quarta-feira, 8 de agosto de 2012

LIVRO: ADORMECER DO FOGO



 Divulgando o booktrailer sobre o livro do meu querido amigo Ben Green, "Adormecer Do Fogo".

Tá muito legal o vídeo, dá vontade de ler o livro cada vez mais, tô super ansiosa ! 

Sucesso em sua estréia querido ! 

Yv
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Quando se fala sobre literatura fantástica, logo nos vem à mente cavalarias, castelos e princesas em perigo. Nem sempre! O mais novo lançamento de Ben Green veio para sacrificar o clichê ao deus da criatividade. Página por página, tribos, cavernas, e relatos oculares deixam as páginas emocionantes e passam a povoar a imaginação do leitor. 
De forma inédita no gênero, os personagens de Adormecer do Fogo são de um tempo tão antigo que habitam cavernas e desconhecem a criação do fogo. São obrigados a preservar uma única chama de geração em geração, até que seus maiores inimigos apagam, não somente a labareda, mas suas chances de sobrevivência. 
Adormecer do Fogo já tem o lançamento oficial previsto para o 10 de Agosto de 2012. Em pleno inverno brasileiro, não poderia ser escolhida época mais significativa!

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

AFINAL QUAL É O PAPEL DO PSICÓLOGO NA SOCIEDADE?


Na simples visão do senso comum, a procura de ajuda psicológica depreende-se com um estado de loucura, de insanidade mental. Desengane-se quem confere veracidade científica a esta afirmação. A procura de um técnico de saúde mental abrange as mais diversificadas situações. Quem já não passou por situações de crise, de ruptura, momentos problemáticos ou de simples incerteza? 

Todas as pessoas, em qualquer momento da sua vida, passam por situações normativas, isto é, situações de transição comuns a qualquer sujeito. A entrada para a faculdade, a procura de um emprego, o início de uma vida a dois, o casamento, o nascimento do primeiro filho, são pequenos exemplos ilustrativos que marcam cada pessoa que por estas situações passa. A questão coloca-se na forma como cada um de nós é capaz de se confrontar com a mudança e nos recursos psíquicos que mobiliza para tal. 

Todos temos diferentes capacidades, distintos modos de lidar com as mesmas situações. Momentos há em que não encontramos recursos disponíveis para dar aso aos problemas, entrando numa chamada “situação de crise”. É uma espécie de conflito psíquico, onde interagem diversas forças de polaridade oposta. É no seio deste conflito que pode intervir um psicólogo, ajudando o sujeito a encontrar as melhores opções, reorientando, apoiando e promovendo novas descobertas até então desconhecidas. 

A conquista de um novo território pode ser agora feita sem medos nem quaisquer receios, pois existe sempre um apoio incondicional que promove a mudança. É este o lugar do técnico. O de suporte, auxílio. Posso afirmar que mais de 80% da população não recorre a um psicólogo quando sente necessidade, a maioria das vezes por falta de recursos financeiros. 

Esta atitude contribui para o despoletar de uma grande parte das doenças mentais, pois um caso que poderia ser aparentemente simples de se resolver, quando nos chega a solicitar intervenção tem já uma longa história desenvolvimental. Esta é uma conjuntura grave que se poderia tentar colmatar caso houvessem mais apoios e co-financiamentos promovidos pelas entidades governamentais. 


 (por Liborio para Filmes, Livros e Psicologia)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Os benefícios da Música


Independentemente do som que você curta, todo mundo precisa de alguma coisa para escutar. Um mundo sem canções seria algo sem graça, pois, as melodias e harmonias fazem parte de nossas vidas. Em uma vida contemporânea cada vez mais barulhenta, elas se tornam cada vez mais necessárias. Vai dizer que você nunca ouviu alguma música que lhe tranqüilizou? Ou, alguma que fez com que respirasse fundo, pois retratava algum momento especial da sua vida? Pois é, muitas canções, através de suas palavras e notas musicais nos remetem a uma sensação de paz e felicidade e nos transportando para um estado até mesmo de graça.

Não é de hoje que o homem sabe que a música faz bem para a sua saúde. Desde a Grécia antiga já havia estudos sobre isso. O filósofo Aristóteles, por exemplo, no século V a.C, reparou que as canções causavam uma influência positiva sobre o corpo humano e passou a utilizá-las para ajudar pessoas que sofriam com problemas psicológicos. 

Em 1500 a.C, Papiros de Kahun, percebeu que a música trazia benefícios a mulheres grávidas e passou a usufruir dela, para ajudar durante a gestação. Mas, foi somente após a primeira guerra mundial, que as melodias passaram a serem utilizadas em hospitais como terapia para veteranos de batalhas. A partir de então, essa ciência não parou de evoluir.


É bom que as crianças ouçam músicas. 
Nos dias atuais existem até cursos que formam profissionais que tratam pacientes com problemas físicos, mentais e sociais através do uso da música e sons. Através da utilização de instrumentos musicais, vocais ou ruídos é possível tratar diversos problemas. Portadores de distúrbios da fala, além de pessoas com deficiências auditivas, mentais, estudantes com dificuldades de aprendizado ou até mesmo pacientes com câncer ou aids, podem ser tratados por musicoterapeutas, que são os profissionais que estudam essa área.

Pelo forte impacto causado pela música no cérebro humano, recomenda-se que ela seja introduzida na vida das crianças desde cedo. Ela ajuda na prevenção de mal de Alzheimer e reduz a ansiedade e a solidão podendo assim evitar a depressão. Por diminuir o estresse, ela permite que o corpo fique mais relaxado, deixando o sistema imunológico livre para trabalhar no seu potencial máximo, ajudando assim a combater doenças cotidianas: como gripes e resfriados.


São inúmeros os benefícios que a música traz para nossa saúde e mente. Ela nos torna mais humanos, nos ajudando a entender o sentimento do próximo, melhorando o relacionamento com as pessoas. Através da música é possível protestar, impor uma opinião, mover multidões, podendo assim mudar toda uma geração. A música não faz bem somente a uma pessoa e sim ao mundo todo. Respeitando o gosto de cada um e não abusando da altura do som, a música só tende a lhe te fazer o bem. Por isso cante, ouça, sinta todo o poder que um som pode trazer.

(por Gabriel Ribeiro da Silva de Filmes, Livros e Psicologia)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A PSICANALISE DOS CONTOS DE FADAS.


As histórias de contos de fadas são muito mais importantes para o desenvolvimento das crianças do que se pode supor por mera intuição. Ao mesmo tempo em que as divertem, os contos também as esclarecem sobre si próprias e favorecem o desenvolvimento de sua personalidade. Longe de serem apenas histórias "inocentes", elas são autênticas obras de arte, com profundos significados psicológicos. 

Muitos desses contos são analisados na obra "A psicanálise dos contos de fadas", de Bruno Bettelheim. Nesta obra o autor demonstra que para dominar problemas psicológicos do crescimento, tais como decepções narcisistas, dilemas edipianos, rivalidades fraternas, etc., a criança precisa entender o que está se passando dentro de seu eu consciente para que também possa enfrentar o que se passa em seu inconsciente. Isso, no entanto, não é alcançado através de uma compreensão racional, mas sim através de devaneios, de fantasias.


Tanto na criança quanto no adulto, se o inconsciente é recalcado e nega-lhe passagem à consciência, a mente consciente da pessoa sofrerá intervenções de derivativos desses elementos inconscientes, que tentarão a todo custo se tornar conscientes. Mas quando esse material tem, até certo ponto, permissão de emergir ao nível de consciência e ser trabalhado pela imaginação, seus danos potenciais ficam muito reduzidos, e podem até ser colocados a serviço de propósitos positivos (sublimação). 

Por mostrarem também o lado perigoso da vida, os contos de fadas são muito mais realistas do que determinadas histórias modernas para crianças. Alguns pais pensam que apenas imagens positivas devem ser mostradas às crianças, como se a vida fosse apenas flores. Mas a criança já sabe que as coisas não são assim. A criança sente seus impulsos agressivos, seus desejos de destruição dos pais ou dos irmãos, por exemplo. Elas sabem que não são sempre boas, e se os pais insistem em não lhes revelar como as coisas realmente são, isso "torna a criança um monstro a seus próprios olhos."


As histórias chamadas "seguras" procuram evitar problemas existenciais e não mencionam nem a morte e nem o envelhecimento. O conto de fadas, ao contrário, "conforta a criança honestamente com as dificuldades humanas básicas." Muitas histórias começam com a morte da mãe ou do pai, o que cria problemas angustiantes para os personagens, da mesma forma que o simples temor de perder seus genitores angustia a criança na vida real. Outras importantes características dos contos de fadas é que neles o mal é sedutor, atraente (como a rainha em "Branca de neve" ou o lobo em "Chapeuzinho vermelho"), e que as personagens não são ambivalentes, isso é, boas e más ao mesmo tempo. 

Nos contos o que predomina é a polarização, assim como acontece na mente da criança. A polarização significa que não existem personagens que sejam bons e maus ao mesmo tempo, mas sim que eles são ou bons ou maus. A criança não teria maturidade ou capacidade suficiente para discernir o caráter de um personagem que fosse ambivalente. Além disso, ela vê dessa forma (polarizada) os seus próprios pais. Ela não pensa que aquela mãe que sempre satisfez os seus desejos quase que imediatamente através do efeito mágico do seu choro, quando mais nova, seja a mesma que agora está lhe fazendo exigências e não lhe atende em todos os seus pedidos, à medida que cresce. Nos contos essa polarização da mãe, por exemplo, aparece representada no par bruxa (madrasta)\mãe boa. A bruxa é a parte da mãe que lhe faz exigências ou representa uma ameaça, e a mãe boa é aquela que satisfaz os seus desejos a todo instante e lhe oferece conforto e proteção.


Uma das mais importantes características dos contos de fadas é que eles oferecem esperança às crianças. Contos morais, como fábulas, por exemplo, são mais adequados aos adultos do que aos pequeninos. Apesar de seu inegável valor pedagógico, contos como "A cigarra e a formiga", por exemplo, ensinam o que é correto, mas não oferecem esperança de que se possa reparar os próprios erros. Nesta fábula a cigarra simplesmente fica do lado de fora da casa das formigas como punição por sua atitude inconseqüente no inverno. 

Os contos de fadas, por outro lado, sempre mostram que é possível tentar novamente e acertar da próxima vez. Cada história é apropriada a uma fase de desenvolvimento específico da criança, e ela irá se identificar com aquela que naquele momento lhe fala diretamente ao inconsciente e lhe auxilia a solucionar os problemas de crescimento pelos quais está passando. Contos como "João e Maria", por exemplo, retratam o empenho das crianças em se agarrar aos pais, quando chegou o momento de encararem o mundo por si mesmas, e de como lidar com a voracidade oral (eles comem a casa de broa da bruxa). "Chapeuzinho vermelho" já apresenta alguns problemas de "João e Maria" como solucionados (Chapeuzinho leva a cesta de comida para sua avó e não se sente tentada a devorá-la, o que aconteceria com João e Maria), mas apresenta outros problemas peculiares a uma fase posterior de desenvolvimento, como a curiosidade sexual representada pela cena dela na cama com o lobo.

A história dos Três Porquinhos trata principalmente da questão “princípio de prazer versus princípio de realidade”. Ele ensina às crianças que elas não devem ser preguiçosas e fazer as coisas de qualquer maneira, pois isso pode levá-las a perecer. As casas dos três porquinhos e suas ações simbolizam o progresso do homem na história (palha, madeira e tijolos) e, psicanaliticamente, o progresso da personalidade dominada pelo id (princípio de prazer) para a personalidade influenciada pelo superego (mas essencialmente controlada pelo ego). O primeiro porquinho faz sua casa rapidamente porque quer mais tempo para brincar, quer prazer imediato (id, princípio de prazer). O segundo constrói uma casa mais elaborada, mas também de forma imprudente, porque não consegue dominar completamente o princípio de prazer. Somente o terceiro porquinho, já suficientemente maduro e regido pelo princípio de realidade, sabe adiar o momento de satisfação e despende um tempo maior para a construção de uma casa mais resistente e que lhe salvará a vida.


Em "Cinderela" temos representações de problemas da rivalidade fraterna (sendo Cinderela sempre maltratada e humilhada pelas irmãs mais velhas) e também de problemas edipianos. A situação de Cinderela de cair nas mãos da madrasta e passar por tudo que passou não é bem explicada nas versões da história que temos hoje, mas outras versões antigas difundidas pela Europa, África e Ásia sugerem que o que lhe sobreveio é decorrência de uma situação edipiana. Algumas versões relatam que ela fugia de um pai que queria se casar com ela. 

Outras contam que ela é exilada por um pai que a pune porque ela não lhe ama da forma que ele exige, apesar de amá-lo muito. Mas um outro tema muito importante dessa história é a angústia de castração, representado pela auto-mutilação das irmãs que tentam calçar o sapato de Cinderela e enganar o príncipe, cortando uma parte do próprio pé para isso (pois o sapatinho não cabe em seus pés, e a madrasta ordena a cada uma delas que corte ou o calcanhar ou o dedinho para tal). O sapatinho de Cinderela é um símbolo inconsciente da vagina, e a cena que representa o príncipe calçando o sapatinho em seu pé é um símbolo inconsciente do ato sexual, assim como o ato dos noivos que trocam alianças no altar numa cerimônia de casamento (o anel representando a vagina, o dedo representando o pênis. Maiores informações sobre esse simbolismo se encontram na obra de Bettelheim.). 

 (postado por Glauber Ataide in Marcadores: Psicanálise)