terça-feira, 31 de março de 2009

Signo de Ar - Jorge Vercilo


Anda,
Manda e desmanda num beijo
Por onde passa, encanta
O seu sobrenome é desejo
Por você o sol se levanta
Me tira do sono e do sério
Sopra no ouvido esse mantra
Seu andar me deixa aéreo
Seu sorriso faz verão

Signo de ar
Que mistério envolve
O seu caminhar?
Abre as varandas
Do meu coração
Que visão!
Você e o mar...
Signo de ar
Faz o paraíso nos visitar
Com seu sorriso
De constelação
No varal do verão

Seu sorriso faz verão...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Você tem experiência?


Num processo de seleção de um concurso, os candidatos deveriam responder à seguinte pergunta: “Você tem experiência?”

A redação a seguir foi desenvolvida por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e ele, com certeza, será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e acima de tudo por sua alma, embora seu nome não tenha sido divulgado.

Já fiz cóceguinhas na minha irmã
só pra ela parar de chorar,
já me queimei brincando com vela.
Já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto,
já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista,
mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.

Já roubei beijo.
Já confundi sentimentos.
Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro,
já me cortei fazendo a barba apressado,
já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas,
mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.
Já subi escondido no telhado
pra tentar pegar estrelas,
já subi em árvore pra roubar fruta,
já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas,
já escrevi no muro da escola,
já chorei sentado no chão do banheiro,
já fugi de casa pra sempre
e voltei no outro instante.

Já corri pra não deixar alguém chorando,
já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado,
já me joguei na piscina sem vontade de voltar,
já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios,
já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro,
já tremi de nervoso,
já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.

Já apostei em correr descalço na rua,
já gritei de felicidade,
já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre,
mas sempre era um 'para sempre' pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol,
já chorei por ver amigos partindo,
mas descobri que logo chegam novos,
e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados
pelas lentes da emoção, guardados num baú chamado coração.


E agora um formulário me interroga,
me encosta na parede e grita:
"Qual sua experiência?"

Essa pergunta ecoa no meu cérebro:
experiência... experiência...
Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência?
Não!
Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
Agora, gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:

Experiência?

Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?

terça-feira, 24 de março de 2009

Eterno...por Drummond


"Eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo
mas com tamanha intensidade que se petrifica
e nenhuma força o resgata."


Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 23 de março de 2009

Dionísio


Dionísio era o deus grego equivalente ao deus romano Baco, das festas, do vinho, do lazer e do prazer. Filho de Zeus e da princesa Semele, foi o único deus filho de uma mortal.

Ocorreu que Hera, que sentiu ciúme de mais uma traição de Zeus, instigou Semele a pedir ao seu amante (caso ele fosse o verdadeiro Zeus) que viesse ter com ela vestido em todo seu esplendor, em outras versões lhe pediu que a mostrasse sua verdadeira forma. Semele então pediu que Zeus atendesse a um pedido seu, sem saber qual seria, em algumas versões, ela o fez fazer uma promessa pelo Estige, o voto mais sagrado, que nem mesmo os deuses podem quebrar. Ele concordou e quando soube do que se tratava imediatamente se arrependeu. Uma vez concedido o pedido teria que cumpri-lo. Ele então voltou ao Olimpo e colocou suas vestes maravilhosas (ou demonstrou sua verdadeira forma), já sabendo de o que ocorreria. De fato, o corpo mortal de Semele não foi capaz de suportar todo aquele esplendor, e ela virou cinzas.



Assim, Dionisio passou parte de sua gestação na coxa de seu pai. Quando completou o tempo da gestação, Zeus o entregou em segredo a Ino (sua tia) que passou a cuidar da criança com ajuda das Dríades, das horas e das ninfas.

Depois de adulto, ainda a raiva de Hera tornou Dionisio louco e ele ficou vagando por várias partes da Terra. Quando passou pela Frígia, a deusa Cíbele o curou e o instrui em seus ritos religiosos.

Sileno ensina a ele a cultura da vinha, a poda dos galhos e o fabrico do vinho.



Curado, ele atravessa a Ásia ensinando a cultura da uva. Ele foi o primeiro a plantar e cultivar as parreiras, assim o povo passou a cultuá-lo como deus do vinho.

Dionisio puniu quem quis se opor a ele (como Penteu) e triunfou sobre seus inimigos além de se salvar dos perigos que Hera estava sempre pondo em seu caminho.

Nas lendas romanas, Dioniso tornou-se Baco, que se transforma em leão para lutar e devorar os gigantes que escalavam o céu e depois foi considerado por Zeus como o mais poderoso dos deuses.



É geralmente representado sob a forma de um jovem imberbe, risonho e festivo, de longa cabeleira loira e flutuante, tendo, em uma das mãos, um cacho de uvas ou uma taça, e, na outra, um tirso (um dardo) enfeitado de folhagens e fitas. Tem o corpo coberto com um manto de pele de leão ou de leopardo, traz na cabeça uma coroa de pâmpanos, e dirige um carro tirado por leões.

Também pode ser representado sentado sobre um tonel, com uma taça na mão, a transbordar de vinho generoso, onde ele absorve a embriaguez que o torna cambaleante. Eram-lhe consagrados: a pega, o bode e a lebre.

Às mulheres que o seguiam como loucas, bêbadas e desvairadas se dava o nome de bacantes.



É considerado também o deus protector do teatro. Em sua honra faziam-se ditirambos na Grécia Antiga e festas dionisíacas.

Segundo o mito, Dionísio ordenou a seus súditos que lhe trouxesse uma bebida que o alegrasse e envolvesse todos os sentidos. Trouxeram-lhe néctares diversos, mas Dionísio não se sentiu satisfeito até que ofereceram o vinho.

O deus encheu-se de encanto ao ver a bebida, suas cores, nuances e forma como brilhava ao Sol, ao mesmo tempo em que sentia o aroma frutado que exalava dos jarros à sua frente. Quando a bebida tocou seus lábios, sentiu a maciez do corpo do vinho e percebeu seu sabor único, suave e embriagador.


De tão alegre, Dionísio fez com que todos os presentes brindassem com suas taças, e ao som do brinde pôde ser ouvido por todos os campos daquela região. A parti daí, Dionísio passou a abençoar e a proteger todo aquele que produzisse bebida tão divinal, sendo adorado como deus do vinho e da alegria.





(http://pt.wikipedia.org/)

domingo, 22 de março de 2009

Equinócio de Outono


Mabon é o festival wiccan realizado para a celebração do equinócio de outono. Pronúncia do nome Mabon: “mêi-bon”.

O equinócio de outono ocorre por volta de 21 de março no hemisfério sul. No hemisfério norte, é celebrado por volta de 21 ou 22 de setembro (as datas dos equinócios e solstícios variam de ano para ano). Em 2009, foi celebrado no dia 20 de março, no Brasil.

Esses dias são pontos de equilíbrio, onde dia e noite se igualam. No entanto, enquanto o equinócio de primavera é um período de equilíbrio para preparar-se para a ação, o equinócio de outono é um período de equilíbrio para preparar-se para o repouso, que vem no inverno.


Este é o segundo dos feriados da Colheita. A fraqueza do Deus já se faz sentir, e as plantações vão aos poucos desaparecendo, enquanto os estoques se enchem. Derrama-se leite sobre a TERRA para agradecer pela fertilidade e bondade da terra. Agora, nos fechamos, e nossos corações voltam-se para nós mesmos.

Período Negro do ano se aproxima aos poucos. É uma data especial para invocarmos espíritos familiares, guardiões e antepassados, para pedir sua ajuda e aconselhamento no período mais negro da Roda em pouco tempo se fará presente.

No Panteão Celta, Mabon, também conhecido como Angus, era o Deus do Amor. Nessa noite devemos pedir harmonia no amor e proteção para as pessoas que amamos. É época de agradecer também aos nossos ancestrais pelo sangue que corre em nossas veias, pelas características genéticas que deles herdamos e pelas dádivas que eles nos deixaram e nos transformaram naquilo que somos hoje. Reflita sobre as alegrias de sua vida, a liberdade e a maravilha da humanidade como um todo e abençoe todos ao seu redor que colaboram para a sua vida ser da maneira como é hoje.

O Altar deve ser enfeitado com as sementes que renascerão na primavera. O chão deve ser forrado com folhas secas. O deus está agonizando e logo morrerá. Esse falecimento pode ser visto também na Natureza que prepara-se para a chegada do Inverno. O Deus agora é louvado em seu aspecto de semente e a Grande Mãe em seu aspecto de Provedora.


O que é essencial, em cada sabá, é você saber observar a Natureza, ver suas mudanças, entender seus ciclos e o momento que está vivendo.



(fontes: bruxaria.net/oldreligion)

sábado, 21 de março de 2009

Mother Earth - Within Temptation


Birds and butterflies
Rivers and mountains she creates
But you'll never know
The next move she'll make
You can try
But it is useless to ask why
Cannot control her
She goes her own way

She rules until the end of time
She gives and she takes
She rules until the end of time
She goes her way

With every breath
And all the choices that we make
We are only passing through on her way
I find my strength
Believing that your soul lives on
Until the end of time
I'll carry it with me

Until you know my dear
You don't have to fear
A new beggining always starts at the end
Until you know my dear
You don't have to fear
Until the end of time
Until the end of time
Until the end of time
She goes her way

************************

Tradução

Pássaros e borboletas
Rios e montanhas ela criou
Mas você nunca saberá
O próximo movimento que ela fará
Você pode tentar
Mas é inútil perguntar por que
Não pode controlá-la
Ela faz o próprio caminho

Ela domina até o fim dos tempos
Ela dá e ela tira
Ela domina até o fim dos tempos
Ela faz o próprio caminho

Com cada respiração
E todas as escolhas que nós fazemos
Nós apenas estamos atravessando o caminho dela
Eu acho minha força
Acreditando que sua alma se mantém viva
Até o fim dos tempos
Eu levarei isto comigo

Até que você saiba, meu querido
Você não deve temer
Um novo início sempre começa no final
Até que você saiba, meu querido
Você não deve temer
Até o fim dos tempos
Até o fim dos tempos
Até o fim dos tempos
Elá faz o próprio caminho

sexta-feira, 20 de março de 2009

Deusa Deméter


Ainda que inferior em hierarquia a Afrodite, Atena, Ártemis ou Hera, Deméter gozava de uma posição especial no Olimpo, não por sua beleza ou inteligência, mas por representar a primavera, o que a transformara na padroeira das colheitas. Como Hera e Héstia, a deusa do lar doméstico, a deusa dos campos de cevada foi devorada ao nascer por seu pai Cronos e resgatada do ventre do Tempo por Zeus e sua mãe Réia. De sua relação incestuosa com Zeus, teve uma filha que, enquanto donzela, foi chamada Coré, e depois Perséfone, ao ser raptada nas colinas de Elêusis por seu tio Hades, o deus dos infernos.

Alguns dizem que Deméter pariu Dionísio, filho de Zeus; outros que foi Perséfone quem o concebeu no Tártaro, fecundada por Hades transmutado em serpente. No entanto, qualquer relação que se estabeleça entre Dionísio e Dione, a deusa do carvalho, com Io ou com a própria Deméter, deusa dos cereais, ou ainda com Perséfone, deusa da morte, justifica-se facilmente na medida em que o mito dionisíaco originou-se do protótipo de um rei consagrado que era abatido ritualmente pela deusa armada de um raio para ser devorado pela sacerdotisa, durante as cerimônias anuais que se celebravam em sua honra.



A despeito desse provável vínculo com a deidade dos prazeres e do vinho, atribuem-se a Deméter alguns namoros deliciosos, como o que foi protagonizado com Poseidon quando, chorosa e desalentada, vagava em busca de sua filha e ele, transfigurado em um veloz corcel, correu atrás dela não exatamente para lhe proporcionar consolo, mas antes para desfrutar de sua reconhecida paixão.

Sabe-se que Deméter, cansada de indagar aqui e ali sobre o paradeiro da jovem, esqueceu-se de todos os seus flertes e casos amorosos com titãs ou com deuses e pôs-se a pastar, transformada em égua, junto ao gado de um certo Onco, supostamente descendente de Apolo, que reinava em um lugar da Arcádia chamado Onceium. Sendo Poseidon o segundo inventor dos arreios, depois de Atena, o protetor dos eqüinos e o indubitável precursor das corridas de cavalos, não teve dificuldades para reconhecê-la e imediatamente a cobriu sob a forma de um vigoroso garanhão. Dessa união forçada, como quase todas as empreendidas pelos deuses, nasceram a ninfa eqüina Despena e Árion, o célebre cavalo selvagem que se costuma associar a Pégaso e aos mananciais de água, ainda que outra versão diga que Pégaso foi gerado por Poseidon com Medusa. Impetuosa como era, a cólera da ultrajada Deméter foi de tais proporções que, desde então, foi adorada na região sob o epíteto de "Deméter Erínia", o que significa em nossa língua "Deméter Furiosa".



Pouca importância teria adquirido Deméter, a mulher de cabeça de égua, se não tivesse sofrido na pessoa de sua filha a agressão de Hades, também membro da primeira geração de olímpicos, gerado por Cronos e Réia, e que, de um dia para outro, decidiu que precisava de uma esposa e, sem deter-se diante de ninguém, tomou a inocente Coré a fim de entronizá-la no Tártaro, o que eqüivalia a interromper sua existência para fazê-la rainha dos mortos.

A figura de Deméter, apesar do símbolo de fecundidade que a envolve, está rodeada de complicados mistérios. Está relacionada com as fases da lua, com a sucessão das estações e com a consolação da maternidade sofredora. Seus iniciados celebravam ritos em sua honra, talvez associados com os ciclos de fertilidade e como uma forma de desafio às trevas, algo parecido a uma luta incessante contra a morte mediante o reinicio da vida. Hesíodo lhe atribui um filho chamado Pluto, o símbolo da riqueza, fruto de seus amores silvestres com o gigante Iásio, o que fez supor aos mitógrafos que os gregos atribuíssem precisamente à agricultura a única e mais autêntica origem da riqueza.



Deméter, apesar de sua evocação sensual como égua apaixonada e de seus romances campestres com titãs e deuses, encarna uma maternidade tão temerosa e possessiva que até parece não ter sido seu irmão Hades o responsável por sua desolação e por suas maiores vicissitudes, mas sim o fato isolado de que sua filha empreendesse uma aventura sexual com seu tio, sem restrições ao lugar onde finalmente se celebraria o casamento, e que dessa aventura ela decidisse voluntariamente permanecer junto ao amado. O destino fizera Hades reinar no Tártaro, e o amor estava proscrito para ele. Mas o deus já se queixara de que não havia no mundo ou no Olimpo deusa, ninfa ou mulher que concordasse, por bem ou por mal, em compartilhar das profundezas do além-túmulo.

O fascínio de Hades pela donzela de formosos tornozelos quando esta bailava graciosamente sobre as pradarias floridas com suas amigas, as filhas do Oceano, é uma imagem até certo ponto comum nas fábulas gregas. Homero anta em seu Hino a Deméter que as donzelas brincavam contentes, colhiam ramos de açafrão, formosas violetas, lírios, jacintos, rosas e narcisos que a terra havia produzido por vontade de Zeus a fim de cativar as garotas de rostos corados. O que existe de diferente aqui, e o episódio que fortalece o mito, é a atitude da mãe, dessa deusa aparentemente feliz assentada em sua cadeira de ouro, exultante durante suas andanças ocasionais, sempre fecunda e sem tribulações até a hora em que algo íntimo, seu fruto mais precioso, não só lhe é arrancado como raptado da superfície da Terra em uma apavorante carruagem puxada por corcéis negros para transportá-lo aos infernos onde habitavam os mortos.




Chorava Coré em seu cativeiro sombrio, saudosa da vida, e chorava a mãe enquanto a procurava por cada rincão do mundo. As duas jejuavam e chamavam uma pela outra até que, no intuito de prendê-la no Tártaro para o bem de seu amo, o jardineiro iludiu-a e fê-la comer os grãos nefastos da romã dos mortos, os quais a levariam a enamorar-se de Hades até incendiar-se de amor, ainda que o efeito do inferno fosse precisamente o de transformar seu coração em gelo.

Quando a deusa soube que sua garotinha havia desaparecido - assim narrou Homero -, partiu o diadema que usava sobre sua cabeleira divina, recobriu os ombros com um xale sombrio e lançou-se como um pássaro, por terra e por mar, em busca de sua filha perdida. Envelhecia de tristeza, mas ninguém lhe quis contar a verdade. Ninguém se atrevia a confessar que era o deus da morte quem havia raptado a jovem. Não houve pássaro que se dispusesse a levar-lhe uma mensagem consoladora e, desse modo, ela errou durante nove dias e nove noites, erguendo fachos ardentes para iluminar as profundezas das cavernas até que, finalmente, encontrou-se com Hécate que, cheia de compaixão, acabou por sussurrar-lhe a verdade. "Tua filha foi raptada", disse-lhe com voz trêmula. "Por quem?" - indagou a mãe desesperada. "Por Hades", respondeu-lhe a velha e, a princípio, Deméter não a acreditou. "Ele é meu irmão, jamais me faltaria ao respeito de tal maneira."



Para confirmar a notícia, Hécate aconselhou-a a consultar Hélio, o Sol, que tudo vê e tudo recorda desde seu trono no teto dos céus. Convencida finalmente, Deméter se apresentou perante Zeus para reclamar-lhe justiça; mas Hades já se havia adiantado com rogatórias e súplicas perante a assembléia do Olimpo e, a maneira dos políticos de todos os tempos, alegou perante seus irmãos Zeus e Poseidon que também ele merecia ter uma esposa. "Diferentemente de vocês, deidades solares, eu estou condenado a viver nos confins mais obscuros e ali encontro somente mulheres destruídas pela dor. Vocês repartiram entre os dois o céu e o mar. Vocês escolhem à vontade e se divertem com donzelas e com deusas. Eu, ao contrário, reino sobre a paisagem desolada das penumbras e suporto meu cetro em gélida solidão."

Responsável pela justiça, ordenador dos assuntos do Olimpo e do mundo, apresenta-se a Zeus um dilema terrível. Coré é sua filha, Hades seu irmão e Deméter, sua amante, a mãe sofredora; e com nenhum dos três desejava inimizar-se. Confiando na orientação do destino, primeiro enviou Hermes com a missão de fazer com que Hades compreendesse que teria de encontrar outra jovem para desposar, sem provocar tantas contrariedades; logo depois, conversou com Deméter e pediu-lhe compreensão para colocar nas mãos do acaso os argumentos que solucionariam o enredo com equidade. Quanto à sua filha, mandou-a chamar de volta mediante a condição de que não tivesse provado do alimento dos mortos, que Ascálafo, o jardineiro do Tártaro, a tinha feito morder no instante de sua despedida, já nos portões do mundo inferior.



O desfecho ou a chave mítica encontra-se no momento em que Deméter aceita o trato com Zeus e com Hades, depois de se inteirar de que sua Coré já se transformara em Perséfone, apaixonada por Hades e virtual rainha do inferno, pois, a seu próprio pesar, havia comido dos grãos fatais. E foi desse modo que, ainda magoada, a deusa jurou estender sobre o mundo uma paisagem desoladora, reflexo do vazio que sentia na alma, de sua sensação de despojamento, de sua maternidade agredida. Deméter cria o inverno para espelhar sua tristeza. Assombra a Terra com a angústia de árvores sem folhas, campos ressequidos, flores emurchecidas, e multiplica as cenas de homens e animais morrendo esfaimados porque nada pode crescer contra a sua vontade.

Assim, antes que os deuses consigam persuadi-la a bendizer outra vez a Terra a fim de devolver-lhe a fertilidade e o ciclo das colheitas, Deméter vaga como a sombra de sua sombra, banhada em lágrimas e macerada em razão de seu prolongado jejum. Deméter erra pelos campos estéreis, sem rastro de sua frescura nem vestígio de sua fascinante jovialidade. Mãe amargurada, durante seu pesar reprime sua antiga sensualidade; ela mesma se transforma em Hécate e está agora muito distante de se parecer com a amante que agradara a Zeus. Deméter torna-se uma pobre sofredora, encanecida e profundamente marcada pela sensação de impotência que a domina. Em seu rastro, deixa as marcas desoladoras da pena e, tal como se proferisse uma oração, todos a escutam murmurando que nada, salvo o retorno de Coré, seria capaz de reanimá-la.

Sempre carregando um archote, é assim que a mítica Deméter presta seu tributo à morte de Coré e entra em acordo com Zeus que, para agir com plena justiça, decide que a jovem deverá repartir seu tempo entre o mundo dos vivos e o Tártaro. Como pagamento por ver Coré outra vez a seu lado, ainda que somente por alguns meses ao ano, tal como determinara o Pai dos Céus a fim de compensar sua infelicidade, Deméter se compromete a devolver o verdor da Terra durante esse período, tempo suficiente para que possam crescer as sementes; e concorda em fazer dos cultivos o recipiente exato dos ciclos de vazio e de vida. Os meses restantes, quando Perséfone volta a reinar sobre a mansão dos mortos, correspondem à estação hibernal, o período do frio em que o mundo se torna sombrio e desesperançado. No momento em que Perséfone retorna às pradarias, explode a primavera, florescem as plantas e tudo se dispõe para uma nova colheita. O mito conta ainda que, em testemunho de gratidão por haver recobrado sua filha, Deméter presenteou ao rei de Elêusis, filho de Triptólemo, com uma espiga prodigiosa cujas virtudes ele deveria transmitir, viajando em um carro alado, a fim de revelar o segredo de como domesticar a vegetação e difundir a arte da agricultura. Dessa forma, Elêusis, a capital da Ática, foi consagrada a Deméter, porque, segundo o mito, foi de um de seus prados que Hades roubou Coré e donde a própria deusa jurou se vingar criando o inverno e a semeadura da morte, caso os deuses não lhe devolvessem a filha.



Segundo outra versão, Deméter se encontrou com Hécate, a deusa-lua, e juntas foram ver o deus-sol, o poderoso Febo ou Hélio, para que este lhes descrevesse os pormenores do rapto. Ainda que o Sol tenha admitido que testemunhara o feito, não lhes disse onde ocorrera exatamente tampouco quem era o deus responsável.
Diante do silêncio abominável de Hélio, Deméter abandonou o mundo dos deuses, irada e aflita. Àqueles que estavam congregados no Olimpo, jurou nunca mais regressar, nem sequer recordar-se deles. Era desse modo que, durante o festival da semente, a deusa era invocada, velando seu luto às beira de um poço, chamado o Poço da Virgem, esperando ali até que alguém se dispusesse a vir informar-lhe onde poderia encontrar a donzela.

Durante os festivais, costumava-se recordar que Deméter, enquanto permaneceu em Elêusis, aguardando notícias, serviu como uma ama envelhecida em uma mansão próxima ao Poço da Virgem, seu principal santuário, onde se parecia com Hécate na sua velhice, uma Hécate inseparável de Perséfone.

Nenhum camponês ignorava a condenação da terra feita por Deméter. Em um desfile, representava-se a imagem sombria daquele ano em que não brotaria qualquer fruto da terra até que os sofrimentos obrigassem a Zeus e a todas as divindades a irem, uma após outra, suplicar a Deméter que aplacasse sua ira.

Não obstante, Deméter conseguiu que a libertada Perséfone, acompanhada por Hécate, volvesse a seu lado no Olimpo durante os meses primaveris. De volta à glória, a Terra reverdeceu e as flores brotaram com os grãos portadores da vida. É por isso que não são admitidos homens ou donzelas no ritual das tesmofórias, segundo é corroborado pela comédia de Aristófanes, As Tesmoforiantes.



Esse é um dos mistérios relacionados às súplicas erguidas à Deméter pela fecundidade dos cereais, realizadas em Atenas entre os dias 11 e 13 do mês de pianepsion (outubro/novembro), época da colheita, um cerimonial que se apartava da liturgia porque as tesmoforiantes sacrificavam leitões e revolviam seus restos com terra a fim de fomentar-lhe a fertilidade.

Durante aqueles dias, as mulheres dormiam em tendas próximas aos santuários. Não podiam faltar os excessos carnais depois do jejum nem os atos dionisíacos alusivos, talvez, às andanças de Deméter pelas pradarias ou a seus prazerosos encontros sexuais. Entretanto, quase nada restou da essência desse culto. Secreto como era, o tempo levou consigo o mistério. A não ser por indícios trágicos, por algumas pinturas e pelas informações parciais de Xenofonte,não conheceríamos sequer esses elementos tão escassos referentes aos complicados rituais sagrados das mulheres da Grécia em honra de sua deusa.




(Fonte: Livro Mulheres, Mitos e Deusas - Martha Robles)

quinta-feira, 19 de março de 2009

Morpheus (Sandman), o Senhor dos Sonhos


Morpheus (palavra grega cujo significado é "aquele que forma, que molda") é o deus grego dos sonhos.
Morpheus tem a habilidade de assumir qualquer forma humana e aparecer nos sonhos das pessoas como se fosse a pessoa amada por aquele determinado indivíduo.

Seu pai é o deus Hipnos, do sono. Os filhos de Hipnos, os Oneiroi, são personificações de sonhos, sendo eles Icelus, Phobetor, e Phantasos. Morpheus foi mencionado no Metamorphoses de Ovídio como um deus vivendo numa cama feita de ébano numa escura caverna decorada como flores.
A droga morfina tem seu nome derivado de Morpheu, visto que ela propicia ao usuário sonolência e efeitos análogos aos sonhos.
Sandman (Homem de Areia, em inglês) é uma referência mitológica encontrada em várias culturas. Uma referência consagrada é a dinamarquesa, através de um conto de Hans Christian Andersen, chamado Ole Lukoeje (ou Olavo fecha-olhos). Esse personagem, de contos infantis, é uma figura mitológica que sopra areia nos olhos das crianças para que elas durmam (No Brasil, é conhecido como João Pestana).



De modo geral, Sandman aparece para cada pessoa como o aspecto mais nobre de sua raça. Como personagem, Sonho é extremamente pálido, tem cabelos negros e se veste geralmente apenas com uma peça de tecido preto enrolada ao corpo. Já apareceu, na história chamada "Histórias na Areia", interagindo com os antepassados de uma tribo da África sub-saariana, representado como um homem negro chamado Kai'Ckul. Também já apareceu transfigurado em gato na história "Sonho de Mil Gatos" e também como raposa no especial "Caçadores de Sonhos". Sonho às vezes é visto com uma ou mais de suas ferramentas: uma algibeira cheia de areia dourada, um rubi e um elmo de formato bastante singular. O elmo - que só costuma usar em algumas situações, como viagens a lugares inóspitos - também é seu símbolo na galeria de cada Perpétuo. Ele sempre se veste de preto, exceto quando usa seu traje formal, que tem detalhes roxos e azuis. No seu passado não costumava ser assim. Na história "Homens de Boa Sorte", Sonho é visto em diferentes momentos nos últimos 500 anos. Nessa história seus trajes são um pouco mais convencionais do que os do Sonho moderno, mas ainda com um ar de excentricidade. Outro detalhe, seus olhos são negros como a noite pontilhada por milhares de estrelas brilhantes.

Seu pai Hipnos (o sono) viveu no palácio construído dentro de uma caverna grande no oeste distante, onde o sol nunca chegou, porque ninguém tinha um galo que acordasse o mundo, nem gansos ou cães, de modo que Hipnos viveu sempre em tranquilidade, em paz e silêncio.
Do outro lado de todo este lugar peculiar passava Lete, o rio do esquecimento, e nas margens, outras plantas cresciam aquele junto com colaborando com murmuro liso de águas limpidas do rio a dormir. No meio do palácio estava uma cama bonita, cercada pelas cortinas pretas em que Hipnos descansou em plumas macias com um sonho calmo flagelado das histórias. Seu filho, Morpheus (Sandman) tomou cuidado de que ninguém o acordasse.
Hipnos teve também outras duas crianças chamadas Iquelo e Fantaso. Hipnos podia dominar assim muito aos deuses a respeito dos mortais. É representado como uma pessoa nova. Hipnos era o deus do sono, da atividade de dormir, mas não dos sonhos em si; histórias que passam em nossos pensamentos, representada por Morpheus.
Hipnos gerou (sozinho) os mil Onírios, deuses dos sonhos, entre eles Morpheus, Fantaso, Icelos e Forberto. Fantasia é sua única filha, personificação do Devaneio e da morte.
Segundo Homero, Hipnos vive em Lemmos, e está casado com a Grácia Pasitea, que Hera lhe concedeu em agradecimento por préstimos realizados. Tem forma humana, mas se torna uma ave antes de dormir.
Outras vezes Morpheus é representado como um jovem com asas que toca uma flauta na frente dos homens para fazê-los dormir, e que tem um rastro de névoa negra.
Hipnos era considerado um deus com suas vestes e cabelos na cor dourada, assim como seu irmão gêmeo, Thanatos ou Tánatos, era considerado um deus de vestes e cabelos na cor prateada.





Sono e Sonhos

Antes de mais nada, precisamos definir alguns parâmetros e termos:

Sono é um estado em que cessam as atividades físicas motoras e sensoriais.

Sonho é a lembrança dos fatos, dos acontecimentos ocorridos durante o sono.

A ciência ortodoxa, analisando tão somente os aspectos fisiológicos das atividades oníricas, ainda não conseguiu conceituar com clareza e objetividade o sono e o sonho. Sem considerar a emancipação da alma, sem conhecer as propriedades e funções do duplo-etérico (perispírito para os Kardecistas), fica, realmente, difícil explicar a variedade das manifestações que ocorrem durante o repouso do corpo físico. Alguns psiquiatras e psicólogos já analisam os sonhos como atividades do psiquismo mais profundo.

Assim temos em Freud, o precursor dos estudos mais avançados nesta área. Ele julgava que os instintos, quando reprimidos, tendem a se manifestar e uma destas manifestações seria através dos sonhos. Isto numa linguagem simbólica representativa do desejo.

Adler introduziu em Psicologia o “instinto do poder” . Nossa personalidade gravitaria em torno da auto-afirmação, do desejo do domínio.

Jung considerou válidas as duas proposições. Descobriu que nos recessos do inconsciente, existe uma infra-estrutura feita de imagens ou símbolos que integram a mitologia de todos os povos. São os arquétipos, reminiscências de caráter genérico que remontam a fases muito primitivas da evolução.



(pt.wikipedia.org/www.sedentario.org)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Stand my ground - Within Temptation


I can see
when you stay low nothing happens.
Does it feel right?
Late at night
things I thought I put behind me
haunt my mind.

I just know there's no escape now
once it sets its eyes on you.
But I won't run, have to stare it in the eye.

Chorus:
Stand my ground, I won't give in.
No more denying, I've got to face it.
Won't close my eyes and hide the truth inside.
If I don't make it,
someone else will stand my ground.

It's all around, getting stronger,
coming closer, into my world.
I can feel that it's time for me to face it,
can I take it?
Though this might just be the ending
of the life I held so dear.
But I won't run,
there's no turning back from here.

All I know for sure is I'm trying.
I will always stand my ground.

Stand my ground, I won't give in.
I won't give up, no more denying.
I've got to face it.
Won't close my eyes and hide the truth inside.
If I don't make it,
someone else will stand my ground.
I won't give in, no more denying.
I've got to face it.
Won't close my eyes and hide the truth inside.
If I don't make it,
someone else will stand my ground.

*******************************

Tradução:

Eu posso ver
Quando você permanece abatido nada acontece
Isto parece certo?

Tarde da noite
Coisas que eu pensei que deixei para trás
Assombram minha mente

Eu só sei que não há escapatória
Uma vez que isso coloca os olhos em você
Mas eu não fugirei, tenho que encarar isso de frente

Finco meu pé, não me renderei
Não mais negarei, Eu tenho que encarar isto
Não fecharei meus olhos e esconderei a verdade aqui dentro
Se eu não fizer isso, alguém fará

Tudo em volta
Está ficando mais forte, chegando mais perto
Do meu mundo

Eu posso sentir
Que é minha hora de encarar isso
Posso fazê-lo?

Embora isso possa simplesmente ser o fim
Da vida que eu segurei tão bem
Mas eu não correrei, não há volta daqui

Finco o meu pé, Não me renderei
Não mais negarei, Eu tenho que encarar isto
Não fecharei os meus olhos e esconderei a verdade aqui dentro
Se eu não fizer isso, alguém pegará meu lugar

Tudo o que sei com certeza é que estou tentando
Eu sempre segurarei meu lugar

terça-feira, 17 de março de 2009

Dia do Clicou

No dia 17 de março foi estabelecido o dia do Clicou.
Hoje não terão imagens nessa postagem, pois não há figura que simbolize esse dia.

Para mim, Clicou é o dia do despertar para vida, dia da transformação, o verdadeiro processo da metamorfose, sair da casca e encarar o mundo de frente, o dia que mais tarde iria gerar a idéia desse blog.
Dia de unir mentes e almas, de colocar a mão no peito e sentir o coração bater forte, pois esse é o melhor sinal onde não podemos mentir nem esconder nossos sentimentos.

Dia de sentir o "efeito" que as pessoas podem fazer em nossas vidas. Dia de sorrir um pouquinho e ver que nem tudo está perdido, se buscarmos bem lá no fundo sempre há uma forma de "mudar as coisas", "aparar arestas", de recomeçar e dessa vez acertar.
Dia chuvoso, dia sereno, doce, dia de brincar de sonhar.
Dia de estar perto do mar e usufruir dele toda a sua beleza, força e segurança para esse recomeço.

Desejo que todas as pessoas possam pelo ou menos por uma vez viver o Dia do Clicou.

Para quem já sentiu algo parecido, que deixe perpetuar e lembre com carinho cada detalhe desse dia e os bons sentimentos ali vividos.
Mas para quem não sentiu ainda, aguarde... "demora mas vem". : )

Feliz Dia do Clicou.


(por Yv Luna)

segunda-feira, 16 de março de 2009

Adiamento


Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...


Fernando Pessoa

sexta-feira, 13 de março de 2009

2º SELO DARDOS !!!


O Blog Metamorfose Ambulante está ganhando seu 2º selo, mais um Prêmio Dardos. Dessa vez indicado por Livia Luzete do Blog Chá das 5 a meia noite.

Retribuindo o carinho dela e de todos os outros companheiros de blogs, indico para mais um selo, os seguintes blogs:

Blog Celtas Today
http://celtastoday.blogspot.com/

Blog Chakaruna
http://hernehunter.blogspot.com/

Blog Chá das 5 a meia noite
http://chadas5ameianoite.blogspot.com/

Blog Guinevere, a Bruxa
http://bruxaguinevere.blogspot.com/

Blog O Trovador
http://trovador.wordpress.com/

Blog Sussurros do Fogo
http://www.sussurrosdofogo.blogspot.com/

Blog Wicca Ipatinga
http://wicca-ipatinga.blogspot.com/

Com carinho,

Yv Luna

quinta-feira, 12 de março de 2009

Não se esqueça de mim - Interpretação de Nana Caymmi


Onde você estiver, não se equeça de mim

Com quem você estiver não se esqueça de mim

Eu quero apenas estar no seu pensamento

Por um momento pensar que você pensa em mim

Onde você estiver, não se esqueça de mim

Mesmo que exista outro amor que te faça feliz

Se resta, em sua lembrança, um pouco do muito que eu te quis

Onde você estiver, não se esqueça de mim

Eu quero apenas estar no seu pensamento

Por um momento pensar que você pensa em mim

Onde você estiver, não se esqueça de mim

Quando você se lembrar não se esqueça que eu

Que eu não consigo apagar você da minha vida

Onde você estiver não se esqueça de mim

quarta-feira, 11 de março de 2009

Inconsciente Pessoal, Complexos e Símbolos - parte final



Sobre o conceito de Self

Ainda no volume IX das Obras Completas Jung apresenta relevantes considerações a respeito do arquétipo do Self, que é a um só tempo, o arquétipo central e o arquétipo da totalidade. Sua estruturação pode assumir a forma circular, como a Mandala, o círculo mágico, assim como a estrutura quaternária, o quadrado.

O Self, quer seja como arquétipo central ou como arquétipo da totalidade, pode assumir diferentes dimensões de acordo com o contexto. Por isso compreendemos que, cada sistema, invariavelmente, tem um centro e pode ser representado imagética e simbolicamente por um elemento único que holográficamente contenha, em si, as partes e o todo. Assim, o Self pode se apresentar como Self individual, quando analisamos a dimensão da totalidade do indivíduo; Self familiar, quando na dimensão da totalidade da família; Self cultural, quando na dimensão da totalidade da cultura ou Self cósmico, quando na dimensão da totalidade cósmica.

Segundo Jung, a natureza do Self é dual e se expressa na fenomenologia dos opostos, ou seja, na sizígia. A energia psíquica é proveniente desta tensão entre opostos que se constitui como a base energética, o manancial, a fonte de toda a energia circulante no sistema. Esta energia obedece a todas as leis que regem as transformações energéticas de qualquer sistema e se alteram e alternam tanto nas qualidades quanto nas quantidades sendo a melhor representação da imagem arquetípica do Self no âmbito individual e cultural a imago dei ou a imagem de Cristo. Enfim, podemos entender que tudo que existe tem um Self, um centro, um elemento central que representa sua estrutura e ao redor do qual os demais elementos se posicionam.



(Jorge L. de Oliveira Braga – Analista Junguiano - AJB)

terça-feira, 10 de março de 2009

Declaração de amor


Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.

Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisto de uma frase. Eu gosto de manejá-la - como gostai a de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escreve-nos atamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.

Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.
Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queda não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.




Clarice Lispector in A descoberta do mundo.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Luna - Alessandro Safina


Only you can hear my soul, only you can hear my soul

Luna tu
Quanti sono i canti che rissuonano
Desideri che attraverso i secoli
Han solcato il cielo per raggiungerti
Porto per poeti che non scrivono
E che il loro se non spesso perdono
Tu accogli i sospiri di chi spasima
E regali un sogno ad ogni anima
Luna che mi guardi adesso ascoltami

Choeur: Only you can hear my soul

Luna tu
Che conosci il tempo dell' eternità
E il sentiero stretto della verità
Fa più luce dentro questo Cuore mio
Questo cuore d'uomo che non sa, non sa

Che l'amore può nascondere il dolore
Come un fuoco ti può brucciare l'anima

Luna tu
Tu rischiari il cielo e la sua immensità
E ci mostri solo la meta che vuoi
Come poi facciamo quasi sempre noi
Angeli di creta che non volano
Anime di carta che si incendiano
Couri come foglie che poi cadono
Sogni fatti d'aria che svaniscono
Figli della terra e figli tuoi che sai

Che l'amore può nascondere il dolore
Choeur/A. Safina: Che l'amore puo nascondere il dolore

Come un fuoco ti può brucaire l'amima
Choeur/A. Safina: Come un fuoco ti puo brucaire l'amima

Choeur/A. Safina: Alba lux, diva mea, diva es silentissima

Ma è con l'amore che respira il nostro cuore
E la forza che tutto muove e illumina! . . .

Choeur: Only you can hear my soul, only you can hear my soul

Alba lux, diva mea, diva es silentissima !

**************************************************************

Tradução:

Somente você, pode ouvir minha alma. Somente você, pode
ouvir minha alma

Você, lua
quantas são as canções que ressoam
desejos que através dos séculos
marcaram o céu para chegar a você
porto para poetas que não escrevem
e seguidamente perdem suas cabeças
você que acolhe os suspiros de quem sofre por amor
e doa um sonho a cada alma
lua que me olha, agora ouça-me

Somente você, pode ouvir minha alma.

Você, lua
que conhece o tempo da eternidade
e a trilha estreita da verdade
faça mais luz neste meu coração
este coração de homem que não sabe, não sabe

Que o amor pode esconder a dor
como uma chama pode queimar-lhe a alma

Você, lua
você clareia o céu e a sua imensidão
nos mostra somente a metade que quer
como quase sempre depois nós faremos
anjos de argila que não voam
almas de papel que se incendeiam
coração como folhas que depois caem
sonhos feitos de ar que desaparecem
filhos da terra e filhos seus

Que sabe que o amor pode esconder a dor
como a chama pode queimar-lhe a alma

Mas é com o amor que respira
é o nosso coração, é a força que tudo movimenta e
ilumina

Somente você, pode ouvir minha alma. Somente você,
pode ouvir minha alma

domingo, 8 de março de 2009

Alma da mulher

Nada mais contraditório do que ser mulher...
Mulher que pensa com o coração,
age pela emoção e vence pelo amor.
Que vive milhões de emoções num só dia
e transmite cada uma delas, num único olhar.
Que cobra de si a perfeição
e vive arrumando desculpas
para os erros daqueles a quem ama.
Que hospeda no ventre outras almas,
dá a luz e depois fica cega,
diante da beleza dos filhos que gerou.
Que dá as asas, ensina a voar
mas não quer ver partir os pássaros,
mesmo sabendo que eles não lhe pertencem.
Que se enfeita toda e perfuma o leito,
ainda que seu amor
nem perceba mais tais detalhes.
Que como uma feiticeira
transforma em luz e sorriso
as dores que sente na alma,
só pra ninguém notar.
E ainda tem que ser forte,
pra dar os ombros
para quem neles precise chorar.
Feliz do homem que por um dia
souber entender a Alma da Mulher!






(por Fatima Ayache)

sábado, 7 de março de 2009

Perséfone



Na mitologia grega, Perséfone era filha de Zeus e da deusa Deméter, da agricultura, tendo nascido antes do casamento de seu pai com Hera.

Quando os sinais de sua grande beleza e feminilidade começaram a brilhar, em sua adolescência, chamou a atenção do deus Hades que a pediu em casamento. Zeus, sem sequer consultar Deméter, aquiesceu ao pedido de seu irmão. Hades, impaciente, emergiu da terra e raptou-a levando-a para seus domínios (o mundo subterrâneo), desposando-a e fazendo dela sua rainha.

Sua mãe, ficando inconsolável, acabou por se descuidar de suas tarefas: as terras tornaram-se estéreis e houve escassez de alimentos, e Perséfone recusou-se a ingerir qualquer alimento e começou a definhar. Deméter, junto com Hermes, foram buscá-la ao mundo dos mortos (ou segundo outras fontes, Zeus ordenou que Hades devolvesse a sua filha). Como entretanto Perséfone tinha comido algo (uma semente de romã) concluiu-se que não tinha rejeitado inteiramente Hades. Assim, estabeleceu-se um acordo, ela passaria metade do ano junto a seus pais, quando seria Coré, a eterna adolescente, e o restante com Hades, quando se tornaria a sombria Perséfone. Este mito justifica o ciclo anual das colheitas.

Mais tarde, Perséfone tornou-se a Rainha do Inferno. Todas as vezes que os heróis e heroínas da mitologia grega desciam para o reino inferior, Perséfone lá estava para recebê-los e ser sua guia. Nunca estava ausente para ninguém. Nunca havia sinal na porta dizendo que ela fora para casa com a mãe, embora o mito diga que ela fazia isso dois terços do ano ao lado de Hades.

Na “Odisséia”, o herói Odisseu (Ulisses) viajou para o Inferno, onde Perséfone lhe mostrou as almas das mulheres de reputação legendária. No mito de Psique e Eros, a última tarefa de Psique era descer ao mundo das trevas com uma caixa para Perséfone encher de ungüento de beleza para Afrodite. O último dos doze trabalhos de Hércules também o levou a Perséfone. Hércules teve que obter a permissão dela para emprestar Cérbero, o feroz cão de guarda de três cabeças, que ele dominou e colocou em uma corrente.



Perséfone é normalmente descrita como uma mulher possuidora de uma beleza estonteante, pela qual muitos homens se apaixonaram, entre eles, Pírito e Adônis. Foi por causa deste último que Perséfone se tornou rival de Afrodite, pois ambas disputavam o amor do jovem, mas também outro motivo era porque Afrodite tinha inveja da beleza de Perséfone. Embora Adônis fosse seu amante, o amor que Perséfone sentia por Hades era bem maior. Os dois tinham uma relação calma e amorosa. As brigas eram raras, com exceção de quando Hades se sentiu atraído por uma ninfa chamada Menthe, e Perséfone, tomada de ciúmes, transformou a ninfa numa planta, destinada a vegetar nas entradas das cavernas, ou, em outra versão, na porta de entrada do reino dos mortos.

Entre muitos rituais atribuídos à entidade, cita-se que ninguém poderia morrer sem que a rainha do mundo dos mortos lhe cortasse o fio de cabelo que o ligava à vida. O culto de Perséfone foi muito desenvolvido na Sicília, ela presidia aos funerais. Os amigos ou parentes do morto cortavam os cabelos e os jogavam numa fogueira em honra à deusa infernal. A ela, eram imolados cães, e os gregos acreditavam que Perséfone fazia reencontrar objetos perdidos.



Conta-se, ainda, que Zeus, o pai da Perséfone, teve amor com a própria filha, sob a forma de uma serpente.

Apesar de Perséfone ter vários irmãos por parte de seu pai Zeus, tais como Ares, Hermes, Dionísio, Atena, Hebe, Apolo, entre outros, por parte de sua mãe Deméter, tinha apenas um irmão, Pluto, um deus secundário que presidia às riquezas. É um deus pouco conhecido, e muito confundido como Plutão, o deus romano que corresponde a Hades. Preciosas informações retiradas de antigos textos gregos, citam que Perséfone teve um filho com Zeus: Sabásio, era de uma habilidade notável, e foi quem coseu Baco na coxa de seu pai.



A rainha é representada ao lado de seu esposo, num trono de ébano, segurando um facho com fumos negros. A papoula foi-lhe dedicada por ter servido de lenitivo à sua mãe na ocasião de seu rapto. O narciso também lhe é dedicado, pois estava colhendo esta flor quando foi surpreendida e raptada por Hades. Perséfone, com Hades, é mãe de Macária, deusa de boa morte.




O ARQUÉTIPO

Como vimos, Perséfone tinha dois aspectos: o de jovem e o de Rainha do Inferno. De jovem despreocupada, ela se torna a deusa madura, que acaba se tornando Rainha absoluta do Mundo Avernal, governando os espíritos mortos ao lado de seu marido, Hades, Sombrio Senhor da Morte.

Essa dualidade também está presente como dois padrões arquetípicos. Todas nós mulheres podemos ser influenciadas por um dos dois aspectos, podendo crescer um para o outro, ou podemos ser igualmente jovens e rainhas presentes em nossa psique.

O mito tem muito a dizer para as mulheres da atualidade que se esforçam para compreender toda a espécie de intrigantes experiências psíquicas na natureza ou que, de uma forma ou de outra, são atraídas a trabalhar com a morte ou sofreram grandes tragédias pessoais em suas vidas.

Compreender o significado da descida de Perséfone e sua ligação espiritual é particularmente urgente. Joseph Campbell, que já foi inigualável autoridade em mito e religião, sugeriu que o despontar generalizado da consciência de Perséfone seria parte de um “crepúsculo dos deuses”.

Entretanto, devemos ter consciência, que viver boa parte da vida “entre os mortos”, pode exercer pressão sobre qualquer pessoa de temperamento mediúnico, especialmente quando estas experiências forem erroneamente interpretadas ou temidas, como costuma ser o caso.

O mundo avernal é essencialmente um mundo de espíritos e como tal, carece de ardor, afeição e se dissocia do que chamamos de realidade. A maneira de um médium lidar com este domínio de existência e com suas ameaças de dissociação psíquica, constitui, portanto, um desafio sem igual.

O segredo está em abraçarmos o lado escuro com o lado luminoso desta deusa dentro de nós. Como já disse o velho alquimista Morienus:” O portal da paz é sobremaneira estreito,e ninguém poderá atravessa-lo senão pela agonia de sua própria alma.”




(pt.wikipedia.org / e por Rosane Volpatto)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Inconsciente Pessoal, Complexos e Símbolos - parte 4



Libido, Arquétipos e Inconsciente coletivo

O conceito de Libido na Psicologia de Jung constitui-se um dos principais elementos que, a um só tempo, diferenciam e limitam seu ponto de vista frente à Psicologia de Freud. Desde o lançamento da obra Símbolos da Transformação, evento que marcou o início de sua ruptura com a Psicanálise, Jung veio criando seus próprios caminhos e definindo mais apropriadamente o que entendia por inconsciente e, mais objetivamente por Libido.

Postulou, do ponto de vista do Psicológico, o conceito de Energia Psíquica e o distinguiu com muita exatidão do que se entende por Força Vital. Formulou então a concepção : Energia Psíquica = Libido e que esta seria sujeita à todas as leis conhecidas pela ciência contemporânea.
Considerava a Energia Sexual como uma das qualidades da Libido, ou seja, uma de suas autênticas manifestações e expressões que, como outras formas, também estaria sujeita à variação à quantitativa e obedeceriam às leis de transformação específicas.

Mesmo tendo levado em consideração as mais atuais e relevantes descobertas da Física com relação à energia e sua fenomenologia, Jung parece ter se inspirado também na abordagem filosófica de Kant, Schopenhauer e Nietzsche para uma compreensão mais aprofundada do tema. Libido, assim, poderia ser compreendida a partir de sua raiz “Libidum”, ou seja, Vontade.

O conceito de Vontade foi tratado no decorrer da história da filosofia por quatro pontos de vista específicos, ou seja : psicologicamente, moralmente, teologicamente e metafisicamente.

Schopenhauer desenvolveu uma filosofia segundo a qual a vontade é o fundo último da realidade. A Vontade não se acha limitada, segundo Schopenhauer, pelas categorias do espaço, tempo e causalidade, as quais são aplicáveis aos fenômenos, enquanto a Vontade é uma realidade em si, ou numênica. Encontra-se em Schopenhauer a noção de vontade de viver. A Vontade objetiva-se produzindo idéias. Para Nietzsche, a vontade é basicamente Vontade de poder ou Vontade de domínio e essa Vontade está ligada à transmutação de todos os valores ou transvalorização.

Partindo desse ponto de vista, podemos, objetivamente, estabelecer um fio condutor entre o pensamento de Kant, Schopenhauer e Nietzsche que chega à formulação do conceito de “Id” em Freud e o de “arquétipo” em Jung. Podemos compreender a idéia de que o conceito de “Leit motiv” do Homem, ou seja, a “força motriz cega” por vezes chamada de desejo é, na verdade, o veículo da Libido. Libido ou mesmo Vontade, é entendida como o conteúdo, a “substância” que constitui o Ser. O Ser é a Vontade e esta é uma dimensão sob o intelecto consciente ou inconsciente, uma força vital esforçada e persistente, uma atividade espontânea, uma fonte de desejo imperioso que não cessa nunca.

Pode, às vezes, parecer que o intelecto dirige a vontade, mas age apenas como um guia que dirige seu amo; a vontade é o cego robusto que carrega em seus ombros o coxo que vê. Segundo Schopenhauer:

"Não queremos uma coisa porque encontramos razões para isso, encontramos razões para isso porque a queremos; podemos até elaborar filosofias e teologias para cobrir nossos desejos ( ... ) Os homens são apenas aparentemente puxados pelo que está em frente; na realidade são empurrados por trás; imaginam que são conduzidos por aquilo que vêem, quando na verdade são impelidos pelo que sentem, - pelos instintos de cuja atuação não tem consciência, muitas vezes".

A Libido é um a priori, um conteúdo sem forma que dá ao Ser as sua respectivas “infinitas possibilidades” de existência. E é esta Libido, ou Vontade, que podemos, ainda segundo Schopenhauer, enunciar:

"Até mesmo o corpo é o produto da vontade. O sangue, impelido por aquela vontade a que vagamente chamamos vida, constrói seus próprios vasos imprimindo sulcos no corpo do embrião; os sulcos ficam mais fundos, fecham-se e passam a formar as artérias e veias (...) A vontade de enxergar cria os olhos, a vontade de saber forma o cérebro, exatamente como a vontade de agarrar forma a mão ou como a vontade de comer desenvolve o tubo digestivo (...) Na verdade essas formas de vontade e essas formas de carne - não são senão dois lados do mesmo processo e realidade".

O conceito Junguiano proposto para Vontade a coloca na base da estrutura do Homem e é o ponto de partida para a compreensão do que Jung apresenta como a natureza psicóide do arquétipo, ou seja, o aspecto duplo que se refere a ser psíquico e físico a um só tempo. Talvez possamos daí podemos compreender o que Jung quer dizer quando afirma que o arquétipo tem raízes nervosas.

Vontade é desejo, o “a priori” do Ser, a coisa-em-si de Kant, de natureza e grandeza ilimitada, que sob inumeráveis formas e aspectos se mostra como fenômeno. Propomos então que o conceito de Libido seja a representação da Vontade, é sua expressão psicológica, uma forma simbólica de representar a substância do Ser. A razão e a consciência são uma mera superfície de nossa mente, da qual, como da terra, não conhecemos o interior mas somente alguns aspectos apenas a crosta. No entanto, a Libido, ou Vontade, é um fenômeno que se estende além das fronteiras do próprio indivíduo e está presente também como fenômeno econômico e cultural. Libido também é dinheiro, o sangue que mantêm vivo a cultura e que faz girar a engrenagem construída pelas mãos humanas.




Libido, na perspectiva Freudiana, pode ter se limitado a uma determinada qualidade de energia e foi reduzida à sexualidade. Não que essa não exista e assim também o seja como uma autêntica expressão deste elemento, mas o entendimento a que nos propomos a fazer a coloca em dimensões de magnitude de ordem mais abrangentes, intensa e extensa do que poderia ser a sexualidade.

A idéia de que a mente, quando do nascimento do indivíduo, já traz, em si, como uma condição a priori, um conhecimento herdado da própria espécie parece uma afirmação da ordem da metafísica ou até mesmo do misticismo. Ao abordar estas proposições nos remetemos imediatamente aos conceitos de inconsciente coletivo e arquétipos propostos por Jung quando afirma que:

"O inconsciente coletivo significa que a consciência individual é tudo menos uma tábula rasa, ou seja, um lençol branco mas é influenciado no mais alto grau por predisposições herdadas. Abrange a vida psíquica de nossos ancestrais, retroagindo até os primórdios mais remotos".

Por isso trata esta dimensão como a matriz de todas as ocorrências psíquicas, uma espécie de arcabouço que determina a forma geral e as fronteiras da vida consciente. Entende-se que da mesma forma que o corpo herda uma estrutura que determina a forma geral e as fronteiras da vida consciente a mente é também estruturada por fatores herdados.

Esse conceito de estrutura básica herdada subjacente à psique humana pode ser buscado em Platão, que sustentava que a aquisição de conhecimento representava uma espécie de “recordação”, na qual Formas ou Idéias, aprendidas antes do nascimento, eram trazidas ao palco graças ao estímulo de experiência sensorial.

O conceito de arquétipo na Psicologia de Jung encontra alguns precursores filosóficos de relevante expressão. Platão fala das Idéias originais, das quais são derivadas toda a matéria e as idéias subseqüentes. Schopenhauer fala os “protótipos” ou arquétipos como formas originais de todas as coisas [que], pode-se dizer, têm de per si uma existência verdadeira, porque sempre são, mas nunca mudam nem morrem. Kant foi outra influência; se o conhecimento depende da percepção, então uma noção de percepção deve preceder a aquisição de conhecimento.

A partir dessa idéia de uma “forma” perceptiva a priori onde todos os dados sensoriais poderiam ser organizados em categorias fundamentais e inatas. Estas categorias também estão situadas além do tempo e do espaço e carecem de uma conexão com as realidades corporais da experiência cotidiana.

Mas a prova mais antiga nesse sentido surge na primeira década deste século no tratamento de pacientes psicóticos. Jung surpreendeu-se ao descobrir que muitas fantasias e imagens dos pacientes assemelhavam-se à lendas, mitos e histórias folclóricas e que, muitas vezes, tornava-se impossível relacionar o conteúdo dessas fantasias com as experiências específicas dos pacientes. Em 1912, chamou-as de imagens primordiais, um nome substituído em 1919 por “arquétipo”. Uma de suas primeiras experiências ocorreu em 1906 quando um paciente esquizofrênico lhe disse ter uma visão do sol que mostrava um falo e que ele interpretava como sendo a origem do vento.




Uma vez que o paciente fora internado no hospital antes da publicação do texto grego, e Jung só o descobriu em 1910, havia boa razão, como disse ele para excluir a possibilidade de criptomnésia por parte do paciente, e de transferência de pensamento de minha parte . O paralelo óbvio entre os dois, acreditava, só podia ser explicado em termos de alguma forma de herança.
Os arquétipos, insistiu Jung, “não são idéias herdadas, mas possibilidades herdadas”, Os conteúdos reais da consciência “são todos adquiridos individualmente”.

"Arquétipos não são determinados quanto ao seu conteúdo, mas apenas quanto à sua forma, e neste caso em um grau muito limitado ... O arquétipo em si é vazio e puramente formal ... uma possibilidade de representação que é dado a priori. As próprias representações não são herdadas, mas apenas as formas, que são também determinados apenas em forma".

Jung relacionou os arquétipos e seu funcionamento aos instintos. A princípio, em 1919, via o arquétipo como o equivalente psicológico do instinto, um auto-retrato do instinto (...) a percepção que o instinto tem de si”. Arquétipos e instintos desempenham funções semelhantes e ocupam posições semelhantes na Psicologia e na Biologia, respectivamente. Jung continua afirmando que o inconsciente coletivo consiste na soma dos instintos e seus correlatos, os arquétipos.

Enfim, há muito o que se dizer e estudar à respeito de arquétipos e inconsciente coletivo que são elementos centrais na Psicologia de Jung e, sem dúvida, constituem os pilares centrais desta abordagem psicológica. No entanto, a compreensão destas dimensões, assim como das imagens e instintos correlatos transcendem ao pensamento e linguagem e só poderão encontrar uma expressão mais adequada a partir do estudo dos mitos, contos de fada e da expressão não-verbal.



(Jorge L. de Oliveira Braga – Analista Junguiano - AJB)









quarta-feira, 4 de março de 2009

Construção - Chico Buarque


Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

terça-feira, 3 de março de 2009

Contemplo o lago mudo


Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece,
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.

O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo.
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo

Trêmulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?




Fernando Pessoa

segunda-feira, 2 de março de 2009

Serpente - Mitologias


Há poucos animais no mundo tão ricos em significados quanto a serpente. Ofídio
sagrado ou representação do mal, habitante dos pântanos, da lama, da turfa, rastejando nas terras profundas, príncipe dos meandros, silenciosa e sinuosa, ela surge dos confins mais obscuros do nosso inconsciente, cujos sonhos e fantasmas alimenta incessantemente, fazendo surgir, sucessivamente, angústias e desejos, atração ou repulsão.

Para a maioria dos povos, a serpente desempenha um papel extraordinariamente importante e bastante multiforme como símbolo; deve-se ressaltar sobretudo sua posição privilegiada no reino animal (locomove-se sobre a terra, não tem pernas, vive em tocas e sai de ovos como os pássaros), sua aparência fria, lisa e cambiante, sua picada venenosa, seu veneno - usado também como antídoto - e sua muda periódica.




Muitas vezes encontrada como rival do homem, também mostra-se como animal protetor,
guardiã das áreas sagradas ou do Reino dos Mortos, animal com alma, símbolo sexual
(masculino, devido a sua forma fálica e, feminino, devido a seu ventre) e símbolo da
renovação permanente (em razão da troca da pele).

Quando nos remontamos às mais longíquas lembranças da infância, a primeira serpente
que salta das recordações é aquele que fez tal desordem no paraíso que até hoje se fala nisso.


Serpente: Mitologia


A serpente é um antigo deus da sabedoria no Médio Oriente e na região do mar Egeu, sendo, intuitivamente, um símbolo telúrico. No Egito, Rá e Áton ("aquele que termina ou aperfeiçoa") eram o mesmo deus. Áton o "oposto a Rá," foi associado com os animais da terra, incluindo a serpente. Nehebkau ("aquele que se aproveita das almas") era o deus da serpente que guardava a entrada do mundo subterrâneo. Se nos afastarmos mais, tanto em termos geográficos como culturais - por exemplo, até às ilhas Fiji, encontramos Ratu-mai-mbula, um deus-serpente que governa o mundo subterrâneo (e faz a energia vital fluir).
No Louvre, existe um famoso vaso verde esteatite esculpido para o rei Gudea de Lagash (data aproximada entre 2200 a.C. e 2025 a.C.), dedicado por sua inscrição a Ningizzida, "senhor da árvore da verdade" que carrega um relevo das serpentes gêmeas em volta dos sacerdotes, exatamente como os caduceus de Hermes. Na mitologia Grega a serpente também aparece como símbolo da sabedoria, (símbolo da medicina) com Asclepio.
Na distante extremidade ocidental do mundo da antiquidade, no jardim de Hespérides, uma outra serpente guardiã da árvore, Ladon, protege a fruta dourada.
Entretanto sob uma outra árvore da Iluminação, está o Buda sentado em posição de meditação. Quando uma tempestade se levantou, o rei poderoso da serpente levantou-se acima de sua caverna subterrânea e envolveu o Buda em sete espirais por sete dias, para não interromper o seu estado de meditação.
O Minoan ,grande divindade, pode manusear uma serpente em uma das mãos, talvez evocando seu papel como a fonte da sabedoria, melhor que seu papel como o senhor dos animais (Potnia theron), com um leopardo sob cada braço. Não por acaso mais tarde este infante Héracles, um herói limítrofe entre o velho e o mundo novo de Olympia, também manuseara duas serpentes que "o ameaçaram" em seu berço. Os gregos clássicos não perceberam que a ameaça era meramente a ameaça da sabedoria. Mas o gesto é o mesmo que aquele da divindade de Creta. A haste que Moisés carrega é uma serpente. Quando a joga para a terra, ao comando de Yahweh, ela toma a forma de serpente. Se a identidade não puder ainda estar desobstruída o bastante, quando Moisés segura a serpente, esta se transforma em uma haste uma vez mais.
As serpentes são figuras proeminente em mitos gregos muito arcaicos: o mito-elemento de Laocoonte, a antiga Hidra de Lerna, que lutou com Hércules, a serpente do mais velho oráculo de Delfos, etc...
A imagem da serpente como a incorporação da sabedoria transmitida por Sophia é um emblema usado pelo gnosticismo, especialmente aquelas seitas mais ortodoxas caracterizadas como "Ofídeas", ("Homens Serpente"). A serpente ctónica é um dos animais associados com o culto de Mitras. O Basilisco, o famoso "rei das serpentes" com o bote da morte, foi atacado por uma serpente, Pliny e outros pensaram, do ovo ao adulto. Tais fantasias encheram o pensamento medieval.
Na Mitologia nórdica, Jormungand, a serpente de Midgard, abraça o mundo no abismo do oceano. Na mitologia de Daomé, na África ocidental, a serpente que suporta tudo em suas muitas espirais é nomeada Dan. Vishnu é posta a dormir no yoga Nidra, flutuando nas águas cósmicas na serpente Shesha.
Por a serpente tirar sua pele e sair do esconderijo da casca morta brilhante e fresca, ela é um símbolo universal da renovação, e a regeneração que pode conduzir para imortalidade.
Na Epopeia de Gilgamesh (de origem suméria), Gilgamesh mergulha no fundo das águas para recuperar a planta da vida. Mas quando decide descansar do seu trabalho, aparece uma serpente que come a planta. A serpente torna-se imortal, e Gilgamesh fica destinado a morrer.
Na Mitologia Yoruba, Oshumare é do mesmo modo uma serpente mítica regenerada serpente da visão. É também um símbolo da ressureição na Mitologia Maya, abastecendo alguns contextos culturais além do Atlântico favorecidos na pseudoarqueologia Maya.Gukumatz, a serpente emplumada é mais familiar sob seu nome Azteca,Quetzalcoatl.
As Serpente do mar são criaturas gigantes cryptozoologia uma vez acreditou-se viverem na água, seriam monstros do mar tais como o Leviathan ou monstros do lago tais como o monstro do lago Ness. Se forem referidas como " serpentes do mar", foram entendidos para ser as atuais serpentes que vivem nas águas Indo-Pacíficas (família Hydrophiidae).





A 'serpente falante' (nachash) no Jardim do Éden induziria conhecimento proibido, mas não é identificado com Satã no Livro do Génesis. Não há, contudo indicação no Génesis que a serpente era uma divindade em seu próprio direito, com exceção do fato que o Pentateuco não é de outra maneira abundante como animais falantes.
A informação dada pela Serpente poderia ser proibida , e foram as suas palavras as primeiras mentiras relatadas na bíblia. "...certamente não morrereis...".
"Agora a serpente era mais subtil do que qualquer animal do campo que o senhor Deus fêz, -Gênesis 3:1".
A serpente é a manifesta personificação da desobediência e da provocação a Deus. Por este motivo foi sempre associada a uma representação das forças do mal. O porquê da utilização desta personificação na Bíblia pode dar-se ao facto de que o processo narrativo que levou à criação deste mito tenha origem em factos transmitidos através de gerações até ao egípcio Moisés autor deste episódio de Genesis.
Mateus exortou seus ouvintes "fossem vocês conseqüentemente sábios como serpentes." (Mateus 10:16).
Embora tenha sido amaldiçoada por seu papel no Jardim, este não foi o fim da serpente, que continuou a ser venerada na religião popular de Judá e foi tolerada pela religião oficial até o tempo do rei Ezequias. Os editores do Livro dos Números - 700 A.C. forneceram aparentemente uma origem para um ídolo de bronze antigo da serpente que a justificasse associada a Moisés, com a seguinte narrativa:
" 21.6. E o Senhor enviou serpentes agressivas sobre as pessoas , e elas morderam as pessoas; e muitos israelitas morreram. 7. Então as pessoas vieram até Moisés , e disseram : Nós somos pecadores, por termos ido contra as leis do Senhor , e contra Ele , reze para o Senhor, peça para Ele levar as serpentes embora. E Moisés rezou para o povo. 8. E o Senhor disse a Moisés: Faça você uma serpente zangada, e coloque-a sobre um bastão;e deixe-a passar, pois todos que foram mordidos, quando ela olhar o bastão, viverão. 9.E Moisés fez uma serpente de metal,e colocou-a sobre um bastão, e deixou-a passar , e se a serpente tivesse mordido qualquer homem , quando ele olhasse a serpente de metal, ele viveria."
Quando o jovem e reformado rei Ezequias veio ao trono de Judá no oitavo século: "Ele removeu os mais altos palácios, e quebrou as imagens, e matou os seres rastejantes, e quebrou as serpentes de metal que Moisés havia feito; e naqueles dias as crianças de Israel acenderam incensos para ela; e ele chamou Nebushtan."( Reis 18.4)
O complemento "-an" ao final significa que o ídolo possui duas serpentes sobre um bastão, as familiares serpentes entrelaçadas dos discípulos que sobreviveram no caudeceu de Hermes e os serviçais de Asclepias. A idéia de um ídolo serpente era abominável aos editores do "Dicionário Bíblico Ocidental", 1897:conforme o verbete "Nehushtan".
Serpente: Novo Testamento
A conexão da serpente com o Diabo é muito reforçada no Novo Testamento. Em "Mateus 23:33", Jesus observa "Serpentes, gerações de víboras, como podemos escapar da dominação de Gehenna?" ("inferno" é normalmente a tradução para "Gehenna"). Contudo, a tradução mais correta para "Gehenna" não é inferno, e sim um local afastado onde se depositava o lixo produzido nas cidades. A serpente é usada como um símbolo voltado para o demônio, para o mal no Catolicismo e no Protestantismo, mas não em determinadas vertentes cristãs.





Embora seja usada como símbolo de regeneração e Imortalidade, a serpente, quando formando um anel com a cauda em sua boca, é também um claro símbolo da unidade em tudo e todos, a totalidade da existência.
Serpentes envolviam os seguidores de Hermes (o caduceu, ) e de Asclepius, onde uma única serpente envolvia o cedro. No caduceu de Hermes, as serpentes não eram simetricamente gêmeas, elas pareciam adversárias. As asas sobre o cedro são identificadas como asas mensageiras; Hermes o Mercúrio para os romanos, que era o mestre da diplomacia e retórica, de invenções e descobertas, protetor dos comerciantes e dos aliados e na visão dos mitologistas, dos ladrões.
Na Antiguidade clássica, com avanço no estudo da alquimia, Mercúrio foi reconhecido como o protetor destas artes e outras informações 'ocultas' em geral, " Herméticas".
Assim a Química e a medicina associaram o bastão de Hermes com os discípulos do curador Asclepius, que era envolvido por uma serpente; o bastâo de Mercúrio e o moderno símbolo médico, que podia simplesmente ser o bastão de Asclepius, tornou-se um bastão do comércio. o historiador de arte J. Friedlander, em O Bastão dourado da Medicina: A História do Símbolo caudeceu na Medicina(1992) coletou centenas de exemplares de caudeceus e bastões de Asclepius e descobriu que as associações profissionais eram mais relacionadas aos bastões de Asclepius , enquanto as organizaçõs comerciais na área médica eram mais relacionadas ao caudeceu.
Uma similar conversão de bastão para serpente foi experimentada por Moisés e mais tarde seu irmão Aarão: E 0 Senhor lhe disse, O que você tem em suas mãos? E este respondeu, um bastão. E foi lhe dito para por o bastão no chão. O bastão estava no chão, e transformou-se em serpente; e Moisés cobriu-o antes. E o Senhor disse a Moisés, Ponha a mão sobre ela e pegue-a pela cauda. E ele pos a mão sobre ela e a pegou pela cauda, e ela transformou-se em um bastão em sua mã( Êxodo 4:2-4).



(pt.wikipedia.org/www.gargantadaserpente.com)