domingo, 15 de janeiro de 2012

Parte 3 - Debate entre Freud e Jung - O Rompimento


Ao voltar de uma série de conferências que realizou nos Estados Unidos, Jung escreve a Freud entusiasmado com as modificações que fez na teoria psicanalítica, particularmente em relação à teoria da libido. Ele acreditava que a sua nova versão da psicanálise havia conquistado a simpatia de muitas pessoas que até então estavam confusas com o problema da sexualidade na neurose.

Freud agradece, cordialmente, as notícias sobre a situação da psicanálise nos Estados Unidos, mas indica que "a batalha não seria decidida lá" e critica a atitude de Jung em reduzir as resistências com suas modificações teóricas, sendo taxativo ao dizer que ele não deveria vangloriar-se disso. Freud não hesita também em adverti-lo de que, "quanto mais se afasta do que é novo em psicanálise, mais certeza se tem do aplauso e menos resistência se encontra".

A primeira carta de Freud a Jung, do ano de 1913, contém a proposta de que abandonassem, por completo, suas relações pessoais. Freud diz, nessa carta, que "um homem deve subordinar os seus sentimentos pessoais aos interesses gerais do seu ramo de empreendimentos".

As cartas revelam que Freud, apesar de várias tentativas, não conseguiu convencer Jung do equívoco de sua teoria. É visível também o esforço de Freud em separar a teoria da amizade, elogiando por diversas vezes o livro de Jung. Portanto, essa radical tomada de posição de Freud distingue a psicanálise, definitivamente, da teoria mística de Jung. 

É verdade que eles, ainda assim, continuam se correspondendo, porém nenhuma referência mais, no sentido da vida pessoal de cada um, é citada. Discutem, basicamente, questões institucionais, publicações e os preparativos para o Congresso de Munique, que seria realizado nos dias 7 e 8 de setembro de 1913.

Jung visitou a Inglaterra no princípio de agosto, com o objetivo de apresentar trabalhos na Sociedade Psicomédica de Londres e no 17º Congresso Internacional de Medicina. Apresentou suas divergências com a teoria freudiana da neurose, propondo que a teoria freudiana fosse libertada do ponto de vista puramente sexual e, em seu lugar, fosse levado em conta o "ponto de vista energético".

(por Kátia Mariás Pinto, Mestre em psicologia pelo Programa de Mestrado em Psicologia: Estudos Psicanalíticos (Fafich/UFMG)

Nenhum comentário: