sexta-feira, 3 de abril de 2009

Deusa Hathor


OS LOCAIS DE CULTO

Desde a primeira dinastia (3100-2890) que existe evidencia de Hathor no culto real. Há vestígios de um culto anterior, à Deusa Bast, que apresentava chifres e orelhas de vaca que esteve na origem do culto a Hathor.
O templo mais importante dedicado a Hathor situava-se em Dendera. Aqui era vista como a deusa do amor, da fertilidade e dos nascimentos.
Edfu era o outro local onde Hathor era cultuada, associada a Hórus , seu marido e filho. Hórus era o Deus Falcão, associado ao Ceú. Hathor passa então a ser vista como a “Senhora do Céu” . Como o Faraó era associado a Hórus, Hathor passou a ser considerada como a mãe divina. Um dos títulos do Faraó era “O Filho de Hathor”. Como mãe de Hórus, também a rainha do Egito se identificava com ela. A rainha era a mãe do Faraó, o Horus vivente.




OS ATRIBUTOS DA DEUSA HATHOR

A Deusa Hathor era uma divindade objeto dos mais diversos atributos. Era uma das deusas mais veneradas em todo o Egito e ao longo de toda a sua história. Como deusa, era objeto de devoção, não somente dos nobres, mas também dos mais humildes.
Hathor aparece como uma deusa ligada ao amor, ao erotismo, à fecundidade, à maternidade e aos nascimentos. Acreditava-se que quando uma criança nascia sete Hathores vinham à sua beira anunciar o fato. As sete Hathores conheciam o destino da criança e inclusive o momento da sua morte. Acreditava-se que no caso de um príncipe nascer com um mau destino, as Hathores trocavam-no por outra criança mais afortunada, protegendo assim a dinastia da nação.
Hathor também aparece associada à alegria, ao vinho, à dança e à música. Um dos símbolos da deusa Hathor era um instrumento musical, o sistro.
Hathor também era uma deusa com forte ligação ao faraó. Daí o seu culto ter sido fortemente incentivado. Como Senhora do Céu, era a esposa e mãe de Hórus e por isso a identificação do casal real com a deidade divina (Hathor e Horus).
Noutro contexto, Hathor era a senhora do ocidente. A zeladora da vida que em contexto funerário recebia os faraós no além. Era ela que acolhia o morto no dia do funeral e assistia à passagem do cortejo fúnebre, deixando o morto penetrar no além. Daí ser a senhora da necrópole de Tebas, a protetora dos defuntos.
A crescente popularidade do culto à Isis e Osíris levou a que esta deidade detivesse algumas funções de Hathor, acabando estas por fundir-se numa única divindade. É frequente Isís exibir uma simbologia própria de Hathor.



AS REPRESENTAÇÕES DA DEUSA

Hathor, tal como a maioria das divindades egípcias, pode adoptar diferentes formas de representação, mas aparece geralmente associada à figura de uma vaca. Pode aparecer como uma vaca com um disco solar entre os chifres; uma mulher com orelhas de vaca; uma mulher com orelhas de vaca e um disco solar; uma mulher com chifres e um disco solar. Também é frequente que a sua representação se identifique com o sistro, um instrumento musical, cujo som era semelhante à brisa nos papiros e que se acreditava que acalmava a ira dos deuses. Hathor era a deusa da dança e da alegria e o sistro era um instrumento indispensável nas suas festas, pelo que a representação deste instrumento aludia à deusa. Também os espelhos cosméticos se apresentavam com o cabo em forma de um sistro já que Hathor era também a deusa da beleza e das mulheres.




AS FESTAS RELIGIOSAS

Na festa mais popular em honra de Hathor, esta reunia-se temporariamente com o seu marido, Horus e produziam um filho, Horsontus, dando origem à festa da “Boa Reunião”. Nesta festa, Hathor viajava através do Nilo e consumava o casamento divino com Horus, que a aguardava em Edfu. Durante três semanas, Hathor ficava afastada de Dendera. Os egípcios participavam alegremente nestas festividades. A procissão descia o Nilo, ao longo de sessenta quilômetros e a barca, “A Bela de Amor”, transportava a estátua da deusa. Em Edfu, os sacerdotes preparavam o encontro no exterior do santuário. Este encontro ocorria à oitava hora do dia da lua nova do 11º mês do ano. Durante as festividades a deusa era saudada e aclamada com música tocada em sua honra. Seguidamente, dirigiam-se para o santuário onde os sacerdotes colocavam as barcas fora da água. Aí, Hathor saudava Ré, o sol, em companhia de Horus. No dia seguinte iniciava –se a festa de 14 dias, onde se realizavam rituais, sacrifícios, celebrações, etc. No final do banquete, Hathor e Horus separavam-se e declarava-se o fim das festividades.



OS CONTOS MITOLÓGICOS

Segundo uma das lendas mais populares do antigo Egito, A Lenda da Destruição da Humanidade, Ré, o grande Rei dos deuses e dos homens, pai de Hathor, envelheceu. Os homens aproveitaram-se da sua fraqueza e começaram a conspirar contra ele. Ré, sem saber como proceder, convocou os outros deuses. Estes aconselharam-no a mandar o seu olho, sob a forma de Hathor ao deserto, onde os homens com medo de Ré se haviam refugiado. Hathor dirigiu-se ao deserto e massacrou muitos homens, o que preocupou Ré, que temia que a humanidade inteira ficasse destruída. Ré apenas queria dar uma lição aos homens. Então Ré lembrou-se de misturar cerveja com ocre, para que parecesse sangue e espalhou esta mistura sobre os campos. Hathor pensou tratar-se de sangue e sorveu avidamente a mistura ficando embriagada. Quando ficou sóbria, a sua fúria havia desaparecido e Ré recebeu-a como o seu olho, o Sol. Desde aí, as servas passaram a preparar bebidas à Deusa. Assim Hathor passou a ser venerada como a Deusa do Vinho.
Este conto pertence ao Vale dos Reis, ao Império Novo e tem o título de “Livro da Vaca do Céu”.


A Deusa Hathor passa a ser venerada como duas faces da mesma natureza:
A irada, cheia de ódio e violência, adorada na sua transfiguração em Sekhmet; e a doce e satisfeita Hathor.

Noutro conto onde intervém Hathor, relatam-se as lutas de Hórus e Set.
Ambos queriam ser sucessores de Osíris e por isso compareceram perante Ré, o Senhor do Universo. Chu, Isis e Thot achavam que Hórus deveria ser o sucessor, mas Ré não estava convencido. Acusou Hórus de ser fraco. Os outros deuses ficaram zangados e Babai insultou Ré dizendo-lhe que o seu santuário estava a ser desprezado. Ré encolerizado atirou-se ao chão cheio de raiva. Foi Hathor quem salvou a situação. Como bela deusa que era, conhecedora das fraquezas do pai, foi para o jardim, tirou as roupas e exibiu os seus encantos. Ré riu-se e recuperou o bom humor. Saiu do jardim, convocou mais uma vez o Conselho dos Deuses e ordenou a Horus e Set que se defendessem. No final Hórus triunfou e derrotou Set. Esta vitória significou o triunfo do bem sobre o mal.
Hathor aparece-nos neste conto como uma deusa sedutora, cheia de lascívia, mas cujo contributo foi fundamental para acalmar a ira de um deus colérico. Ré acabou por se distrair, refletir e agir de forma ponderada.





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