terça-feira, 26 de agosto de 2008

Abordagem Junguiana dos Contos de Fada


Considerações Gerais

Inúmeros pesquisadores têm procurado descobrir a origem dos contos de fadas. Noemi Paz (1989) comenta que os contos maravilhosos já eram registrados há 4.000 anos em pedaços de argila cozida, como, por exemplo, entre os babilônios e assírios, onde o tema central “é o da renovação da vida e do restabelecimento da ordem que triunfa sobre o caos”.


Von Franz (1981) nos conta que remontam à antigüidade os relatos de histórias simbólicas, como em Platão, que menciona histórias que as velhas contavam às crianças, ou os egípcios que as descreviam em suas colunas e papiros, ou Apuleio, que no século II d.C. escreve “O Asno de Ouro” e “Eros e Psique”. Na Europa, nos séculos 17 e 18, no inverno, os contos eram o principal entretenimento de adultos e crianças.


No século 18 o interesse científico é despertado após a publicação, com grande sucesso, pelos irmãos Joukos e Wilhelm Grimm, de uma coleção de contos que eram contados pelas pessoas. Várias escolas começam, então, a buscar as suas origens. Entre as hipóteses cogitadas está, por exemplo, a da escola finlandesa, que sugere que as histórias tiveram sua origem em diferentes países e que se deve buscar a forma primordial de um conto, a versão original, pois esta seria a melhor e as outras apenas suas derivações.


Outra hipótese é a de que os contos teriam surgido no Mediterrâneo oriental, durante a época neolítica, ou no Oriente próximo, ou ainda na Índia migrando posteriormente para a Europa, ou que seus temas derivaram de sonhos ou como necessidade de explicação dos fenômenos naturais.
Há ainda a hipótese de que os contos de fadas provêem de formas mais originais, como as sagas locais e histórias ou experiências parapsicológicas ou miraculosas, “que acontecem devido a invasões do inconsciente coletivo sob a forma de alucinações em estado de vigília, dando origem aos contos folclóricos e daí aos contos de fadas” (VON FRANZ, 1981). Na verdade, parece que nenhuma destas versões consegue, de fato, explicar de onde vêem os contos.


Estés (1995) considera ainda que “no transcorrer do séculos, várias conquistas de nações por outras nações e conversões religiosas, tanto pacíficas quanto impostas pela força, encobriram ou alteraram a essência original das antigas histórias”.


De qualquer lugar que venham, seja dos sonhos, das sagas, das histórias parapsicológicas, segundo von Franz (1981), Jung coloca, na origem dos contos, o arquétipo e a imagem arquetípica, considerando o primeiro como “a disposição estrutural básica para produzir uma certa narrativa mítica” e a última como a “imagem específica sob a qual o arquétipo toma forma”.
Assim, os temas básicos brotam de um pensamento padrão, “interligado com todos os outros pensamentos”, comum à espécie humana, aparecendo com diferentes variações em diferentes países. Porém, tais fenômenos só possuem significação quando se leva em conta a reação individual, o valor emocional e afetivo que têm para cada indivíduo.


Portanto, Jung “considera como fator mais importante a base humana à partir da qual os fenômenos florescem”. Tal explicação é, até certo ponto, aceita por etnólogos, arqueólogos, especialistas em religiões e em história das religiões, que se utilizam dos arquétipos mas ignoram “o indivíduo e todo o contexto onde a experiência se dá” (VON FRANZ, 1981).



O que são contos de fada ?


“Mas, então, O que conta o conto?” Para Bonaventure (1992), os contos são os instrumentos mais simples, concisos e precisos que nos permitem perceber como o homem processa os conflitos da vida desde a infância e como a sabedoria popular encontra a solução para esses conflitos.


Dieckmann (1986) assim descreve o conto de fada: “Era uma vez” - assim começam geralmente para nós a maioria dos contos de fada, e então eles nos levam de volta a tempo distante e desde muito passado, no qual acontecem coisas extraordinárias - impossíveis para o pensamento racional - e aí existem monstros, bruxas, fadas e mágicos ou animais falantes.


É um mundo cheio de milagres, pelos quais um pastor de porcos se transforma em rei, uma Cinderela em princesa, descobre-se um lugar onde se pode encontrar a água da vida, certa lâmpada que atrai milagrosamente todos os tesouros do mundo, um anel com que se reina sobre o mundo, ou um cavalo com o qual se pode voar”.


Para este autor, “Freud já tinha percebido que contos de fada e mitos não são fundamentalmente distintos dos sonhos, e que falam uma linguagem simbólica idêntica” (DIECKMANN, 1986). Nossos sonhos estão repletos de conteúdos mitológicos, enquanto que nos contos com freqüência nos deparamos com imagens somente encontradas nos sonhos. Jung, por sua vez, compreendeu que este simbolismo estava presente tanto nas pessoas sadias, quanto nas “mentalmente enfermas”, o que significa que esta é uma linguagem universal, própria do inconsciente humano. É a sua forma mais elementar de manifestação, a sua linguagem mais simples. É tão simples quanto infantil e por isto destituída de cultura, moral ou qualquer outro elemento intelectivo que possa dificultar sua assimilação.Todos temos, pois, os mesmos problemas e dificuldades e diferimos apenas no fato de conseguirmos ou não resolvê-los sozinhos. O mito grego ou o conto de Grimm têm repercussão análoga porque o homem é, em essência, o mesmo do início dos tempos, ou seja um ser mítico. Temos as mesmas inquietações, as mesmas buscas, as mesmas dificuldades e a linguagem simbólica primordial esquecida, capaz de exprimir estes conteúdos, nós a encontramos nos sonhos, nos mitos e nos contos de fadas: “Por toda parte onde o homem alcança algo de novo, nunca até então conseguido ou adquirido, acontece coisa igual à transição do herói do conto de fada, do mundo do dia-a-dia para um reino mágico, desconhecido, encantado, que deve ser libertado, ou onde se pode buscar um valor que nos eleva acima da existência trivial. As bruxas e monstros são então nossos próprios temores e incapacidades personificados, contra os quais temos que lutar; os animais solícitos e as fadas são as nossas capacidades e possibilidades ainda desconhecidas, que nestas situações podemos obter. Desta maneira se realiza, em outro plano, aquilo que no conto é imagem ou fantasia” (DIECKMANN, 1986).


Em outras palavras, quando enfrentamos situações de conflitos, onde a nossa capacidade de superá-los parece ameaçada, as imagens coletivas podem servir de tochas para iluminar a estrada e apontar o melhor caminho. E se heroicamente triunfamos, apesar de todos os temores e adversidades, uma transformação se dá: nosso ponto de vista se modifica, nossa visão se alarga e nos tornamos mais sábios, nos aproximando a cada novo passo da sabedoria do Senex.


Bonaventure (1992) compara o conto de fadas com as obras de arte, onde ambos, através de suas imagens, expressam realidades humanas que sempre existiram: “Em poucas imagens, condensa rapidamente o essencial de anos de experiência e conflitos”. No entanto, para Estés (1995), as histórias, não importa quanto tempo passe, serão sempre mais antigas do que a arte e a psicologia.



O que revelam os contos de fada ?


Por ser o arquétipo um núcleo psíquico de natureza insondável não seria possível esgotar o seu conteúdo em termos intelectivos e racionais, mas somente de forma simbólica e representativa. Os contos, assim como os mitos, são as representações mais simples e completas dos arquétipos e, por isso mesmo, revelam com maior clareza as estruturas básicas da psique, constituindo-se em elementos estruturantes da maior importância.


Os contos, tais como os sonhos e muitas outras manifestações imaginais, revelam “as vivências de nosso mundo interior [que] podem ser expressas com simplicidade, por meio, sobretudo, das imagens usadas pelos contos e pelos sonhos” (BONAVENTURE, 1992).


Para von Franz (1981), “o conto oferece um modelo para a vida, um modelo vivificador e encorajador que permanece no inconsciente contendo todas as possibilidades positivas da vida”. É interessante observar o Patinho Feio que se transforma em Cisne, a Gata Borralheira que se torna princesa, Joãozinho e Maria que, perdidos, acabam encontrando a segurança, e verificar qual foi a trajetória que estes personagens fizeram até chegar ao “final feliz”. Eles nos apresentam um modelo de caminho, nos apontam uma direção, nos mostram onde podemos chegar se seguirmos seus passos. Ou, nos dizeres de Estés (1995), “As histórias nos permitem entender a necessidade de reerguer um arquétipo submerso e os meios para realizar essa tarefa”.


O conto não precisa, necessariamente, de explicações. A história, por si só, nos dá a melhor explicação. Um observador sensível e atento é capaz de apreender o seu significado, sem se utilizar de um conhecimento intelectual ou acadêmico específico. O requisito imprescindível, no entanto, é a capacidade especial de perceber a familiaridade do tema com o humano que existe em nós; de observar, por exemplo, o quanto tem de nós mesmos na trajetória de Pinocchio, o boneco de pau que vira menino de verdade, ou de Peter Pan, a eterna criança, ou de Rapunzel, a linda prisioneira da torre, contos que nos dizem de maneira simples algo que sentíamos mas que não sabíamos formular.


Esta identificação é possível porque, nas palavras de Bonaventure (1992), “a psique é algo familiar a todos”. No entanto, von Franz considera que a descrição de um fato psíquico é sempre difícil de se representar devido à sua complexidade. Assim, para possibilitar a penetração deste fato na consciência, há necessidade de repetição e de variações dos contos. A autora acredita que este fato desconhecido é o próprio self e o conto de fadas seria então a sua representação, sem ser ele próprio. Estés (1995) considera que as histórias têm uma enorme força porque contém ensinamentos e instruções sobre as complexidades da vida. “As histórias, nos diz a autora: “conferem movimento à nossa vida interior, e isso tem especial importância nos casos em que a vida interior está assustada, presa ou encurralada. As histórias lubrificam as engrenagens, fazem correr a adrenalina, mostram-nos a saída e, apesar das dificuldades, abrem para nós portas amplas em paredes anteriormente fechadas, aberturas que nos levam à terra dos sonhos, que conduzem ao amor e ao aprendizado, que nos devolvem à nossa verdadeira vida ...”


Em uma perspectiva diferente destas vamos enfocar neste trabalho que os Contos de fada nos revelam e abrangem alguns dos mais relevantes aspectos da fenomenologia do espírito.



A versão animada dos contos em Walt Disney


A opção por Disney é especialmente em função do inquestionável valor artístico e cinematográfico de seus trabalhos, cuja irrefutável repercussão e alcance se faz presente através das gerações. Walt Disney continua sendo o mago que consubstancializou e tridimensionalizou o reino imaginal, fantástico e, sobretudo, mágico, chamado infância. Tornou visível esta inescrutável dimensão da Alma através de seus desenhos animados onde milhões de pessoas vem podendo compartilhar imagens, sentimentos, afetos e encantos até então irrepresentáveis através do discurso literário.


Ainda que possamos considerar o discurso literário ou poético como a representação das representações e o ápice da razão e do espírito humano, será preciso nos tornar sensíveis ao poder das imagens enquanto autêntica representação da linguagem da Alma. Assim, a magia, o encanto e a tecnologia do cinema nos transportam e nos fazem penetrar neste mundo, antes reservado exclusivamente às experiências interiores.


Consideramos que buscar nas imagens dos desenhos animados a fonte de estudo dos contos de fada, constitui uma atitude necessária nos nossos dias, na medida em que a figura e o papel do contador de histórias parece ter sido transferido à grande tela, ou seja, a TV e o cinema. Entendemos que a Alma encontrou aí seu lugar, podendo se expressar mais adequadamente através da linguagem da sétima arte - a imaginação ( imagens em ação = IMAGEM + AÇÃO ).


A experiência com a grande tela nos coloca frente a frente com a linguagem universal perdida - a imagem. Desta forma foi possibilitado dizer e representar o indizível. O cinema, no uso de sua peculiar magia, fez da imagem em ação uma experiência coletiva e, através de suas expressões, sensibiliza multidões e mobiliza um número cada vez maior de espectadores.


As imagens da Anima Mundi parecem ter invadido as telas e é assim que, nos dias atuais, a imaginação se faz realidade, ainda que virtual ( IMAGEM + AÇÃO ), sendo a sétima arte, a um só tempo, o seu veículo e o seu conteúdo mais significativo. O Homem contemporâneo pode desfrutar deste inestimável produto e criação de seu próprio tempo. Se tomarmos a Criatividade como atributo essencialmente Masculino e como a capacidade de dar forma, podemos encontrar o grande momento que o espírito humano, à procura de sua alma, consegue, pela arte, tocá-la.
Acreditamos que vivemos o momento da imagem. A imagem em ação, a realidade virtual, é o grande evento deste final de século e a mais expressiva linguagem suprapessoal da atualidade ( imaginação ). O vídeo, quer seja através da TV, dos computadores ( CD-Rom ), dos video-clips, video-games ou do cinema, faz da imagem ao mesmo tempo veículo de circulação e conteúdo circulante da mídia, o grande momento da cultura.


É necessário analisar o significado deste momento em que a palavra parece transformar sua função e ceder lugar à imagem, enquanto elemento fundamental da linguagem e do fenômeno da comunicação. A cada dia mais pessoas vão às salas de cinema ou passam horas a fio frente à telas de TV, de computadores ou de video-games, assistindo a cenas de filmes, jogos de desafio, clips, todos com imagens míticas veiculadas pelos mais diferentes recursos. Os filmes dos estúdios Disney têm sido sucesso desde 1931, com Steamboat Willie, até os nossos dias, com O Rei Leão ( The Lion King - 1994), este último um recorde de bilheteria. Compreender qual a motivação que leva milhares e milhares de homens, mulheres e crianças, em diversos países, a ver e rever um desenho animado que conta a história de um pequeno leãozinho é um dos desafios a que nos propomos discutir. Qual será o segredo escondido nestas imagens? Qual será o conteúdo arquetípico presente que mobilizou pessoas de todas as idades a assistir a estes dramas?



Branca de Neve e os sete anões


O filme : Snow white and the seven dwarfs
Edição em 1937

O Tema central


O tema central do conto é o processo de individuação feminino e a elaboração das relações com os arquétipos parentais no que diz respeito às dimensões SENEX x PUER apresentados forma RAINHA X PRINCESA e, particularmente, expressos no conflito MÃE X FILHA. Podemos articular e estruturar o tema do conflito da seguinte forma :



SENEX - Rainha - Mãe

PUER - Princesa - Filha


Encontramos conflito análogo em vários outros elementos míticos tanto no mito de Édipo quanto no conto de Lucio Apuleio, Eros e Psique, que nos falam de Reis e Rainhas que tentam de alguma forma perpetuar-se no poder, mantendo a posse definitiva do Phallos a qualquer preço.
Agem promovendo o infanticídio, a castração e são, na verdade, uma autêntica expressão da petrificação da vida e do Phallos sem Eros, sem compromisso com a renovação da existência. É a autêntica dimensão do Poder sem a experiência do Amor.


Em Branca de Neve temos situação análoga quando a Madrasta-Rainha manda matar a princesa logo ao tomar conhecimento de que a beleza da jovem supera a sua própria. Após a revelação feita pelo espelho mágico a Rainha tomada de inveja cruelmente desfecha toda sua ira e maldade em Branca de Neve com receio de perder o trono.


A madrasta-Rainha, tal qual Laio no mito de Édipo ou Afrodite em Eros e Psique solicita que sua concorrente e sucessora na ordem natural de renovação da vida seja morta, tentando assim por intermédio de seu criado elimina-la através do infanticídio. Sua crueldade chega à requintes extremos quando pede que lhe seja extirpado e entregue o coração como prova de sua eliminação, fato que nos leva a imaginar que simbolicamente possa representar mais uma face da castração, ou seja, torna-la incapaz de amar. Tal qual em Édipo, o caçador trai a Rainha e manda que Branca de Neve fuja para a floresta.


Como já apontamos anteriormente as formas de poder, ou seja, os diferentes aspectos do Phallos, difere quanto à sua expressão simbólica seja nos aspectos femininos e masculinos. Na dimensão matriarcal é expresso e vivenciado através do poder da beleza e da sedução feminina, o que na dimensão patriarcal se dá pela força e a capacidade de luta.


Vemos que a madrasta-Rainha impõe à princesa trabalhos forçados, fato que, como em outros contos, lhe dá condições de vida humana da mesma forma que Afrodite o faz com a bela Psique nas conhecidas quatro provas. Essas são formas arquetípicas de humanização que inclui a “queda” em uma na dimensão profana do cotidiano e, conseqüentemente “no mundo”.
Branca de Neve vai ao poço dos desejos, expressão simbólica da comunicação com o inconsciente profundo e os arquétipos e cantando fala de sua esperança em encontrar um grande amor.
A jovem brinca com o som do eco no poço junto aos pombos e acaba por deparar-se com a imagem refletida do príncipe ao seu lado sem ter percebido sua chegada. É uma cena que nos remete às imagens míticas do encontro final entre Narciso e Eco onde Narciso, ainda que diante de Eco, fita indefinidamente sua própria imagem refletida no lago sem perceber quem está à sua frente.


Branca de Neve, ao contrário de Narciso e Eco, se vê no reflexo do poço com o príncipe ao seu lado em uma imagem que nos traz intuitivamente o significado da imagem de sua própria Alma refletida, o masculino e o feminino. Mas ainda parece ser cedo demais e foge dele como uma verdadeira Ninfa. As pombas representam nesse contexto a presença feminina do espírito masculino e a condição de possibilidade de realização dos desejos.


Branca de Neve vai colher flores e foge para a floresta quando o caçador desiste de mata-la. Na fuga realiza o movimento de catábase, ou descida aos infernos, lembrando Korè ( Perséfone ) no mito grego de Deméter e Perséfone quando é raptada por Hades. Cai em um outro mundo, um sub-mundo, um inferno subterrâneo onde entra em contato com as forças ctônicas da natureza representadas pelos animais roedores e todos os demais elementos. Seus novos amigos a conduzem à casa dos 7 anões : Mestre, Feliz, Atchim, Dunga, Zangado, Soneca e Dengoso, aspectos do elemento masculino plural não desenvolvido que Branca deveria entrar em contato e com esses relacionar-se. Trabalham falicamente nos interiores, nas minas, e por isso possibilitavam a busca da interioridade e da integração do poder fálico masculino.


O espelho da Madastra, elemento mítico que sempre traduz a verdade e representa uma janela aberta para o mundo, mostra onde se esconde a jovem Branca de Neve. A Rainha, ao perceber que tinha sido traída pelo caçador quando percebe que o coração que pensava ser da jovem é, na verdade, de um animal, é tomada de ira e crueldade e exerce sua magia transformando-se em uma velha Bruxa para que com suas próprias mãos possa matá-la com a maçã envenenada.
Prepara então seu feitiço, uma maçã que a sufocará e fará cair no sono da morte, para poder levar até Branca de Neve. A maçã faria com que a jovem princesa caísse em um sono profundo só podendo ser ressuscitada se recebesse um primeiro beijo de amor.


A maçã é um elemento freqüente que surge em vários contos e mitos ( no casamento de Zeus ~ Hera, Géia dá de presente as maçãs de ouro ) e é visto como o fruto do conhecimento dos mistérios de renovação da vida, da imortalidade da Alma e o fruto predileto de Eros. Podemos observá-la como um símbolo de iniciação e de conhecimento da vida, do bem e do mal sendo o seu veneno visto como um atributo natural de criação de uma consciência madura que leva à individuação.


O sono eterno corresponde também ao encontro de uma dimensão de regeneração e daquilo que os mitos gregos sugerem como apokastásis, recuperação, regeneração. Ser tomada por HIPNOS ( Sono ), irmão gêmeo de TANATOS ( Morte ), ambos filhos de NIX ( Noite ) é se entregar à regeneração e recuperação da Alma. O sono e a morte são os responsáveis simbólicos por essa tarefa na perspectiva mítica da individuação.Branca de neve morre e é colocada em um caixão de cristal para tristeza profunda de seus amigos, os anões e os animais da floresta. Os anões não enterram Branca e a mantêm viva pela vigília eterna. Em termos alquímicos mantêm a matéria fecundada em gestação até que lhe seja possível a chegada do elemento masculino que faltava à sua própria individuação, a Luz do espírito, o Príncipe para que possa acontecer o segundo nascimento, o nascimento do que é do espírito rumo ao castelo interior, uma mandala áurea iluminada pela conjunção dos opostos. A cena final é a coroação dos desejos expressos no poço dos desejos quando viu sua imagem e a do príncipe refletida no fundo da água. E Então foram felizes para sempre.


Os Personagens principais :

· Branca de Neve
· A Rainha ( Madastra )

Os Personagens secundários :

· Os sete anões
· O príncipe
· O Espelho
· O caçador
· O corvo

Os Personagens auxiliares :

· Os animais da floresta

Lugares significativos :

· O Castelo
· O poço
· A Floresta
. A casa dos anões



Paralelos com Mitos e outros contos :

· O Conto de Eros e Psique
· O Mito de Édipo
· A gata borralheira
· Narciso e Eco
· Demeter e Perséfone


(Autor: Jorge L. de Oliveira Braga – Analista Junguiano - AJB)



Um comentário:

iris disse...

Olá tudo bem, estou no último ano do curso de padagogia e adorei a sua pesquisa sobre contos de fada, pois o meu tema do tcc é sobre contos de fada, gostaria que você posta se a bibliografia, para que eu pudesse ler os livros que você fundamentou suas idéias na pesquisa.
Desde já agradeço....