quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Inconsciente Pessoal, Complexos e Símbolos - parte 3


Inconsciente Pessoal e Psique

Para entender a estrutura e dinâmica da Psique através do ponto de vista da Psicologia Analítica de Jung pode parecer, a princípio, um pouco difícil e complexo. No entanto, o modelo proposto é, até certo ponto, claro e simples, já que leva em consideração alguns dos elementos conhecidos no domínio publico que são os conceitos de consciente e inconsciente.

O modelo Junguiano proposto para a dimensão do inconsciente considera duas instâncias, ou seja : a dimensão do inconsciente pessoal e a do inconsciente coletivo. A dimensão do inconsciente pessoal se mostra como o continente onde se constelam e estruturam os núcleos dinâmicos e energéticos advindos do relacionamento natural do Ego consciente com o mundo extra-psíquico, inter-pessoal, os quais são denominados “complexos afetivos”.

Nesses núcleos dinâmicos integram-se basicamente dois elementos distintos : as imagens afetivas oriundas do relacionamento extra-psíquico que foram apreendidas, registradas e imaginadas, a partir de uma percepção e apreensão exclusivamente pessoal e peculiar a cada indivíduo. Essas imagens funcionam “como se” fossem o registro vivo da representação dos fenômenos experimentados onde são atribuídos segundo um sistema subjetivo de valores os afetos correspondentes, vividos e imaginados, quando da ocorrência dos fatos e/ou fenômenos.

Esses elementos, denominados complexos afetivos, funcionam também como núcleos de armazenagem de energia psíquica, libido, e por isto, são os responsáveis pela qualidade do funcionamento de muitos processos mentais. Juntos “constelam” uma dimensão que denominamos inconsciente pessoal, ou seja o “lugar da memória individual” e é um dos elementos responsáveis pelo componente pessoal da identidade e da individuação.

Essa dimensão funciona “regida” por um centro virtual, um elemento ao qual chamamos EGO, o maior complexo da consciência, sede da identidade espaço-temporal e elemento fundamental da individualidade. Fica então o elemento Consciência como sendo um dos atributos fundamentais do EGO e entendida como “um processo momentâneo de adaptação” que pode ter acesso a todos estes núcleos de memória e energia. A este elemento podemos atribuir outras qualidades e características como memória, razão, etc.
Compomos com esses elementos : EGO, consciência e complexos o substrato básico da dimensão do inconsciente pessoal que por um processo chamado de “centroversão” sedimenta-se, estrutura, cresce, desenvolve e se prepara para uma relação saudável tanto com o mundo extra como intra-psíquicos.

Da mesma forma, com estrutura análoga temos os arquétipos, núcleos dinâmicos de natureza e origem transpessoal que contêm em-si os padrões de comportamentos típicos de toda humanidade. São considerados a sede dos instintos humanos e tem as condições de possibilidade de produzir, em qualquer homem, as mesmas imagens independente do binômio espaço-tempo. Dessa forma, a idéia de que nascemos como uma “tabula rasa” encontra uma forte oposição, na medida em que entendemos os arquétipos e o inconsciente coletivo como uma condição “a priori” no Homem.

Surge então, como elemento central o SELF, elemento que representa o grande arquiteto organizador e estruturador deste universo psíquico. À esse centro virtual da personalidade, como um todo, atribuímos o papel de totalidade psíquica coletiva e que relaciona-se com o EGO através de um eixo relacional denominado eixo EGO-SELF. É nessas condições, à partir desse eixo, que fluem as imagens e energias transpessoais que tendem a fazer do EGO e o inconsciente pessoal um lugar fértil e numinoso.
A esse relacionamento, EGO-SELF, Neumann denomina de “automorfismo”, ou seja, a relação Inconsciente-Consciente, melhor dizendo Inconsciente Pessoal-Inconsciente Coletivo.

Complexos e Arquétipo com estruturas análogas são as estruturas básicas que compõem a Psique, baseando-se em imagens consteladas de afetos que são a um mesmo tempo dotadas de traços individuais ( complexos ) e coletivos ( arquétipos ).
Na verdade, estudar o desenvolvimento da personalidade se objetiva em estudar o processo de “centroversão” ( formação da Consciência e Inconsciente Pessoal ) e do automorfismo, ou seja, a relação Inconsicente Individual~Inconsciente Coletivo.

O processo de humanização dessas energias e imagens transpessoais se dá através de um processo psíquico chamado de “Psiquização” e passa a ser o meio e forma pela qual é possível desenvolver a capacidade de criar símbolos e transformar a libido nas diversas qualidades e quantidades de energia. Os símbolos são os elementos naturais e os autênticos agentes de transformação da libido, indispensáveis para a saúde e sobrevivência psíquica.

(Jorge L. de Oliveira Braga – Analista Junguiano - AJB)


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Ganesha


Ganesha é o primeiro Deus a ser reverenciado em todos os rituais Hindus. Está nas portas dos templos e casas protegendo as suas entradas. Ganesha é o Deus que remove todos os obstáculos, ele é o protetor de todos os seres. Ele também é o Deus do conhecimento. Ganesha representa o sábio, o homem em plenitude, e os meios de realização. Sua figura revela um significado profundo e necessita ser desdobrada.


Sobre sua origem

Ganesha é filho de Shiva e Parvati. Shiva é o Deus destruidor, que destrói para construir algo novo, motivo pelo qual muitos o chamam de "renovador" ou "transformador", vivia nas montanhas dos Himalayas e raramente visitava sua esposa Parvati. Shiva e Parvati abraçados são a representação do Tantra. Os Puranas dizem que a relação sexual durava milênios mas Shiva não ejaculava, tinha completo domínio (Vama Tantra), assim Shiva não tinha filhos. Parvati gostava de se preparar para receber Shiva, mas todos os guardiões falhavam quando se tratava de Shiva, assim Parvati resolveu ter o seu próprio filho e guardião; retirou de si o material e deu vida a criança, Ganesha aprendeu a lutar bravamente e se tornou o guardião de seus aposentos. Um dia Shiva chegou e quis entrar, Ganesha bloqueou sua entrada. Shiva não aceitou de ser impedido de entrar e ordenou que seus guardas lutassem, Ganesha venceu todo o seu exército então Shiva lutou até decaptar Ganesha. Parvati chorou muito e reinvidicou que Shiva devolvesse a vida a seu filho , Shiva disse que ele não podia ser seu filho, realmente ele era somente filho de Parvati - a matéria mortal, assim Shiva ordenou que seu exército fossem para o norte e que trouxessem a primeira cabeça de um ser vivo que encontrassem; encontraram um elefante. Shiva colocou a cabeça de elefante sobre o corpo do menino e deu vida a ele. Parvati exigiu que Ganesha fosse o primeiro a ser reverenciado em todos os rituais. Ganesha passou a ser filho também de Shiva e se tornou um Deus.


Significado de sua origem

Como todas as lendas encerram dentro de si um significado maior, vamos desdobrar a simbologia da história de Ganesha. Primeiro conta os Puranas que Ganesha tem um corpo físico “criado” por Parvati, símbolo da matéria perecível, ou seja que é humano. Mostra que ele não conhece o pai - Shiva, a realidade Suprema. Quando Parvati solicita sua proteção ele a obedece incondicionalmente (cuida a matéria, é apegado a ela). Quando seu pai chega, luta com ele (não quer perder a individualidade) não o reconhece, mas luta com bravura, quer cumprir o seu dever. O pai admira sua coragem, mas não podendo deixá-lo vencer, corta a sua cabeça (ego, mente, arrogância) e ele morre. Parvati zangada com a morte do filho mostra a matéria não querendo perder seu “nome e forma”. Shiva coloca uma nova cabeça no filho que renasce pelas mãos de Shiva, nasce do supremo. Parvati ficando contente com as promessas de Shiva de que seu filho será reverenciado no início de todos os rituais e cerimônias e, antes de qualquer empreendimento mostra que a perda da individualidade é o ganho do absoluto, da plenitude. O sábio vence todos os desafios, luta com bravura, remove todos os obstáculos e depois morre, perde a cabeça para ganhar uma nova dada por Shiva, o absoluto.




Simbologia

Ganesha tem uma enorme cabeça de elefante, imensa para um corpo de menino indicando sua capacidade intelectual e a firme dedicação ao estudo das escrituras. Ganesha é o Sábio. Ganesha tem na fronte o Vibhuti e um pequeno tridente indicando que é filho de Shiva - o Senhor da disciplina e da aniquilação da ignorância, indica também, que o sábio tem sempre em mente o Ser Supremo.

As enormes orelhas e a cabeça de elefante representam os dois primeiros passos para a auto realização - “Sravanam”, escutar o ensinamento e “Mananam”, refletir sobre ele. A tromba representa “Viveka”, a capacidade de discriminação entre Nitya, o eterno e ilimitado, e Anitya, o não eterno. O intelecto do homem comum está sempre preso entre os pares de opostos (as presas), o Sábio não é mais afetado por esses pares de opostos (frio-calor, prazer-dor, alegria-tristeza,etc) tendo atingido um estado de equanimidade , representado por uma das presas quebrada. O Sábio nunca esquece sua verdadeira natureza (memória de elefante).

A barriga enorme representa sua capacidade de engolir, digerir e assimilar todos os obstáculos, assim como o ensinamento escutado. O ratinho que fica aos seus pés simboliza o Ego e seus desejos com sua voracidade e cobiça, freqüentemente roubando mais do que pode comer e estocando mais do que pode lembrar. O Sábio tem o desejo sob total controle, por isso o ratinho olha para cima e aguarda sua permissão para comer os objetos dos sentidos. No dia de Ganesha é aconselhavel não olhar para a lua, pois conta os puranas que a lua riu de Ganesha voando pelo céu em seu veículo o ratinho(corpo). A lua representa o ignorante rindo do sábio. Esta imagem representa o Sábio tentando passar sua sabedoria infinita através de seus equipamentos finitos(corpo e mente).

Ganesha possui quatro braços que são utilizados na ação de destruir os obstáculos:

A mão superior direita carrega uma machadinha - Ishvara na forma de Ganesha (senhor dos obstáculos) decepa os apegos aos objetos como fonte de felicidade e a falsa identificação com o corpo , elimina os obstáculos para que possamos ter uma mente tranqüila e possibilitar o conhecimento.

A mão superior esquerda leva um laço e ou um lotus - Com o laço ele prende a atenção na verdade, na realidade suprema, ou seja no Eu absoluto. O Lotus é a natureza pura, absoluta e imaculada.

A mão inferior direita abençoa com Abhãya Mudrã - Estra mudrã abençoa com prosperidade e destemor. Freqüentemente encontramos um Japa-mala, mostrando que esta prosperidade está na forma de Japa (repetição de um mantra) a mais eficaz técnica de preparação da mente.

A mão inferior esquerda oferece Modaka - Modaka é um doce de leite e arroz tostado que representa a satisfação, a plenitude que se alcança com um caminho de disciplina e auto conhecimento.



www.yogalotus.com.br

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O vento vai responder - Zé Ramalho


Quantos caminhos se tem que andar
Antes de tornar-se alguém?
Quantos dos mares temos que atravessar
Pra poder, na areia, descansar?
Quantas mais balas perdidas voarão
Antes de desaparecer?

Escute o que diz
O vento, my friend
O vento vai responder

Quantas vezes olharemos o céu
Antes de saber enxergar?
Quantos ouvidos terá o poder
Para ouvir o povo chorar?
Quantas mais mortes o crime fará
Antes de se satisfazer?

Escute o que diz
O vento, my friend
O vento vai responder

Quantos anos pode uma montanha existir
Antes do mar lhe cobrir?
Quantos seres ainda irão torturar
Antes de se libertar?
Quantas cabeças viraram assim
Fingindo não poderem ver?

Escute o que diz
O vento, my friend
O vento vai responder

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Dá-me tua mão


Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.



Clarice Lispector

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Os ciganos - parte 2


Quando se trata de comportamento, os ciganos são muito rígidos. Mas, na forma de viver, a palavra ordem é ser livre, nossa liberdade é a natureza, nela não existem muralhas para tirar nossa visão do campo aberto, podemos ter contato com o solo, respirar o verde, sentir a brisa do vento, receber a força dos raios solares, contemplar a Lua, o brilho das estrelas e tudo o mais que ela possa nos oferecer.
Como forma de manter seu povo unido, além do idioma, o ROMANI, os ciganos têm as suas próprias “leis”. Eles devem casar entre si. Até os casamentos entre parentes são aceitos (desde que não seja de sangue). Mas nesta questão, as mulheres são discriminadas. Elas só podem se casar com ciganos, enquanto que os homens podem escolher suas companheiras fora do seu povo.
A mulher é considerada o alicerce da família e sua responsabilidade aumenta mais quando tem um filho. Não ser mãe é um pecado quase que mortal para a mulher cigana.
Outra “lei” curiosa que se refere às mulheres é que elas podem descobrir os seios no meio das pessoas, mas jamais mostrar as pernas. Por isso, as saias são longas. A mulher cigana precisa estar sempre energizada, então anda descalça para ter maior contato com a terra e, assim, fortalecer o seu corpo.






A Natureza Dá Força

Os ciganos preservam e usam muito os quatro elementos fundamentais da natureza – Terra, Fogo, Água e Ar – nos seus rituais. Para eles, o Fogo é muito importante, porque queima a negatividade e ilumina a positividade. Um objeto que concentra os quatro elementos e que é muito usado por este povo é a vela. A Água e a Terra são representadas pela cera e o pavio. O Fogo é a chama e o Ar (oxigênio) a mantém viva (acesa).






O Dom da Vidência

Os ciganos acreditam que Belkarrana (deuses) os colocou no mundo para praticar o dom da adivinhação com a finalidade de ajudar seus semelhantes. Mas são as ciganas que mais exercem esse privilégio. Aos sete anos, elas aprendem a ler a sorte e depois de mais de sete anos seguidos, elas saem às ruas para atender as pessoas.
Além da Quiromancia (leitura das mãos), as ciganas podem exercitar a vidência através de vários objetos como pedras, moedas, borra de café, copo d’água, bola de cristal, jogos de carta e Tarô. As ciganas transmitem energia pelo olhar e recebem a mensagem das pessoas pelo olho místico, que se encontra localizado no meio da testa e na palma da mão. Esse dom da adivinhação não é usado somente para prever o futuro, como também para detectar algum problema de saúde. Para manter esse dom, a mulher cigana não deve nunca cortas os cabelos porque,ao faze-lo, terá sua força energética diminuída.


Casamento E Noivado

Para os ciganos, os acontecimentos mais importantes são o nascimento, o casamento e a morte. Depois de acertado o noivado, os noivos trocam objetos, que podem ser um punhal ou uma moeda de ouro, que serão guardados até o dia do casamento.
A noiva envolve o seu presente num lenço de seda vermelho, que alguns dias antes da cerimônia do noivado fica amarrado a uma garrafa de vinho. A família do rapaz é responsável pelo pagamento da noiva, de um vestido branco e outro vermelho para o ritual do casamento, do enxoval e de toda festa. Durante a comemoração, a família da noiva não tem obrigação de ajudar, nem de servir a mesa. E no período, os dois têm que se evitar, só se comunicando por recados enviados por amigos ou parentes.
A festa de noivado dura de dois a seis dias. As mulheres usam os seus melhores vestidos e jóias. A noiva se veste de branco, e o ponto alto da festa é o ritual dos punhais que é feito com um corte no pulso dos dois. Nesse instante, os pulsos são unidos, simbolizando a união numa só vida. Em seguida, os pulsos dos noivos são amarados por um lenço vermelho, que é guardado junto com os punhais e substituem as alianças.
Já no casamento são usados os mesmos símbolos do noivado: os dois punhais, o lenço vermelho, vinho, pão, sal e uma taça de cristal. O vinho é para garantir a alegria permanente do casal, o pão e o sal representam a união, a taça de cristal é para que a harmonia se mantenha presente e o punhal serve para a comunhão do sangue.






A DANÇA CIGANA - UM ATO MÁGICO

“No acampamento tudo é agitação... os homens montam a fogueira, preparam o vinho e afinam seus violinos e acordeons. As mulheres enfeitam as mesas, carroções, preparam suas roupas, pandeiros, fitas, lenços... No ar, o delicioso aroma de suas receitas especiais espalha por todo lado o cheiro de festa. A noite será longa... os ciganos se reúnem mais uma vez, para comemorar... a vida!!!"
Quem nunca viu essa cena em sua mente? Poderia ser uma lembrança de um filme talvez, ou quem sabe, a saudade de um lugar, de um povo...Saudades deixadas há muito, no tempo e no espaço...
A tradição cigana é cheia de mistérios e um dos mais facilmente reconhecido é o mistério da dança, que junto com a música desse povo...Enfeitiça...
A dança para os ciganos é uma forma de liberar as emoções interiores, de dar vazão aos sentimentos e intimas necessidades através de movimentos corporais. Ou porque esta feliz e quer festejar, brincar e se divertir, ou porque esta querendo agradar e agradecer aos deuses.
Os ciganos têm na dança uma de suas mais várias e exuberantes formas de expressão, tirando dos passos, dos volteios do corpo, do rodar, do meneio de suas cabeças e mãos, uma alegria contagiante e uma vivacidade talvez única.
O bater das castanholas, do som das palmas que espantam a negatividade. Este é o verdadeiro dançar da alma.
O homem quando dança com as mulheres apenas reforça, com a sua presença as figuras femininas, pois é uma proteção para elas.
Os ciganos dançam nas festas, a dança é livre, sem regras. Cada um se diverte como quer, nunca se esquecendo o recato, os limites entre homens e mulheres.
Brincos e pulseiras a tilintar, saias coloridas e pés descalços a rodopiar, mão em volteios estonteantes como o brilho nos olhos da cigana...Cena que contagia a todos, e nesse momento, a magia é tão presente que tudo parece parar para reverenciar a vida que pulsa forte em cada acorde de música...Não há tempo nem espaço, há apenas, à vontade de dançar... É a alegria do reencontro.
A força, a espontaneidade e a alegria, aquela capacidade única dos ciganos de transformar as adversidades da vida numa energia profunda, numa experiência autêntica e libertadora reequilibrando as forças numa consciência interior mais forte e cúmplice é tão só expressada numa dança…
Os ciganos são um povo alegre, cheio de energia e grande dose de passionalidade. A dança e a música fazem parte de suas almas, praticamente “nascem” com cada indivíduo e correm em suas veias como seu sangue. Aprendem a tocar os instrumentos desde criança com os mais velhos e nunca dançam por obrigação, mas pelo puro prazer.
Os movimentos observados na dança cigana são resultantes da sua influência indiana, onde o girar das mãos, a inclinação da cabeça e a postura ereta chamam atenção.
Os movimentos são baseados da cintura para cima, meneios de ombros, inclinação da cabeça, giro de punhos e mãos, postura ereta, braços à frente do corpo ou acima da cabeça e movimentos que completem sempre círculos (para os ciganos a vida é um ciclo).
A dança como forma de oração por si só, se basta. É importante dizer que como trabalhamos o tempo todo com as energias da natureza e a nossa própria, devemos respeitar seus significados e ter responsabilidade com que o que pedimos e queremos representar, pois a dança cigana é um ritual, assim seus pedidos podem ser atendidos, e que assim seja!

A alma cigana perfuma o lugar por onde passa.

Dizem o antigos, que os ciganos dançam para atingir o êxtase do fluido energético que os levam de encontro com a verdadeira essência da Deusa e do Deus interior e superior.
Por isso, dificilmente, os ciganos fazem coreografias; dançam soltos e livres, colocando em cada movimento suas emoções.
A graça está em cada pessoa ouvir a voz do seu coração e permitir que se conduza levemente, tranqüilamente, pois só dessa maneira, consegue sentir sua alma.
A dança é a magia, e a alegria de nosso povo, o mistério através dos passos e movimentos que saúdam, invocam e fazem Fluir a mais bela e elevada vibração energética!

A dança cigana caracteriza a ligação e a comunhão do Homem com o Divino. Expressam os sentimentos mais profundos para com os seus e para com o mundo considerado sagrado. Dentre os ritos de maior importância, temos: Culto aos Antepassados, Slavas, Casamentos, batizados e outros. É importante sabermos que pela intimidade em que se caracteriza o Culto aos Antepassados, essa categoria não é levada à cena a não ser de forma estritamente estilizada, assim como alguns outros estilos pertencentes a essa categoria. Sendo interpretadas com autenticidade somente nos lares ciganos, em festas consideradas íntimas.
Para o cigano, os movimentos de braços e de mãos descrevem os sentimentos mais profundos em relação a cada tema executado. Conforme o sentimento a ser passado pela dança interpretada, as mãos e os braços desenham coreograficamente símbolos que traduzem cada emoção implícita no estilo, executado. Como por exemplo: a rotação de mãos para fora traduzem a doação da energia interior transmitida à terra, a outrem e ao cosmo. Quando a rotação é realizada para dentro, traduzem o recebimento ou à busca da energia vinda da terra, de outrem ou do mundo divino. Os movimentos circulares traduzem em sua maioria, as energias ou sentimentos em movimento, em ação contínua. Os movimentos mais retos simbolizam em sua maioria, as ações diretas ou finalizadas.



(por Gallugh para o site paganismo.org)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Inconsciente Pessoal, Complexos e Símbolos - parte 2

Sobre os Complexo Afetivos

O complexo é, em grande parte das vezes, um núcleo inconsciente por ainda não estar tão carregado de energia para que possa ser percebido com uma certa autonomia, ou seja, com uma vontade própria. No entanto, pode bloquear em medida maior ou menor o fluxo da libido na psique, principalmente no Ego, mantendo relativamente a coesão com a totalidade da estrutura psíquica.

É um dos grandes responsáveis pelas gafes, descuidos, esquecimentos e outros pequenos sintomas que sempre geram complexos embaraços. Pode atuar como um “segundo eu” em oposição ao “eu consciente” e dessa forma, dissociar a experiência imediata colocando a pessoa entre duas verdades, dois mundos ou dois fluxos de tendências opostas e irreconciliáveis com uma ameaça constante de desrealização e despersonalização. Tal fato é notado em determinadas formas coercitivas de neurose com ansiedade e pânico.

Outra característica importante dos complexos é a sua capacidade de inflação e enfraquecimento do “eu”. Pode ocorrer uma inflação de um complexo de tonalidade afetiva que gera um eclipsamento do eu consciente gerando também grande possibilidade de dissociação. O complexo mantem em torno de si um forte campo análogo a um campo magnético que arrasta o “eu” subjugando-o e devorando-o. Nesse caso, podemos nos referir a uma identificação parcial ou completa do “eu” com o complexo. Esse fenômeno é muito bem observável, por exemplo, em homens inflacionados por um complexo materno ou em mulheres na mesma condição com complexo paterno. Inconscientemente as palavras, opiniões, desejos e aspirações da mãe ou do pai apoderam-se do seu “eu” fazendo dele o seu porta-voz. Naturalmente, essa identidade entre complexo e “eu” pode existir em diversos graus e ocupar apenas partes do “eu” ou a sua totalidade ou também em diversas formas de psicose ligadas a uma perda total ou parcial do “eu”. Outra forma de experimentar a ação dos complexos é através do fenômeno da projeção, como qualquer outro conteúdo inconsciente. Segundo Jolande Jacobi :
"Quando o complexo inconsciente é tão fortemente “ejetado”, que adquire o caráter de uma entidade — com freqüência, até mesmo ameaçadora — que se aproxima do indivíduo vinda de fora e se apresenta como uma característica de objeto da realidade externa, surgem então sintomas, como os que podem ser observados, por exemplo, nas idéias de perseguição, na paranóia, etc. Nessa circunstância, esse objeto tanto pode fazer realmente parte do mundo externo como pode ser também um objeto que se acredita vir do mundo externo, mas que, na verdade, é um “objeto” de alucinação, oriundo do interior da psique, como, por exemplo, espíritos, ruídos, animais, sons, figuras internas, etc.; e o consciente tem conhecimento do complexo, mas apenas de forma intelectual; por isso, aquele continua atuando com toda a sua força original"
Enfim, podemos perceber a tensão interna na psique e o valor e importância do amadurecimento de cada um desses elementos para as condições de estabilidade na psique. Ainda citando Jolande Jacobi :
"Ser um adulto amadurecido significa reconhecer as diferentes partes da psique como tais e saber relacioná-las entre si de maneira justa. Para chegar a um concurso harmonioso dessas partes da psique, é indispensável primeiro saber distingui-las e delimitá-las entre si. Isso permite que as influências e irrupções do inconsciente possam ser distinguidas do que o consciente já esclareceu, quer dizer, que elas já não possam mais ser confundidas com isso. Portanto saber discernir é a condição prévia não só de um eu pessoal e que não se repete dentro de sua delimitação, mas, no fundo, é também a condição prévia de qualquer cultura superior."



(Jorge L. de Oliveira Braga – Analista Junguiano - AJB)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

PRÊMIO DARDOS !!!


O blog Metamorfose Ambulante está recebendo seu primeiro sêlo. Indicado por Lugus do blog Sussurros do Fogo.
O Prêmio Dardos foi criado para "reconhecer os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc., que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras."
Em primeiro lugar (e mais uma vez), não posso deixar de lembrar àqueles que sempre me inspiram. E também a todos que sempre visitam e têm enorme carinho pelo blog.
E agora, para continuar nessa bela rede de reconhecimento para os escritores virtuais, indico os seguintes blogs para receberem o prêmio (cada blogueiro deverá colocar o selo no seu site, citando de quem recebeu e qual o blog, presentar até 15 outros blogs com o prêmio e assim por diante):
O Trovador

Celtas Today

Bosque do Bardo

Blog dos poetas
por Yv Luna