terça-feira, 31 de maio de 2011

Um conto de Samhain


Lyla sentou-se no chão e olhou para o céu claro, limpo e estrelado. O reflexo da Lua cheia na água fez Lyla pensar numa pérola. Redonda e branca... mas logo as crianças chegaram, e sentaram ao seu redor, interrompendo seus pensamentos. Sorrindo, Lyla olhou para cada uma deles.

Comecemos? Vou contar para vocês a estória de como o Cornudo se sacrifica todos os anos para garantir força à Grande Mãe, para que esta possa vencer o frio do Inverno. Estão prontos?' As crianças acalmaram-se para ouvir Lyla. 'Não foi a muito tempo que aconteceu. O Sol sumia no Oeste, e as aves noturnas já deixavam seus ninhos, umas ameaçando cantar. Debaixo das árvores, correndo para suas tocas, os pequenos animais apressavam-se, fugindo do frio cortante que se faria presente em pouco tempo. Aquela era a época do Cornudo, e só as criaturas mais fortes sobreviveriam a inverno tão rigoroso.

O Sol baixou, baixou, até que só se via uma fina linha de separação entre céu e Terra no horizonte, e tudo ficou avermelhado, com um ar mais mágico. E então, a luz se foi. A Lua estava crescente no céu, e um vento gelado começou a correr por entre os troncos seculares das árvores. Ouve-se, agora, o som de uma flauta...som tão límpido e cristalino, que a superfície do lago, antes parada, tremulou ao som da melodia alegre.

Todos os animais da floresta pararam para ouvir o som da flauta, e mesmo as aves noturnas cessaram seu canto orgulhoso. E por entre as árvores, a flauta se fez ouvida em toda a floresta. E mais nada, além do som doce da flauta. Atravessando o lago, um pouco depois do Grande Carvalho, estava a fonte de tal encantamento. Sentado numa pedra coberta de limo, balançando ao som da flauta de bambu, um ser robusto, com tronco e cabeça de homem, pernas cobertas de pêlo, cascos de cavalo e grandes chifres pontiagudos.

Observava a donzela que dançava ao som de sua música, logo à sua frente. Tinha longos cabelos claros, lisos, que escorriam até a altura da cintura.Os fios sedosos acompanhavam os movimentos da dança, pés habilidosos moviam-se descalços sobre a grama. A Deusa nunca havia estado tão bela quanto naquela noite.

Os dois brincavam nus, na noite fria da floresta, e alguns animais sejuntavam ao redor da clareira. Cansada, a Donzela sentou-se, e olhando para o Cornudo, esperou que a música acabasse.

Quando o Deus afastou a flauta de seus lábios, as figuras dos animais e da Donzela desapareçam... meras lembranças. A Deusa agora recolhia-se grávida no Mundo Subterrâneo, guardada por seus familiares, pronta para dar à luz dentro de tão pouco tempo. Era necessário que o Sol Novo nascesse. O Cornudo levantou-se com tristeza e caminhou até o lago, para observar seu reflexo.

Já estava velho e fraco, mas ainda continha grande energia... energia necessária para que a Deusa agüentasse o parto que se seguiria em menos de dois meses. Já não podia continuar a viver... a Terra precisava de seu sangue, e o Sol Novo de sua energia. Um grito ecoou em sua mente: a Deusa sofria. Aquele era o momento certo. O Cornudo olhou para os céus, e olhando para a mata, despediu-se de sua casa. Tambores rufaram quando Ele ergueu suas mãos e pronunciou as palavras secretas. Houve uma explosão, e Ele desapareceu.

Aqui, numa clareira nas montanhas, já distante da floresta, ouviam-se os tambores de guerra. Uma música rápida e repetitiva tornava o ar agressivo. Também com uma explosão, o cornudo surge no centro do círculo, um olhar decidido em seu rosto.

O Velho Cornudo tinha agora em suas mãos uma adaga ritual, e quando Ele alevantou apontada para seu peito os tambores cessaram. Cernunnos fechou os olhos, e o momento se fez silencioso... aqueles segundos duraram milênios

... O Cornudo levou a adaga a seu peito, e os tambores voltaram a tocar.

Quando a lâmina fria rasgou a carne do Deus, não houve um grito, sequer um sussurro de dor... apenas o som do sangue derramando-se sobre a terra. O Cornudo ajoelhou-se, com calma em seu olhar. Com as próprias mãos, abriu a ferida para que os espíritos recolhessem o sangue.

Quando o círculo tornou-se silencioso novamente, e todos os espíritos partiram, o Deus deitou e virou-se para as estrelas, e esperou que a paz voltasse a reinar sobre a floresta. Ainda sentia o sangue escorrendo para fora de seu corpo, e regando o círculo sagrado em que repousaria para sempre.

E do solo, ou talvez de lugares além das estrelas mais distantes, elevou-se um cântico, murmurado e pausado ... talvez fossem as pequenas criaturas do subsolo, ou ainda as estrelas, despedindo-se de seu Deus.

"Hoof and Horn, Hoof and Horn

All that Dies Shall be Reborn.

Corn and Grain, Corn and Grain

All that Falls Shall Rise Again."

O Cornudo morreu sorrindo, sabendo ser a semente de seu próprio renascimento. E Ele pode sentir sua energia retornando ao útero da Grande Mãe, que agora deixava de sofrer...

Os espíritos, então, romperam a barreira entre os dois mundos, e caminharam por sobre a Terra, espalhando o sangue e a força do Deus, para que pudéssemos sobreviver através dos tempos difíceis que se aproximavam.' Lyla limpou uma lágrima que escorria de seu rosto. As crianças ainda ouviam atentas.

'É por isso que os espíritos vêm ao nosso mundo nessa noite tão escura...

Eles trazem consigo um pouco do sangue do Deus Cornudo, que só renascerá no Solstício de Inverno. Trazem conselhos, proteção e promessas de que nos irão guiar durante todo o período escuro do ano. Devemos, portanto, saudar os espíritos, porque, sem eles, a semente do renascimento não seria espalhada.

Agora vão para a Casa Grande, vamos começar o ritual.

Lyla deixou que as crianças corressem na frente em direção à Casa Grande. Parou no meio do caminho, e deixou que seus ouvidos escutassem os sons do além. E de algum lugar chegou aos ouvidos de Lyla um cântico... 'Hoof and Horn, Hoof and Horn...


E Lyla caminhou para a Casa Grande.



(Infelizmente desconheço o autor)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Atitudes diante da Morte

Falar da morte é muito difícil, pois é algo que acontecerá conosco sem dúvida, em algum momento, o comportamento humano, gera suas adaptações e suas defesas para enfrentar sua finitude até as últimas consequências.

A finitude é algo que choca, apesar de seu conceito ser tão conhecido quanto da própria vida.

Falaremos hoje sobre os estágios que, segundo Elisabeth Kübler Ross, um paciente em fase terminal enfrenta quando tem absoluta certeza que o seu tempo de vida está contado.

1- Estágio da Negação e Isolamento: A negação é uma defesa temporária, a maioria dos pacientes e , muitas vezes a própria família, não se serve da negação por muito tempo, e o que é negar? É tentar acreditar que não está com a doença, mascará-la na tentativa de encobrir sua crescente depressão.

Em geral, só muito mais tarde é que o paciente lança mão mais do isolamento do que a negação. O isolamento faz parte do processo, pois é como se o paciente desse um tempo para ele mesmo, para amadurecer tudo que está acontecendo com ele, tudo que fez até aquele momento, refletir sobre a notícia recebida, enfim, tentar amadurecer e entender o lhe foi dito sobre seu diagnóstico.


2- Estágio da Raiva: Quando não é mais possível manter firme o primeiro estágio de negação, ele é substituído por sentimentos de raiva, de revolta e de ressentimento. Frase como:” os médicos não prestam, são incompetentes”, ou constantes desentendimentos com os enfermeiros, atitudes poliqueixosas , sentimento de impotência, principalmente em pacientes que controlavam tudo a vida inteira, de solidão e de sentir que o tratam com descaso, sente-se só e tem necessidades de afeição, de orar e de conversar sempre para sentir-se vivo, de ser tratado com dignidade pois vêem nos olhos e nas atitudes das pessoas o sentimento de piedade.


3- Estágio da Barganha: Se no primeiro estágio o paciente não conseguiu enfrentar os tristes acontecimentos, revoltando-se contra Deus e as pessoas, nessa fase procura algum tipo de acordo para que adie o desfecho inevitável. A barganha à Deus é uma tentativa de adiamento, inclui promessas e cobranças por ter sido uma boa pessoa, podem estar associadas a uma culpa recôndita.


4- Estágio de Depressão: A depressão surge quando paciente se depara, com a possível sensação de que estaria sendo, um estorvo para a família no momento (mesmo que ele não seja), e quanto perdeu e quanto perderá em sua vida, surge a sensação de que não há mais nada por fazer.


5-Estágio da Aceitação: Como o próprio nome sugere, é quando o paciente começa a aceitar sua finitude, quando ele teve a possibilidade de externar seus sentimentos de raiva, inveja, lamentado pelos lugares que conheceu e não conheceu, lamentar pessoas e lugares queridos, contemplará seu fim de formas tranqüila, sentirá necessidade de cochilar, de dormir com freqüencia. Se o paciente tem uma crença religiosa, esse processo se dá de forma mais tranqüila, com uma aceitação maior.



(Fonte:www.linkativo.com)