quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Inconsciente Pessoal, Complexos e Símbolos - parte 3


Inconsciente Pessoal e Psique

Para entender a estrutura e dinâmica da Psique através do ponto de vista da Psicologia Analítica de Jung pode parecer, a princípio, um pouco difícil e complexo. No entanto, o modelo proposto é, até certo ponto, claro e simples, já que leva em consideração alguns dos elementos conhecidos no domínio publico que são os conceitos de consciente e inconsciente.

O modelo Junguiano proposto para a dimensão do inconsciente considera duas instâncias, ou seja : a dimensão do inconsciente pessoal e a do inconsciente coletivo. A dimensão do inconsciente pessoal se mostra como o continente onde se constelam e estruturam os núcleos dinâmicos e energéticos advindos do relacionamento natural do Ego consciente com o mundo extra-psíquico, inter-pessoal, os quais são denominados “complexos afetivos”.

Nesses núcleos dinâmicos integram-se basicamente dois elementos distintos : as imagens afetivas oriundas do relacionamento extra-psíquico que foram apreendidas, registradas e imaginadas, a partir de uma percepção e apreensão exclusivamente pessoal e peculiar a cada indivíduo. Essas imagens funcionam “como se” fossem o registro vivo da representação dos fenômenos experimentados onde são atribuídos segundo um sistema subjetivo de valores os afetos correspondentes, vividos e imaginados, quando da ocorrência dos fatos e/ou fenômenos.

Esses elementos, denominados complexos afetivos, funcionam também como núcleos de armazenagem de energia psíquica, libido, e por isto, são os responsáveis pela qualidade do funcionamento de muitos processos mentais. Juntos “constelam” uma dimensão que denominamos inconsciente pessoal, ou seja o “lugar da memória individual” e é um dos elementos responsáveis pelo componente pessoal da identidade e da individuação.

Essa dimensão funciona “regida” por um centro virtual, um elemento ao qual chamamos EGO, o maior complexo da consciência, sede da identidade espaço-temporal e elemento fundamental da individualidade. Fica então o elemento Consciência como sendo um dos atributos fundamentais do EGO e entendida como “um processo momentâneo de adaptação” que pode ter acesso a todos estes núcleos de memória e energia. A este elemento podemos atribuir outras qualidades e características como memória, razão, etc.
Compomos com esses elementos : EGO, consciência e complexos o substrato básico da dimensão do inconsciente pessoal que por um processo chamado de “centroversão” sedimenta-se, estrutura, cresce, desenvolve e se prepara para uma relação saudável tanto com o mundo extra como intra-psíquicos.

Da mesma forma, com estrutura análoga temos os arquétipos, núcleos dinâmicos de natureza e origem transpessoal que contêm em-si os padrões de comportamentos típicos de toda humanidade. São considerados a sede dos instintos humanos e tem as condições de possibilidade de produzir, em qualquer homem, as mesmas imagens independente do binômio espaço-tempo. Dessa forma, a idéia de que nascemos como uma “tabula rasa” encontra uma forte oposição, na medida em que entendemos os arquétipos e o inconsciente coletivo como uma condição “a priori” no Homem.

Surge então, como elemento central o SELF, elemento que representa o grande arquiteto organizador e estruturador deste universo psíquico. À esse centro virtual da personalidade, como um todo, atribuímos o papel de totalidade psíquica coletiva e que relaciona-se com o EGO através de um eixo relacional denominado eixo EGO-SELF. É nessas condições, à partir desse eixo, que fluem as imagens e energias transpessoais que tendem a fazer do EGO e o inconsciente pessoal um lugar fértil e numinoso.
A esse relacionamento, EGO-SELF, Neumann denomina de “automorfismo”, ou seja, a relação Inconsciente-Consciente, melhor dizendo Inconsciente Pessoal-Inconsciente Coletivo.

Complexos e Arquétipo com estruturas análogas são as estruturas básicas que compõem a Psique, baseando-se em imagens consteladas de afetos que são a um mesmo tempo dotadas de traços individuais ( complexos ) e coletivos ( arquétipos ).
Na verdade, estudar o desenvolvimento da personalidade se objetiva em estudar o processo de “centroversão” ( formação da Consciência e Inconsciente Pessoal ) e do automorfismo, ou seja, a relação Inconsicente Individual~Inconsciente Coletivo.

O processo de humanização dessas energias e imagens transpessoais se dá através de um processo psíquico chamado de “Psiquização” e passa a ser o meio e forma pela qual é possível desenvolver a capacidade de criar símbolos e transformar a libido nas diversas qualidades e quantidades de energia. Os símbolos são os elementos naturais e os autênticos agentes de transformação da libido, indispensáveis para a saúde e sobrevivência psíquica.

(Jorge L. de Oliveira Braga – Analista Junguiano - AJB)


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