darwin sobre a evolução das espécies e à discussão da "superioridade" dos seres humanos sobre outras espécies.

Freud então conhece Martha Bernays e parece ter sido amor à primeira vista. O seu desejo de desposar Martha, o baixo salário e as poucas perspectivas de carreira na pesquisa científica — o próprio Brücke aconselha-o a mudar, apesar do bom desempenho de Freud, e com razão, já que Freud precisava ganhar dinheiro — fazem-no abandonar o laboratório e a começar a trabalhar no Hospital Geral, o principal hospital de Viena, passando por vários departamentos do mesmo.

No hospital, depois de algumas desilusões com o estudo dos efeitos terapêuticos da cocaína — com inclusive um episódio de morte por overdose de um amigo da época do laboratório de Brücke —, Freud recebe uma licença e viaja para a França, onde trabalha com Charcot, um respeitável psiquiatra do hospital psiquiátrico Saltpêtrière que estudava a histeria.

De volta ao Hospital Geral e entusiasmado pelos estudos de Charcot, Freud passa a atender, na maior parte, jovens senhoras judias que sofriam de um conjunto de sintomas aparentemente neurológicos que compreendiam paralisia, cegueira parcial, alucinações, perda de controle motor e que não podiam ser diagnosticados com exames. O tratamento mais eficaz para tal doença incluía, na época, massagem, terapia de repouso e hipnose.

Apenas em 1886 Freud casa-se com Martha, com a ajuda financeira de alguns amigos mais abastados, dentre eles Josef Breuer, um colega mais velho da faculdade de medicina. Foi com as discussões de casos clínicos com Breuer que surgiram as idéias que culminaram com a publicação dos primeiros artigos sobre a psicanálise.

O primeiro caso clínico relatado deve-se a Breuer e descreve o tratamento dado a uma paciente (Bertha Pappenheim, chamada de "Anna O." no livro), que demonstrava vários sintomas clássicos de histeria. O método de tratamento consistia na chamada "cura pela fala" ou "cura catártica", na qual o ou a paciente discute sobre as suas associações com cada sintoma e, com isso, os faz desaparecer. Esta técnica tornou-se o centro das técnicas de Freud, que também acreditava que as memórias ocultas ou "reprimidas" nas quais baseavam-se os sintomas de histeria eram sempre de natureza sexual. Breuer não concordava com Freud neste último ponto, o que levou à separação entre eles logo após a publicação dos casos clínicos.

Na verdade, a classe médica em geral acaba por marginalizar as idéias de Freud inicialmente; seu único confidente durante esta época é o médico Wilhelm Fliess. Depois que o pai de Freud falece, em outubro de 1896, segundo as cartas recebidas por Fliess, Freud, naquele período, dedica-se a anotar e analisar seus próprios sonhos, rementendo-o à sua própria infância e, no processo, determinando as raízes de suas próprias neuroses. Tais anotações tornam-se a fonte para a obra A Interpretação dos Sonhos. Durante o curso desta auto-análise, Freud chega à conclusão de que seus próprios problemas eram devidos a uma atração por sua mãe e a uma hostilidade ao seu pai. É o famoso "complexo de Édipo", que se torna o coração da teoria de Freud sobre a origem da neurose em todos os seus pacientes.

Nos primeiros anos do século XX, são publicadas suas obras A Interpretação dos Sonhos e A Psicopatologia da Vida Cotidiana. Nesta época, Freud já não mantinha mais contato nem com Josef Breuer, nem com Wilhelm Fliess. No início, as tiragens das obras não animavam Freud, mas logo médicos de vários lugares — Eugen Bleuler, Carl Jung, Karl Abrahams, Ernest Jones, Sandor Ferenczi — mostram respaldo às suas idéias e passam a compor o Movimento Psicanalítico.

Freud morre de câncer na mandíbula (passou por trinta e três cirurgias). Supõe-se que tenha morrido de uma overdose de morfina. Freud sentia muita dor, e segundo a história contada, ele teria dito ao médico que lhe aplicasse uma dose excessiva de morfina para terminar com o sofrimento.


Inovações de Freud

Freud inovou em dois campos. Simultaneamente, desenvolveu uma teoria da mente e da conduta humana, e uma técnica terapêutica para ajudar pessoas afetadas psiquicamente. Alguns de seus seguidores afirmam estar influenciados por um, mas não pelo outro campo.

Provavelmente a contribução mais significativa que Freud fez ao pensamento moderno é a de tentar dar ao conceito de inconsciente (que tomou de Eduard von Hartmann, Schopenhauer e Nietzsche) um status científico (não compartilhado por várias áreas da ciência e da psicologia). Seus conceitos de inconsciente, desejos inconscientes e repressão foram revolucionários; propõem uma mente dividida em camadas ou níveis, dominada em certa medida por vontades primitivas que estão escondidas sob a consciência e que se manifestam nos lapsos e nos sonhos.

Em sua obra mais conhecida, A Interpretação dos Sonhos, Freud explica o argumento para postular o novo modelo do inconsciente e desenvolve um método para conseguir o acesso ao mesmo, tomando elementos de suas experiências prévias com as técnicas de hipnose.

Como parte de sua teoria, Freud postula também a existência de um pré-consciente, que descreve como a camada entre o consciente e o inconsciente (o termo subconsciente é utilizado popularmente, mas não é parte da terminologia psicanalítica). A repressão em si tem grande importância no conhecimento do inconsciente. De acordo com Freud, as pessoas experimentam repetidamente pensamentos e sentimentos que são tão dolorosos que não podem suportá-los. Tais pensamentos e sentimentos (assim como as recordações associadas a eles) não podem ser expulsos da mente, mas, em troca, são expulsos do consciente para formar parte do inconsciente.

Embora ao longo de sua carreira Freud tenha tentado encontrar padrões de repressão entre seus pacientes que derivassem em um modelo geral para a mente, ele observou que seus distintos pacientes reprimiam fatos diferentes. Observou ainda que o processo da repressão é em si mesmo um ato não-consciente (isto é, não ocorreria através da intenção dos pensamentos ou sentimentos conscientes). Em outras palavras, o inconsciente era tanto causa como efeito da repressão.


Divisão do Inconsciente

Freud procurou uma explicação à forma de operar do inconsciente, propondo uma estrutura particular. Propôs um inconsciente dividido em três partes: o eu ou ego, o id e o superego.

O id representa os processos primitivos do pensamento e constitui, segundo Freud, o motor do pensamento e do comportamento humano. Contém nossos pensamentos e desejos de recompensa mais primitivos, de caráter sexual e perverso.

O superego, a parte que contra-age ao id, representa os pensamentos morais e éticos.

O ego permanece entre ambos, alternando nossas necessidades primitivas e nossas crenças éticas e morais. É a instância na que se inclui a consciência. Um eu saudável proporciona a habilidade para adaptar-se à realidade e interagir com o mundo exterior de uma maneira que seja cômoda para o id e o superego.

Freud estava especialmente interessado na dinâmica destas três partes da mente. Argumentou que essa relação é influenciada por fatores ou energias inatas, que chamou de pulsões. Descreveu duas pulsões antagônicas: Eros, uma pulsão sexual com tendência à preservação da vida, e Tanatos, a pulsão da morte. Esta última representa uma moção agressiva, apesar de às vezes se resolver em uma pulsão que nos induz a voltar a um estado de calma, princípio de nirvana ou não-existência, que se baseou em seus estudos sobre protozoários.


Libido

Freud também acreditava que a libido amadurecia nos indivíduos por meio da troca de seu objeto (ou objetivo). Argumentava que os humanos nascem "polimorficamente perversos", no sentido de que uma grande variedade de objetos possam ser uma fonte de prazer. Conforme as pessoas vão se desenvolvendo, também vão fixando-se sobre diferentes objetos específicos em distintas etapas: a etapa oral (exemplificada pelo prazer dos bebês na lactação); a etapa anal (exemplificada pelo prazer das crianças ao controlar sua defecação); e logo a etapa fálica. Propôs então que chega um momento no qual as crianças passam a uma fase onde se fixam no progenitor de sexo oposto (complexo de Édipo) e desenvolveu um modelo que explica a forma na qual ajusta-se este padrão no desenvolvimento da dinâmica da mente. Cada fase é uma progressão pelo amadurecimento sexual, caracterizada por um forte Eu e a habilidade para retardar a necessidade de recompensas.


Crítica ao modelo psicossexual

O modelo psicossexual que desenvolveu tem sido criticado por diferentes frentes. Alguns têm atacado a afirmação de Freud sobre a existência de uma sexualidade infantil (e, implícitamente, a expansão que se fez na noção de sexualidade). Outros autores, porém, consideram que Freud não ampliou os conhecimentos sobre sexualidade (que tinham antecedentes anteriores na psiquiatria e na filosofia, em autores como Schopenhauer); senão que Freud "neurotizou" a sexualidade ao relacioná-la com conceitos como incesto, perversão e transtornos mentais. Ciências como a antropologia e a sociologia argumentam que o padrão de desenvolvimento proposto por Freud não é universal nem necessário no desenvolvimento da saúde mental, qualificando-o de etnocêntrico por omitir determinantes sócio-culturais.

Freud esperava provar que seu modelo, baseado em observações da classe média austríaca, fosse universalmente válido. Utilizou a mitologia grega e a etnografia contemporânea como modelos comparativos. Recorreu ao "Édipo Rei" de Sófocles para indicar que o ser humano deseja o incesto de forma natural e como é reprimido este desejo. O complexo de Édipo foi descrito como uma fase do desenvolvimento psicossexual e de amadurecimento. Também fixou-se nos estudos antropológicos de toteísmo, argumentando que reflete um costume ritualizado do complexo de Édipo (Totem e Tabu). Incorporou também em sua teoria conceitos da religião católica e da judaica; assim como principios da sociedade vitoriana sobre repressão, sexualidade e moral; e outros da biologia e da hidráulica.

Esperava que sua investigação proporcionasse uma sólida base científica para seu método terapêutico. O objetivo da terapia freudiana ou psicanálise é, relacionando conceitos da mente cartesiana e da hidráulica, mover (mediante a associação livre e da interpretação dos sonhos) os pensamentos e sentimentos reprimidos (explicados como uma forma de energia) através do consciente para permitir ao sujeito a catarse que provocaria a cura automática.

Outro elemento importante da psicanálise é a relativamente pouca intervenção do psicanalista para que o paciente possa projetar seus pensamentos e sentimentos no psicanalista. Através deste processo, chamado de transferência, o paciente pode reconstruir e resolver conflitos reprimidos (causadores de sua doença), especialmente conflitos da infância com seus pais.


Freud e a medicina

É menos conhecido o interesse de Freud pela neurologia. No início de sua carreira investigou a paralisia cerebral. Publicou numerosos artigos médicos neste campo. Também mostrou que a doença existia muito antes de que outros pesquisadores de seu tempo tiveram notícia dela e de a estudarem. Também sugeriu que era errado que esta doença, segundo descrito por William Little (cirugião ortopédico britânico), tivesse como causa uma falta de oxigênio durante o nascimento. Ao invés disso, afirmou que as complicações no parto eram somente um sintoma do problema. Somente na década de 1980 suas especulações foram confirmadas por pesquisadores modernos.

Do ponto de vista da medicina, a teoria e prática freudiana têm sido sustituídas pelas descobertas empíricas ao longo dos anos. A psiquiatria e a psicologia como ciências hoje rechaçam a maior parte do trabalho de Freud. Sem dúvida, muitas pessoas continuam aprendendo e praticando a psicanálise freudiana tradicional. No âmbito da psicanálise moderna, a palavra de Freud continua ocupando um lugar determinante, embora suas teorías apareçam reinterpretadas por autores como Jacques Lacan e Melanie Klein.


Críticas a Freud

Atualmente muitas críticas tem sido feitas ao método psicanalítico, porém, por mais que a ciência moderna avance, muitos dos conceitos estruturadores da psique humana e os resultados obtidos pela aplicação do método, continuam melhorando a qualidade de vida de muitas pessoas. Nota-se que a revolução promovida por Freud abriu caminhos para estudos que antigamente se encontravam em um plano imaginário. A criação de uma ciência a serviço do diagnóstico e cura de doenças da psique é um fato sem igual em toda a história da ciência. Porém é de se constatar certamente que em muitos escritos de Montaigne e de Pascal a idéia da auto-análise já era usada para explicar problemas subjetivos usando a lógica vigente, transformando os problemas do ser e de seu inconsciente em desafios universais, com os quais todos os homens se deparam.

Uma das mais severas críticas sofridas pelo método psicanalítico foi feita pelo filósofo da ciência Karl Popper. Segundo ele, a psicanálise é pseudociência, pois uma teoria seria científica apenas se pudesse ser falseável pelos fatos. Popper não descartava, no entanto, a possibilidade das conclusões do método usado por Freud serem verdadeiras, e que no futuro pudessem ser tratadas de forma científica.


Fonte:arikah.net

domingo, 8 de junho de 2008

Inteligência Emocional


Para os que amam Psicologia como eu, ou é apenas um curioso, segue abaixo um material que achei na Internet sobre Inteligência Emocional. Este é o primeiro de tantos outros textos interessantes que procurarei colocar aqui.


Até pouco tempo atrás o sucesso de uma pessoa era avaliado pelo raciocínio lógico e habilidades matemáticas e espaciais (QI). Mas o psicólogo Daniel Goleman, PhD, com seu livro "Inteligência Emocional" retoma uma nova discussão sobre o assunto. Ele traz o conceito da inteligência emocional como maior responsável pelo sucesso ou insucesso das pessoas. A maioria da situações de trabalho é envolvida por relacionamentos entre as pessoas. Desta forma pessoas com qualidades de relacionamento humano, como afabilidade, compreensão, gentileza têm mais chances de obter o sucesso.

O que é Inteligência Emocional?

A Inteligência Emocional está relacionada a habilidades tais como motivar a si mesmo e persistir mediante frustações; controlar impulsos, canalizando emoções para situações apropriadas; praticar gratificação prorrogada; motivar pessoas, ajudando-as a liberarem seus melhores talentos, e conseguir seu engajamento a objetivos de interesses comuns.


Daniel Goleman, em seu livro, mapeia a Inteligência Emocional em cinco áreas de habilidades:


1. Auto-Conhecimento Emocional - reconhecer um sentimento enquanto ele ocorre.
2. Controle Emocional - habilidade de lidar com seus próprios sentimentos, adequando-os para a situação.
3. Auto-Motivação - dirigir emoções a serviço de um objetivo é essencial para manter-se caminhando sempre em busca.
4. Reconhecimento de emoções em outras pessoas.
5. Habilidade em relacionamentos inter-pessoais.


As três primeiras acima referem-se a Inteligência Intra-Pessoal. As duas últimas, a Inteligência Inter-Pessoal.

Inteligência Inter-Pessoal: é a habilidade de entender outras pessoas: o que as motiva, como trabalham, como trabalhar cooperativamente com elas.


1. Organização de Grupos: é a habilidade essencial da liderança, que envolve iniciativa e coordenação de esforços de um grupo, habilidade de obter do grupo o reconhecimento da liderança, a cooperação espontânea.

2. Negociação de Soluções: o papel do mediador, prevenindo e resolvendo conflitos.

3. Empatia - Sintonia Pessoal: é a capacidade de, identificando e entendendo os desejos e sentimentos das pessoas, responder (reagir) de forma apropriada de forma a canalizá-los ao interesse comum.

4. Sensibilidade Social: é a capacidade de detectar e identificar sentimentos e motivos das pessoas.

Inteligência Intra-Pessoal: é a mesma habilidade, só que voltada para si mesmo. É a capacidade de formar um modelo verdadeiro e preciso de si mesmo e usá-lo de forma efetiva e construtiva.


Os tipos de inteligência


O psicólogo Howard Gardner da Universidade de Harward, nos Estados Unidos, propõe “uma visão pluralista da mente” ampliando o conceito de inteligência única para o de um feixe de capacidades. Para ele, inteligência é a capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos valorizados em um ambiente cultural ou comunitário. Assim, ele propõe uma nova visão da inteligência, dividindo-a em 7 diferentes competências que se interpenetram, pois sempre envolvemos mais de uma habilidade na solução de problemas. Embora existam predominâncias, as inteligências se integram:


Inteligência Verbal ou Lingüística: habilidade para lidar criativamente com as palavras.

Inteligência Lógico-Matemática: capacidade para solucionar problemas envolvendo números e demais elementos matemáticos; habilidades para raciocínio dedutivo.

Inteligência Cinestésica Corporal: capacidade de usar o próprio corpo de maneiras diferentes e hábeis.

Inteligência Espacial: noção de espaço e direção.

Inteligência Musical: capacidade de organizar sons de maneira criativa.

Inteligência Interpessoal: habilidade de compreender os outros; a maneira de como aceitar e conviver com o outro.

Inteligência Intrapessoal: capacidade de relacionamento consigo mesmo, autoconhecimento. Habilidade de administrar seus sentimentos e emoções a favor de seus projetos. É a inteligência da auto-estima.


Segundo Gardner, todos nascem com o potencial das várias inteligências. A partir das relações com o ambiente, aspectos culturais, algumas são mais desenvolvidas ao passo que deixamos de aprimorar outras. Nos anos 90, Daniel Goleman, também psicólogo da Universidade de Harward, afirma que ninguém tem menos que 9 inteligências. Além das 7 citadas por Gardner, Goleman acrescenta mais duas:


Inteligência Pictográfica: habilidade que a pessoa tem de transmitir uma mensagem pelo desenho que faz.

Inteligência Naturalista: capacidade de uma pessoa em sentir-se um componente natural.





Importância das Emoções


Sobrevivência: Nossas emoções foram desenvolvidas naturalmente através de milhões de anos de evolução. Como resultado, nossas emoções possuem o potencial de nos servir como um sofisticado e delicado sistema interno de orientação. Nossas emoções nos alertam quando as necessidades humanas naturais não são encontradas. Por exemplo, quando nos sentimos sós, nossa necessidade é encontrar outras pessoas.Quando nos sentimos receosos, nossa necessidade é por segurança. Quando nos sentimos rejeitados, nossa necessidade é por aceitação.


Tomadas de Decisão: Nossas emoções são uma fonte valiosa da informação. Nossas emoções nos ajudam a tomar decisões. Os estudos mostram que quando as conexões emocionais de uma pessoa estão danificadas no cérebro, ela não pode tomar nem mesmo as decisões simples. Por que? Porque não sentirá nada sobre suas escolhas.


Ajuste de limites: Quando nos sentimos incomodados com o comportamento de uma pessoa, nossas emoções nos alertam. Se nós aprendermos a confiar em nossas emoções e sensações isto nos ajudará a ajustar nossos limites que são necessários para proteger nossa saúde física e mental.


Comunicação: Nossas emoções ajudam-nos a comunicar com os outros. Nossas expressões faciais, por exemplo, podem demonstrar uma grande quantidade de emoções. Com o olhar, podemos sinalizar que precisamos de ajuda. Se formos também verbalmente hábeis, juntamente com nossas expressões teremos uma possibilidade maior de melhor expressar nossas emoções. Também é necessário que nós sejamos eficazes para escutar e entender os problemas dos outros.
União: Nossas emoções são talvez a maior fonte potencial capaz de unir todos os membros da espécie humana. Claramente, as diferenças religiosas, cultural e política não permitem isto, apesar dar emoções serem "universais".



(Fonte: site din.uem.br)