segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Inconsciente Pessoal, Complexos e Símbolos - parte 2

Sobre os Complexo Afetivos

O complexo é, em grande parte das vezes, um núcleo inconsciente por ainda não estar tão carregado de energia para que possa ser percebido com uma certa autonomia, ou seja, com uma vontade própria. No entanto, pode bloquear em medida maior ou menor o fluxo da libido na psique, principalmente no Ego, mantendo relativamente a coesão com a totalidade da estrutura psíquica.

É um dos grandes responsáveis pelas gafes, descuidos, esquecimentos e outros pequenos sintomas que sempre geram complexos embaraços. Pode atuar como um “segundo eu” em oposição ao “eu consciente” e dessa forma, dissociar a experiência imediata colocando a pessoa entre duas verdades, dois mundos ou dois fluxos de tendências opostas e irreconciliáveis com uma ameaça constante de desrealização e despersonalização. Tal fato é notado em determinadas formas coercitivas de neurose com ansiedade e pânico.

Outra característica importante dos complexos é a sua capacidade de inflação e enfraquecimento do “eu”. Pode ocorrer uma inflação de um complexo de tonalidade afetiva que gera um eclipsamento do eu consciente gerando também grande possibilidade de dissociação. O complexo mantem em torno de si um forte campo análogo a um campo magnético que arrasta o “eu” subjugando-o e devorando-o. Nesse caso, podemos nos referir a uma identificação parcial ou completa do “eu” com o complexo. Esse fenômeno é muito bem observável, por exemplo, em homens inflacionados por um complexo materno ou em mulheres na mesma condição com complexo paterno. Inconscientemente as palavras, opiniões, desejos e aspirações da mãe ou do pai apoderam-se do seu “eu” fazendo dele o seu porta-voz. Naturalmente, essa identidade entre complexo e “eu” pode existir em diversos graus e ocupar apenas partes do “eu” ou a sua totalidade ou também em diversas formas de psicose ligadas a uma perda total ou parcial do “eu”. Outra forma de experimentar a ação dos complexos é através do fenômeno da projeção, como qualquer outro conteúdo inconsciente. Segundo Jolande Jacobi :
"Quando o complexo inconsciente é tão fortemente “ejetado”, que adquire o caráter de uma entidade — com freqüência, até mesmo ameaçadora — que se aproxima do indivíduo vinda de fora e se apresenta como uma característica de objeto da realidade externa, surgem então sintomas, como os que podem ser observados, por exemplo, nas idéias de perseguição, na paranóia, etc. Nessa circunstância, esse objeto tanto pode fazer realmente parte do mundo externo como pode ser também um objeto que se acredita vir do mundo externo, mas que, na verdade, é um “objeto” de alucinação, oriundo do interior da psique, como, por exemplo, espíritos, ruídos, animais, sons, figuras internas, etc.; e o consciente tem conhecimento do complexo, mas apenas de forma intelectual; por isso, aquele continua atuando com toda a sua força original"
Enfim, podemos perceber a tensão interna na psique e o valor e importância do amadurecimento de cada um desses elementos para as condições de estabilidade na psique. Ainda citando Jolande Jacobi :
"Ser um adulto amadurecido significa reconhecer as diferentes partes da psique como tais e saber relacioná-las entre si de maneira justa. Para chegar a um concurso harmonioso dessas partes da psique, é indispensável primeiro saber distingui-las e delimitá-las entre si. Isso permite que as influências e irrupções do inconsciente possam ser distinguidas do que o consciente já esclareceu, quer dizer, que elas já não possam mais ser confundidas com isso. Portanto saber discernir é a condição prévia não só de um eu pessoal e que não se repete dentro de sua delimitação, mas, no fundo, é também a condição prévia de qualquer cultura superior."



(Jorge L. de Oliveira Braga – Analista Junguiano - AJB)

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