quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A LENDA DE ISIS, OSIRIS E HORUS


Isis e Osiris

Sem dúvida alguma, a Deusa Isis foi a divindade feminina mais importante do panteão egípcio, e também a que maior importância deixou em cultos e civilizações posteriores.
Seu nome egípcio era "Istet", que significa literalmente "assento" ou "trono", sendo essa palavra feminina, e Isis a denominação que nos transmitiram os gregos. Precisamente o tocado com que a identifica nos lembra a imagem de um assento.

Ambos nomes guardavam conotações simbólicas de alto significado. A genealogia sagrada a faz filha de Geb, deus da terra e de Nut, deusa da noite. É, portanto, irmã de Osíris, Seth, Nephtis e em ocasiões, de Hórus, "o velho".

Isis é a protagonista principal do que podemos qualificar como o mito fundamental da religião egípcia: a morte e ressurreição de Osíris. De fato, Isis e Osíris, além de irmãos, eram marido e mulher.

O deus Osiris governava em paz no reino, mas decidiu viajar pelo mundo para civilizar outros povos. Em seu lugar deixou como regente a sua esposa Isis, fato que deixou seu malvado irmão Seth humilhado, já que considerava que o trono lhe pertencia na ausência de seu irmão.
Isis governou com bondade e justiça a seus súditos durante a viagem de seu marido. Passado algum tempo regressou Osíris, e seu irmão, junto com 72 cúmplices, urdiu um plano para se vingar.

Organizou uma festa em honra ao recém chegado e levou um cofre para a sala do trono, desafiando aos convidados a se meterem dentro para ver se era do tamanho de algum deles e, neste caso, dar-lhes de presente. Várias pessoas se introduziram ali, mas ninguém "encaixava" à medida, até que Osíris tentou provar a sorte.

Naturalmente Seth já conhecia as medidas do irmão, assim que lhe caiu como uma luva. Nesse momento todos os conspiradores avançaram contra a caixa de metal, a fecharam hermeticamente e a jogaram ao Nilo. E aqui começam as peregrinações de Isis em buscar o cadáver de seu amado.

Depois de numerosas fatigas, encontra o cofre com os restos de seu esposo, mas Seth é informado e intervém de novo cortando o corpo do finado em 14 partes que são espalhadas por todo Egito. Porém, Isis não se rende e ajudada por sua irmã Nephtis, curiosamente esposa de Seth, recorre cada lugar do reino buscando as partes de seu marido. Assim, vão encontrando e com a ajuda de Thot e Anubis, recompõem o corpo.

Localizaram todas as partes, menos os genitais, mas Isis, a Grande Maga, constrói com ouro um órgão artificial e logra a devolver vida a Osíris à tempo de ter relações sexuais e ficar grávida de Hórus, o deus falcão, que posteriormente será o vingador de seu pai e que manterá com seu tio Seth uma luta sem precedentes.

Ísis e Osíris eram irmãos gêmeos, que mantinham relações sexuais ainda no ventre da mãe e desta união nasceu o Hórus-mais-velho. No Egito, nesta época, era hábito entre os faraós e as divindades a celebração de núpcias entre irmãos, para não contaminar o sangue.

ARQUÉTIPO DA PROVEDORA DA VIDA

É pelo poder de Ísis, através de seu amor, que o homem afogado na luxúria e na paixão, eleva-se a uma vida espiritual. Ísis, antes de tudo, é provedora da vida. Comumente é representada amamentando seu filho Hórus, pois ela é a mãe que nutri e alimenta tudo que gera. Ísis com seu bebê no colo, acabou transformada na Virgem Maria com o menino Jesus.
Embora Isis fosse considerada como mãe universal ela era venerada como protetora das mulheres em particular. Sendo aquela que dá a vida, que presidia sobre vida e morte, ela era protetora das mulheres durante o parto e confortava aquelas que perdiam seus entes queridos. Em Ísis, as mulheres encontravam o apoio e a inspiração para prosseguirem com suas vidas. Ísis proclamava ser, em hinos antigos, a deusa das mulheres e dotava suas seguidoras de poderes iguais aos do homem.

Esta Deusa é também freqüentemente representada como uma Deusa negra. Este fato está diretamente associado ao período de luto de Ísis (morte de Osíris), quando ela vestia-se de preto ou ela própria era preta.

As estátuas pretas de Ísis tinham também um outro sentido. Plutarco declara que "suas estátuas com chifres são representações da Lua Crescente, enquanto que as estátuas com roupa preta significavam as ocultações e as obscuridades nas quais ela segue o Sol (Osíris), almejando por ele. Conseqüentemente, invocam a Lua para casos de amor e Eudoxo diz que Ísis é quem os decide".
No Solstício de Inverno, a Deusa, na forma de vaca dourada, coberta por um traje negro, era carregada sete vezes em torno do Santuário de Osíris morto, representando as perambulações de Ísis, que viajou através do mundo pranteando sua morte e procurando pelas partes espalhadas de seu corpo. Este ritual, era um procedimento mágico, que tencionava prevenir que a seca invadisse as regiões férteis do Nilo, pois a ressurreição de Osíris era, naquela época, um símbolo da enchente anual do Nilo, da qual a fertilidade da terra dependia.

ARQUÉTIPO DE CURA

Ísis era invocada nas antigas escrituras como a senhora da cura, restauradora da vida e fonte de ervas curativas. ela era venerada como a senhora das palavras de poder, cujos encantamentos faziam desaparecer as doenças.

À noção de magia liga-se também, imediatamente ao nome de Ísis, que conhece o nome secreto do Deus supremo. Ísis dipõe do poder mágico que Geb, o Deus da Terra, lhe ofereceu para poder proteger o filho Hórus. Ela pode fechar a boca de cada serpente, afastar do filho qualquer leão do deserto, todos os crocodilos do rio, qualquer réptil que morda. Ela pode desviar o efeito do veneno, pode fazer recuar o seu fogo destruidor por meio da palavra, fornecer ar a quem dele necessite. Os humores malignos que perturbam o corpo humano obedecem a Ísis. Qualquer pessoa picada, mordida, agredida, apela a ísis, a da boca hábil, identificiando-se com Hórus, que chama a mãe em seu socorro. Ela virá, fará gestos mágicos, mostrar-se-á tranqüilizadora ao cuidar do filho. Nada de grave irá lesar o filho da grande Deusa.

ARQUÉTIPO DA MÃE-NATUREZA

Ísis, Deusa da lua, também é Mãe da Natureza. Ela nos diz que para este mundo continuar a existir tudo que é criado um dia precisa ser destruído. Ísis determina que não deve haver harmonia perpétua, com o bem sempre no ascendente. Ao contrário, deseja que sempre exista o conflito entre os poderes do crescimento e da destruição. O processa da vida, caminha sobre estes opostos. O que chamamos de "processo da vida", não é idêntico ao bem-estar da forma na qual a vida está neste momento manifesta, mas pertence ao reino espiritual no qual se baseia a manifestação material.

Com certeza, se a morte e a decadência não tivessem dotados de poderes tão grandes quanto as forças da criação, nosso mundo inteiro já teria alcançado o estado de estagnação. Se tudo permanecesse para sempre como foi primeiramente feito, todas as capacidades de "fazer" teriam sido esgotadas há séculos. A vida hoje estaria hoje totalmente paralisada. E, assim, inesperadamente, o excesso de bem, acabaria em seu oposto e tornar-se-ia excesso de mal.
Ísis, tanto na forma da natureza, como na forma de Lua, tinha dois aspectos. Era criadora, mãe, enfermeira de todos e também destruidora.

ÍSIS E HÓRUS

Muita conhecida de todos nós é a história de Hórus, o filho de Ísis, a Deusa do Egito, tanto quanto os também tão estimados e conhecidos Maria e o menino Jesus no cristianismo. Entretanto, existem algumas diferenças entre os dois: a Ísis é adorada como uma divindade maternal muito antiga. Algumas vezes é representada com um disco do sol (ou lua) na cabeça, flanqueada à direita e à esquerda por dois chifres de vaca. A vaca era e é por seu úbere dispensador de leite o animal-mãe, usado em muitas culturas como símbolo materno. Outra diferença fundamental entre Ísis e Maria é também o fato de Ísis ter sido venerada como a grande amada. Ainda no ventre materno ela se casou com seu irmão gêmeo Osíris, que ela amava acima de tudo.

Nos rituais antigos egípcios, executados para obter a ressurreição, o olho de Hórus tinha papel muito importante e era usado para animar o corpo do morto cujos membros tinham sido reunidos. Hórus, filho e herdeiro por excelência, é invocado também, para que impeça a ação do réptéis que estão no céu, na terra e na água, os leões do deserto, os crocodilos do rio.
Protetor da realeza, Hórus desempenha ainda, o papel capital do Deus da cura. A magia de Hórus desvia as flechas do arco, apazigua a cólera do coração do ser angustiado.

Fontes: http://www.geocities.com/elloradanan3/isis.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dsis
http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusaisis.htm
http://br.geocities.com/marcusu2/isis.html

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