sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A Raposa...


"Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo."

#opequenoprincipe

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A rosa...


"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante." 
#opequenopríncipe

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Quando precisar de mim...


“Toda vez que precisar de mim
grite meu nome ao vento
ele me trará o recado.
Quando precisar de mim
ouça uma música suave
de olhos fechados.
Sempre que precisar de mim
olhe a lua
e a luz abraçará você como eu faria.
Se precisar de mim
dance na chuva
a água que correr em teu corpo
serão as lágrimas que choraria com você.
E se não houver
vento, música, lua ou chuva,
faça uma oração
e o meu anjo se unirá ao seu.
para lhe por no colo e
lhe dar conforto
sempre que você precisar de mim.“


(por Felipe Azevedo em "Borboletando na Alma e no Coração")

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

As Bruxas - Documentário completo (Dublado)

Documentário que narra a história das bruxas e da bruxaria da Idade Média até os tempos atuais. por AeE Network

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O alívio do Desabafo


Desabafar é bom 
(por Suzana Herculano-Houzel)

Ah, como é bom ter para quem contar as coisas. Outro dia cheguei em casa com fumacinhas saindo da cabeça, tamanha minha irritação com questões variadas no trabalho, que vim remoendo no caminho. Se meu marido não estivesse em casa, eu teria continuado insistindo mentalmente no assunto por um bom tempo, e só me irritando mais. 

Mas não: ele estava aqui, e me ofereceu seus ouvidos e comiseração. Era tudo de que eu precisava: uma oportunidade para meu cérebro finalmente executar o longo programa motor que ele vinha montando havia horas, desfiando e revisando minhas misérias do dia, e botar tudo para fora, em palavras, para então poder sossegar.

Por isso segurar um segredo dá tanto trabalho – e por isso contar é tão bom. Preocupações, assim como segredos, são representações mentais angustiantes, aflitivas, que levam à ativação de uma estrutura do cérebro especializada em antecipar problemas, o córtex cingulado anterior. Ativado, ele, por sua vez, dispara uma série de alarmes, parte da resposta ao estresse da preocupação, que deixam tanto corpo como cérebro tensos. Além disso, já que o cérebro sabe colocar seus pensamentos em palavras, ficamos remoendo a preocupação ou o segredo, ensaiando mentalmente sua versão motora, produzida pela boca. Mas, sem ter com quem desabafar, ou para quem contar, esse programa motor fica só na vontade, e não sai. E assim tem-se um cérebro cada vez mais aflito, que tem de fazer força cognitiva, atenta, para segurar ativamente suas palavras.


Por isso colocar tudo para fora é tão bom: assim o programa motor tão ensaiado é executado e não precisa mais ser segurado pelo seu córtex pré-frontal; assim o cingulado anterior pode soltar um “Ufa!” e desligar os alarmes que ajudavam o resto do cérebro a manter o controle. 

Essa é uma das razões pelas quais a psicoterapia pode ser tão boa: o simples desabafo. Claro, amigos, parentes, padres, e às vezes até a pobre da pessoa sentada ao seu lado esperando o ônibus também servem quando tudo o que se precisa é uma oportunidade para despejar as preocupações em palavras. 

Falar da gente mesmo é muito bom. Um estudo recente da Universidade Harvard mostrou que, tendo opção entre responder perguntas sobre os gostos e hábitos dos outros, sobre simples fatos, ou sobre si mesmos, os participantes preferiam falar do próprio umbigo – e até pagavam para escolher esta alternativa, e de dentro de um aparelho de ressonância magnética, onde só os pesquisadores viam suas respostas. A preferência por falar de si mesmo está relacionada a uma maior ativação das estruturas do sistema de recompensa, o que gera prazer.

Funciona mesmo quando segredo completo é garantido. Mas, seres sociais que somos, a ativação do sistema de recompensa é especialmente alta quando os voluntários sabem que suas respostas serão ouvidas pelo acompanhante que eles levaram para o estudo. Falar de si é bom, mas falar de si para os outros é melhor ainda.

Não é à toa, portanto, que a liberdade de expressão pessoal e de opinião é altamente valorizada. Não se trata apenas de um construto social ou cultural: o prazer de expressar seus próprios pensamentos e estado de espírito é real, mensurável, e vem lá dos cafundós do cérebro. E quando os próprios pensamentos são aflitivos, o desabafo ainda é um alívio só.

Uma ressalva, contudo: pelas mesmas razões, ficar revisitando e remoendo um mesmo problema meses a fio, ao longo de sessões e mais sessões de terapia, muitas vezes é um tiro no pé. É preciso saber deixar o problema ir embora. 


(Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/desabafar_e_bom.html)

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

De Nietzsche, tive que compartilhar...


"Criar é a grande emancipação da dor e o alívio da vida; mas para o criador existir são necessárias muitas dores e transformações. Sim, criadores, é mister que haja na vossa vida muitas mortes amargas. Sereis assim os defensores e justificadores de tudo o que é perecível. Para o criador ser o filho que renasce, é preciso que queira ser a mãe com as dores de mãe." 

(Friedrich Nietzsche, do livro "Assim Falou Zaratustra")

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

5 Anos Blog Metamorfose Ambulante !



Sobrevivendo em meio aos espinhos e com as asas debilitadas, o Blog Metamorfose Ambulante chegou aos 5 anos de vida no dia 8 de junho.
Sem medo das grandes mudanças, a roda não pode parar...
Obrigada aos seguidores do blog pelo carinho de sempre.
E agradeço aos meus inspiradores, que mesmo a distância, torcem por mim e pelo meu trabalho. Presentes em meu coração e minha mente, ajudando indiretamente a continuar...

Com carinho,

Yv Luna. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Ao meu amor...


(por Tico Santa Cruz)

Ao meu amor o meu crime. Meus defeitos. Meus vícios. Minha dificuldade de ser perfeito. Meu amor pleno. Minha loucura. Todas os meus erros. Minha vontade de ser melhor. Minhas intermitências. Pois o amor não é roteiro. E o romantismo da TV é uma mentira estúpida. Ao meu amor meu desejo de ser melhor. De vencer minhas dificuldades. Todos os dias de solidão e saudade. 
Ao meu amor, o sono perturbado. A insegurança da estrada. Os sonhos que construimos juntos. A blindagem. O respeito. A verdade. Do amor pleno. Desse que não precisa se expor para ter legitimidade. Pois a certeza não existe. O que existe é o desejo de estar junto. De construir uma família. Uma história. E quem disse que precisa ser como nos contos de fadas? 
Isso é uma farsa. 
Eu sou humano. E meu amor é humano e real. Dispensa essa fórmula patética. Vendida pela frustração. 
Meu amor não segue padrões, mas nem por isso deixa de ser amor. 
Pode estar a disposição da desconfiança, mas nunca estará ao espólio da razão. 
Pois o amor não é fórmula. Não é regra. Não é método científico com preceitos a serem cumpridos. 
O amor é superação. É lealdade. 
É união. 
Ao meu amor o meu crime.
Posso errar, mas estou certo do que quero pra minha vida. 
E quem quiser um amor perfeito... 
Que procure uma novela... um filme... uma saída. 
Eu amo, sem regras e não preciso de ninguém me dizendo como devo seguir o caminho. 
Eu amo porque o sentimento é real. 
Eu amo, mesmo quando estou sozinho. 
E se isso não for o suficiente. Pouco importa. É sincero e real. 
Meu amor é atemporal, não é amor de carnaval. 
E que assim seja. Independente dos rótulos e das maldições. 
Que perdure enquanto seja verdadeiro. 
E que precisar de provas. 
Estou aqui para comprovar que é o sentimento natural. 
O amor que não é natural, é farsa... e assim sendo terá um breve final.
Sigo acreditando. 
Sigo junto e que isso sirva de comprovação. 
De que estou por vontade própria 
e não pela obrigação. 
Amor.


(Todos os créditos ao autor: Tico Santa Cruz. Texto retirado da sua página do facebook: https://www.facebook.com/tico.s.cruz?hc_location=stream)

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Feliz Aniversário Raulzito !


"Metamorfose Ambulante, Maluco Beleza, não havia nada nesse mundo que Raul não soubesse demais… Ensinou ao mundo que Ciúme é Só Vaidade! Motivou muita gente com a letra de “Tente Outra Vez”. Místico, divulgou o ideal da Sociedade Alternativa em suas músicas. Ousado, deu conselhos até para Al Capone… rs Foi calado pela censura por ter cantado o Rock das Aranhas. Foi o início, o fim e o meio… Raul Seixas Para Sempre !

Feliz Aniversário Raulzito,
Não importa o plano astral que você esteja !"



(por O Universo Raulseixista em www.facebook.com/OUniversoRaulseixista)

sexta-feira, 21 de junho de 2013

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Filme: "Somos Tão Jovens" Renato Russo



Mostrando os primeiros anos musicais de Renato Russo, o longa "Somos Tão Jovens" tem Thiago Mendonça no papel do intenso líder da Legião Urbana. O longa dirigido por Antonio Carlos da Fontoura tem previsão de estreia para o dia 3 de maio.

domingo, 28 de abril de 2013

Delírio Licantrópico



O agricultor que queria ser lobisomem
(por Armando de Vicentiis)

Ele passa a acordar no meio da noite, com a irresistível tentação de uivar para a lua; afirma sentir o espírito dos lobos e crê que tem um dom – essa é uma situação típica de delírio licantrópico.


 

O camponês M. tem 38 anos. Mora em uma cidade do interior da Itália com a mãe, de 68 anos, e o pai, de 72, que também trabalham na pequena propriedade rural da família. Ele saiu raras vezes de sua cidade natal e seus relacionamentos com mulheres foram poucos e breves – nenhum deles durou mais de dois anos. Atualmente namora uma moça que vive nas proximidades, sete anos mais jovem, mas ainda não planejam casar-se ou morar juntos. Costuma levantar-se às 5h e passa a maior parte do dia trabalhando na lavoura com o pai; passeia com a namorada algumas vezes durante a semana. Apesar da vida aparentemente tranquila, M. tem uma característica muito peculiar: tem certeza de que, em determinadas noites, se transforma em algo parecido com um lobo.

O rapaz confessa que sempre foi apaixonado por histórias de fantasmas, vampiros e lobisomens. Durante a infância, ouviu uma série de casos, contados pelos avós paternos, já falecidos, sobre espíritos de animais que capturavam crianças. Os pais de M., inclusive, acreditavam que esses contos fantasiosos tinham um fundo de verdade. 

Sua mãe, além de ser muito supersticiosa e de acreditar na eficiência de pequenos rituais, como deixar uma moeda debaixo da cama para atrair dinheiro, crê que a licantropia também pode ser um privilégio divino. Segundo a psiquiatria, M. sofre de uma espécie de delírio em que a pessoa acredita ter sido transformada em lobo ou outro animal selvagem, imitando seu comportamento. O pai demonstra pouco interesse pelo assunto e acredita que se o filho tem uma doença a única opção é aceitá-la, como tudo o que é “enviado pelo Senhor”. Quando M. conta a sua experiência (e seus sintomas), a família apresenta reações curiosas: o pai se mostra passivo, como uma pessoa que já ouviu a mesma história muitas vezes; a mãe, ao contrário, fica feliz e quase orgulhosa, como se ouvisse, realmente, a revelação de um dom.


 


A MAGIA DO SINTOMA

Na realidade, M. sente que tem uma forte ligação com os lobos que outrora povoavam a região onde vive. Ele acredita que os animais visitam sua casa, o que considera, bem como sua mãe, um sinal de bom auspício e proteção. Conta que passa várias noites observando a lua cheia e resiste, com muito sacrifício, à grande tentação de uivar em resposta a um “estranho chamado”. Já a mãe afirma ter ouvido uivos ocasionais do filho, mas ele não confirma. Entretanto, está convencido de que acorda algumas vezes durante a noite e sente o próprio corpo “ligeiramente deformado”. Não fornece mais explicações sobre esta sensação, mas dá a entender que a suposta transformação física ocorre por causa do contato com os espíritos dos animais. A única coisa que parece perturbá-lo um pouco é o receio de perder o controle dessas intromissões e não conseguir voltar à “forma humana”. 

O que constatamos é uma manifestação anômala de delírio licantrópico, vivido de maneira singular, tanto pelo paciente como por seus familiares; uma patologia completamente integrada à vida cotidiana, vivida, sustentada e reforçada por um contexto cultural repleto de crenças em fenômenos paranormais e em magia. Um círculo vicioso no qual doença e cultura se alimentam e se reforçam, a tal ponto que realidade e psicopatologia se tornam relativas e o mal-estar psíquico assume características subjetivas.

Para ter uma visão mais ampla do caso de M., seria interessante compreender a psicopatologia que o acomete. Trata-se, em geral, de uma forma de alteração do conteúdo do pensamento, mas não da sua forma. Por isso a pessoa parece lúcida e coerente e não apresenta dificuldades cognitivas.

As alucinações podem se revelar por meio de diferentes temáticas: delírio de poder (a pessoa se identifica com um personagem poderoso da história, como Adolf Hitler, o rei Átila ou Napoleão Bonaparte); de ciúme (o paciente tem a convicção de que é traído pelo parceiro); paranoide (a pessoa acredita ser objeto de perseguição ou da ameaça de alguém); de erotomania (o indivíduo tem certeza de que um personagem distante, na maioria das vezes famoso, envia mensagens cifradas de amor pelo rádio e pela televisão).

Outros temas delirantes podem surgir associados a síndromes bastante raras, como a de Cotard, que consiste na negação (“não tenho mais uma alma, não tenho mais corpo”), e a de Capgras, conhecida também como “síndrome do sósia”, em que o paciente tem a convicção de que parceiros, amigos, parentes e outras pes-soas significativas de sua vida foram substituídos por seres fisicamente idênticos.

O delírio licantrópico caracteriza-se pelo fato de a pessoa acreditar que o próprio corpo, ou parte dele, esteja se transformando e assumindo a forma de um animal, ou que a alma tenha sido possuída pelo espírito de um bicho. O lobo é uma figura constante nesse tipo de perturbação – essa preferência tem uma provável (e muito remota) origem antropológica.



PATOLOGIA E CULTURA

As lendas sobre licantropos (do grego lykos, que significa lobo, e anthropos, homem) ou lobisomens (do latim lupus hominarius), estão presentes em muitas culturas. Nesse caso, superstições e delírio andam lado a lado, o que dificulta o diagnóstico. Além disso, acredita-se que a popularidade mitológica do lobisomem tenha influenciado a expressão clínica desse tipo de delírio. E é sobre essas bases antropológicas que as alucinações podem se instalar, como ocorreu com M.

Em seu caso, não há nenhum pedido de ajuda para alterar sua condição. O paciente ou sua família não veem a situação como um problema, mas como um dom que deve ser protegido de curiosos e de estudiosos que, em busca de explicações e/ou interpretações, especulam sobre diagnósticos que, para eles, não parecem importantes. A família vive uma situação tranquila, envolta em mistério e caracterizada por uma sutil ansiedade, afinal são testemunhas e participantes de uma dimensão insólita, diferente, que ultrapassa os limites da rotina que se resume em despertar às cinco da manhã e trabalhar, trabalhar e trabalhar.

A identificação do paciente com os animais, o fato de se sentir ligado a eles por meio de algum vínculo misterioso e a certeza indissolúvel de que entra em contato com o espírito dos lobos que já povoaram as terras onde vive hoje apontam para o diagnóstico de delírio licantrópico. Definição correta do ponto de vista do diagnóstico, mas que perde significado se realizada em um contexto em que, do ponto de vista cultural, o fenômeno é considerado verdadeiro. 

O caso tem, portanto, uma dupla leitura: uma psicopatológica, que vê o paciente cujo pensamento se enrijece em uma interpretação errônea da realidade, uma visão que não se modifica pela lógica; e a outra de natureza antropológica, que vê a cultura como elemento fundamental na escolha do que deve ser considerado normal ou patológico.
A qualidade do pensamento de M. parece clara. Sua convicção absurda é bem estruturada, embora rígida, e perfeitamente integrada à realidade; não deixa espaço para nenhuma interpretação alternativa. Cada manifestação – rumores noturnos, um uivo inexplicável – é vista como a confirmação da própria convicção.

Nessas condições não se pode deixar de falar em delírio, mas também não é aceitável desconsiderar a enorme influência cultural da família à qual pertence. O cenário é claro: o pai que aceita passivamente a certeza do filho porque ela se enquadra em seu próprio sistema de convicções; a mãe feliz com esse aspecto “sacro” do filho. As manifestações deste, por sua vez, são provavelmente reforçadas pelo fato de agradarem à mãe e por uma configuração de ideias que não destoa em nada de suas crenças culturais. 



Exceto nos momentos de desconforto noturno, o sintoma não parece ser invalidante nem limita a vida profissional e afetiva de M., que tem uma boa relação com sua namorada. Ela, aliás, tem plena consciência de suas experiências. Sem entrar no mérito das interpretações que podem ser oferecidas pelos diversos modelos teóricos (psicanálise, psicologia relacional, e assim por diante) como, por exemplo, a regressão para uma realidade fantasiosa para fugir de uma condição de vida pobre e privada de estímulos, a busca por uma cumplicidade relacional com a figura materna devido a uma antiga competição com o pai ou a projeção de fantasias persecutórias causada por conflitos pulsionais ou relacionais, permanece o fato de que o sintoma em questão não é a expressão de um indivíduo, mas de um contexto cultural que oferece um terreno fértil para alimentar-se e sobreviver.

Esta observação sobre o contexto do delírio licantrópico será levada em consideração quando identificarmos um distúrbio que, sem levar em conta a perda de contato com a realidade típica do distúrbio esquizofrênico, tenha relação com um pensamento mágico, primitivo, que prenuncie uma malsucedida evolução não da psique do indivíduo, mas do grupo – ou microcultura – à qual ele pertence.
Segundo a clássica acepção de Emil Kraepelin, o delírio é um erro mórbido do juízo que não pode ser modificado pela realidade ou pelo bom-senso. Já na opinião de Karl Jaspers, para ser definida como tal essa manifestação deve apresentar três características fundamentais: 

1. Convicção. A pessoa não realiza nenhuma elaboração da experiência, tende a rejeitar qualquer outra possível interpretação e cada elemento é considerado uma prova irrefutável que sustenta sua crença.

2. Sem lógica. O contraste das ideias do individuo com o bom-senso e a experiência objetiva não determinam nenhuma mudança.

3. Conteúdo inverossímil. O tema recorrente é sem fundamento, sendo muitas vezes bizarro e/ou insólito.




(Fonte:http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/o_agricultor_que_queria_ser_lobisomem.html)

domingo, 14 de abril de 2013

Raul Seixas - Show completo (1982)

Raul Seixas ao vivo Praia do Gonzaga - Santos - SP(1982) 150 MIL FÃS EXALTADOS !!!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Leonardo Boff fala sobre Jung e a Espiritualidade

Leonardo Boff comenta sobre a Espiritualidade na Psicologia Junguiana, não só expondo conceitos mas também sensivelmente os trazendo para contemporaneidade.

 Parte 1:
 

 Parte 2:
 


 Parte 3:
 

Quimicamente explicando...


sábado, 23 de março de 2013

segunda-feira, 18 de março de 2013

As Mulheres de Freud


Sobre Freud e suas mulheres
(por Marina Massi)

Obra recém-lançada, "As mulheres de Freud" propõe uma viagem histórica pelo universo feminino; o criador da psicanálise e sua teoria são apresentados sob novos ângulos.

A romancista e escritora Lisa Appignanese e o professor de história e filosofia da ciência da Universidade de Cambridge John Forrester, acadêmico que já publicou várias obras psicanalíticas, uniram-se para investigar e narrar a trajetória das mulheres que participaram da vida de Freud. Em uma obra de fôlego, a dupla revela o impacto feminino no desenvolvimento das ideias relativas à feminilidade e ao legado dessa produção intelectual para a cultura contemporânea. Em virtude das diferentes áreas de especialização, pareceu aos autores que seria lógico dividir o material de modo que Forrester tratasse das personagens que foram “descobertas” pelo olhar de Freud: parentes, figuras de sonhos, pacientes e suas ideias sobre feminilidade. Já Appignanese trataria das primeiras analistas, tradutoras e escritoras próximas ao pensador.

Os escritores reconhecem que o desafio era potencialmente infinito, uma vez que tantas mulheres tiveram importância na história da psicanálise e o debate sobre feminilidade nessa área vem se desenrolando até hoje. “Decidimos limitar nossa narrativa às personagens que tiveram contato direto e continuado com Freud. Em consequência disso, não tratamos particularmente de Karen Horney ou Melanie Klein, para citar apenas duas, embora elas figurem nas páginas do livro.”Infelizmente, a decisão de não incluir uma pensadora do porte de Klein, por exemplo, traz problemas estruturais, que implicam a sensível perda do entendimento de toda uma vertente do debate sobre a mulher. É inegável, porém, que "As mulheres de Freud" tem muitos pontos positivos. 




Entre eles, está o fato de que ajuda o leitor a rever as acusações de que o criador da psicanálise teria sido “um misógino, um patriarca conservador que via como principal função das mulheres servir à reprodução da espécie”. Os autores creem que uma das questões esclarecidas por essa pesquisa foi que “a concentração excessiva nos fracassos de Freud era, em si, uma maneira de negar às mulheres que figuram na história da psicanálise seu lugar de direito. Uma vez restituído este lugar, tanto Freud quanto a psicanálise adquiriram um aspecto sutilmente diverso”. E essa talvez seja uma das mais importantes conclusões desse imenso trabalho de pesquisa histórica, que instiga tantas discussões teóricas.

A pesquisa reúne dados anteriormente esparsos e revela de modo histórico-científico que muitas outras além de Salomé e da princesa Bonaparte eram amigas e analistas ativas. Entre elas estão Ruth Marck Brunswick, Muriel Gardiner, Eva Rosenfeld, Jeanne Lampl Groot, Hilda Doolittle e mais todo o círculo de analistas da filha Anna Freud. No início do livro são apresentadas as mulheres-chave da família de Freud: a mãe, a noiva que virou esposa e as filhas. A segunda parte trata da colaboração das pacientes histéricas no desenvolvimento da prática e teorias freudianas. Na etapa seguinte são focalizadas as mulheres que se tornaram as primeiras analistas do círculo de Freud, como Sabina Spieelrein, Lou Andreas-Salomé, Helene Deutch, Marie Bonaparte e Joan Riviere. Num livro de 16 capítulos extensos, com rigoroso levantamento bibliográfico, que revela um sério trabalho de pesquisa, alguns trechos históricos são especialmente significativos e curiosos. É o caso de “Primeiras amigas, primeiros casos, primeiras seguidoras” (cap. 6), no qual o leitor fica sabendo, por exemplo, que o divã foi presente de uma paciente agradecida, por volta de 1900. No capítulo 13, “A amizade das mulheres”, é surpreendente constatar o quanto as mulheres se desenvolveram dentro da psicanálise – o que nos convida a rever a ideia do círculo de amigos formado apenas por homens (como Carl Jung, Wilhelm Fliess, Alfred Adler, Karl Abraham) ao redor de uma mesa para discussão psicanalítica, às quartas-feiras.



O capítulo 15, “O debate sobre a mulher”, com abordagem mais teórica, evoca as figuras de Helene Deutch, Karen Horney e Melanie Klein para tratar da constituição do feminino. Os autores apontam a importância de uma discussão correlata acerca do peso atribuído aos fatores traumáticos (ambientais) ou constitutivos e de disposição (hereditários), temas atuais não somente para a feminilidade, mas também para todos os aspectos de constituição psíquica do sujeito. Para Freud, o campo da psicanálise é o acidental, o traumático por natureza.

Segundo ele, o que fica de fora, “o que permanece inexplicável, o que é temporariamente atribuído à constituição, não é o mais importante, o mais fundamental, mas sim o ponto no qual as explicações fracassam, o ponto em que a ciência emudece”. Por fim, somos surpreendidos pelo último capítulo, “Feminismo e psicanálise”, no qual feministas ultrapassam a hostilidade visceral em relação a Freud, o que torna possível evidenciar uma relação mais complexa que abarque novos desdobramentos. Uma vez que as feministas perceberam “a revolução sexual” do século XX como uma força positiva e libertadora, a associação de Freud com esse movimento garantiu-lhe um lugar de respeito entre os antecessores dos movimentos progressistas contemporâneos.






(Fonte:http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/sobre_freud_e_suas_mulheres.html)

sexta-feira, 15 de março de 2013

O Abuso das Substâncias Químicas entre as Mulheres


Perigo para elas (por Emily Anthes)

Estudos sobre as diferenças entre os gêneros têm mostrado que mulheres podem ser mais vulneráveis à dependência e ao abuso de substâncias químicas que os homens: o fascínio por álcool, drogas e cigarros flui à mercê dos hormônios.

Por muito tempo a dependência química tem sido considerada uma doença masculina. Aspectos culturais e sociais que propiciavam o acesso dos homens ao álcool e às drogas levaram a crer que eles são muito mais propensos a usar esses produtos. Em parte por esse motivo, há décadas as pesquisas sobre o assunto excluíam mulheres. Consequentemente, sabe-se hoje bem menos sobre a drogadição feminina, e, na prática, os programas e centros de tratamento raramente são voltados para as necessidades. Bem pouco foi considerada, por exemplo, a influência da variação hormonal no sucesso (ou fracasso) do processo de recuperação. No entanto, há sinais de que a predominância de estudos com voluntários homens tenda a diminuir, já que o uso de bebidas e substâncias ilícitas se tornou socialmente mais aceitável tanto por adolescentes quanto por mulheres adultas. Segundo estudo de 2008, desenvolvido pelo psiquiatra Richard A. Grucza, da Universidade de Washington em St. Louis, nos Estados Unidos, é na população feminina que o uso de bebidas e drogas mais tem aumentado. 

Em uma inversão das tendências predominantes no passado, adolescentes estão agora experimentando maconha, álcool e cigarros em índices mais elevados que os garotos, de acordo com os recentes resultados de uma pesquisa realizada pelo National Survey on Drug Use and Health (NSDUH), nos Estados Unidos. O estudo mostra que o uso geral de drogas ilícitas entre as moças aumentou em torno de 6% em 2007 e 2008, enquanto o índice para os jovens do sexo masculino caiu cerca de 10%. 



Além disso, uma literatura cada vez mais consistente sobre a dependência do sexo feminino mostra que as mulheres apresentam características bastante específicas. De forma singular, elas podem ser particularmente vulneráveis ao uso de substâncias que criam dependência e aos seus efeitos, pois os hormônios sexuais femininos afetam diretamente os circuitos de recompensa do cérebro, influenciando a resposta a drogas. Felizmente, alguns estudos já apontam para novos tratamentos para a toxicomania, além de fornecer informações práticas para as pessoas empenhadas em abandonar o uso.
Embora os cientistas venham investigando, ainda que em pequena escala, o uso de drogas em mulheres desde a década de 70, os progressos foram relativamente lentos antes de 1994, quando os Institutos Nacionais de Saúde americanos determinaram que a maioria das pesquisas clínicas incluísse mulheres e grupos formados por minorias. Conforme o estudo sobre as diferenças entre os gêneros se acelerou, cientistas descobriram indícios de que mulheres podem realmente ser mais vulneráveis à dependência e ao abuso de substâncias que os homens. Os pesquisadores notaram que elas passam de forma mais rápida para o uso de substâncias pesadas e têm maior facilidade de sucumbir aos danos sociais e físicos. Até mesmo as fêmeas de ratos costumam buscar e autoadministrar drogas que provocam dependência de maneira mais obsessiva e mais rapidamente que os roedores machos.

Os hormônios da reprodução estão por trás dessa sensibilidade. A remoção de ovários das ratas, de modo a lhes diminuir a produção de estrogênio, reduziu a tendência de procurarem estimulantes, como a cocaína e a anfetamina. Por outro lado, o fornecimento de estrogênio para ratas cujos ovários foram retirados pode encurtar o caminho para a dependência. Em 2004, a neurocientista Jill B. Becker, da Universidade de Michigan em Ann Arbor, e seus colegas relataram que as fêmeas de camundongos sem ovário levaram seis dias para começar a se servir repetidamente de infusões de cocaína, enfiando o focinho em um buraco. Em contraste, as que receberam suplementação do hormônio sucumbiram à mesma compulsão após quatro dias apenas. 



Os pesquisadores acreditam que o estrogênio aumenta o risco de dependência por estimular as vias de recompensa do cérebro, enfatizando a sensação prazerosa produzida pela alteração dos estados de consciência. A administração de estrogênio às ratas que tiveram seus ovários removidos aumenta os níveis de dopamina, um neurotransmissor fundamental para a percepção de recompensas, como comida, sexo e drogas.

Entretanto, o estrogênio não age sozinho em mamíferos do sexo feminino. Seu parceiro hormonal, a progesterona, parece opor-se a sua capacidade de deflagrar tendências aditivas. Em 2006, a equipe de Becker relatou que a administração tanto de estrogênio quanto de progesterona para as ratas sem ovários não acelera o consumo obsessivo de cocaína nos ¬roedores, sugerindo que esse hormônio pode ser um antídoto para a influência do estrogênio na busca do prazer. 

Um trabalho mais recente confirma que a resposta das mulheres a drogas varia no decorrer do ciclo menstrual, conforme os níveis hormonais relativos aumentam e diminuem naturalmente. Em um estudo clínico de 2007, a neurobióloga Suzette M. Evans, da Universidade Columbia e do Instituto Psiquiatrico do Estado de Nova York, coordenou uma equipe que descobriu que os estimulantes são muito mais prazerosos para as mulheres durante a fase folicular (período de aproximadamente duas semanas, a contar do início da menstruação até próxima a ovulação, quando o organismo “se prepara” para uma possível gravidez), em comparação com a chamada fase lútea (etapa seguinte do ciclo, após a ovulação, quando o estrogênio e a progesterona estão elevados). 

A percepção da mulher quanto a outros tipos de recompensas – como dinheiro, comida e sexo – e sua relação de desejo, indiferença ou aversão a eles também pode variar durante o ciclo menstrual. Em outro estudo realizado nos Institutos Nacionais de Saúde americanos, há três anos, pesquisadores examinaram o cérebro de mulheres por meio de ressonância magnética funcional (RMf) enquanto elas faziam apostas em máquinas caça-níqueis. Os cientistas descobriram que os circuitos de recompensa das mulheres ficavam mais ativos quando ganhavam prêmios durante a fase de predomínio de estrogênio que durante a fase que se segue, dominada pela progesterona. Ou seja: o fluxo e o refluxo dos hormônios femininos podem realmente ter amplos efeitos sobre a percepção de prazeres e incentivos, influenciando a motivação feminina para se envolver em situações que, em outros momentos, não as atrairia.



Mas o aumento artificial de níveis de progesterona na mulher é capaz de inibir a sensação obtida com as drogas. Durante um estudo, a equipe de Evans forneceu progesterona a 11 usuárias de cocaína quando os níveis naturais do hormônio em seu corpo estavam baixos. As pacientes tratadas relataram uma sensação de diminuição do “barato” em comparação com o que sentiram no mesmo ponto de seus ciclos, na ausência de progesterona adicional. Em contraste, a progesterona não influenciou a experiência subjetiva de usar cocaína nos dez dependentes do sexo masculino testados, embora os pesquisadores não estejam certos do motivo do resultado. Se a progesterona diminui o prazer das drogas, ela poderá auxiliar no tratamento da dependência em mulheres – algo que Evans vem testando atualmente em dependentes de cocaína do sexo feminino. 

Mas os cientistas sabem que o desafio é complexo. Se não fosse pela compulsão pela dose da substância química, bastaria prestar atenção ao calendário para ajudar as mulheres a ter sucesso na desistência do fumo, das bebidas ou das drogas. Em um estudo publicado em 2008, a médica Sharon S. Allen, especializada em medicina familiar pela Escola Médica da Universidade de Minnesota, e seus colegas pediram a um grupo de 202 mulheres fumantes que a metade tentasse parar com o cigarro durante a segunda fase de seu ciclo menstrual, quando os níveis de progesterona são altos, e que a outra metade fizesse a tentativa em fase anterior ao ciclo. Os resultados foram impressionantes: 34% das mulheres do primeiro grupo não voltadoram a fumar 30 dias depois, em comparação com 14% das que tentaram parar quando os níveis de progesterona estavam baixos. “Quando as mulheres fumam no início de seu ciclo, obtêm mais prazer com a nicotina, por isso pode ser mais difícil enfrentar o desafio de deixar o cigarro”, observa Allen. Nessa mescla de hormônios, substâncias químicas do cérebro e compulsão – além de questões emocionais e psíquicas que nem sempre têm como ser mensuradas –, começar ou parar na hora certa pode fazer grande diferença na história de vida de alguém.



CONSCIÊNCIA ALTERADA

O consumo de algumas drogas – conhecidas como psicodélicas ou alucinógenas, como o LSD, a cocaína e o crack – altera profundamente a percepção e a consciência dos estímulos internos e ambientais. Essas substâncias podem estar em plantas, produtos de origem animal ou compostos sintéticos. Sua ação sobre o sistema nervoso central causa três efeitos principais: delírio, ilusão e alucinação. O primeiro ocorre quando a pessoa percebe corretamente um estímulo (sonoro, visual e tátil), mas o interpreta erradamente, ou seja, tem uma percepção anormal dessa fonte. Exemplo: alguém sob o efeito de uma droga ouve a sirene de uma ambulância (percepção correta). Ou ainda: o usuário, ao ver duas pessoas conversando, julga que ambas o estão caluniando ou mesmo tramando a sua morte. Esses são exemplos de delírios persecutórios: o usuário percebe corretamente o estímulo, mas o interpreta de forma equivocada quando sob influência de um psicodisléptico. No caso da ilusão, a percepção de um dado estímulo fica incorreta, e a interpretação dele também é anormal. Em última análise, na ilusão o estímulo é percebido, mas a percepção é distorcida: no caso da sirene a pessoa diz ouvir, por exemplo, uma trombeta celeste. Já a alucinação é uma percepção sem estímulo algum (no exemplo, não há sirene tocando), mas o usuário tem certeza de que a ouve. As alucinações podem ser sonoras, visuais e gustativas, entre outras. Às vezes a pessoa tem a alteração, isto é, ouve o som ou vê algo inexistente, mas sabe que essas percepções não são reais. Nesses casos, o fenômeno pode ser chamado de alucinose, diferindo daqueles em que o usuário acredita que a percepção é real (alucinação) – isto é, que ela existe mesmo.


Fonte:(http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/perigo_para_elas.html)


quinta-feira, 7 de março de 2013

A Filosofia do Bovarismo


Emma Bovary e a realidade paralela (por Sebastian Dieguez)

Considerada a obra mais importante do francês Gustave Flaubert, Madame Bovary não tem nada de um romance de suspense moderno. Trata-se da história banal de uma mulher mal casada que trai o marido, o arruína e acaba se suicidando, por ter se perdido, perseguindo quimeras inspiradas em romances “água com açúcar”. De onde vem, então, o fascínio exercido por essa mulher cuja única particularidade é sonhar com aventuras maravilhosas, enquanto leva uma vida comum? A descrição de seus estados de espírito é tão precisa que foi forjado um termo para designar o mal que a consome: o bovarismo.

O ensaísta Jules de Gaultier propôs esse termo em dois livros sucessivos: primeiro, em Le bovarysme, la psychologie dans l’oeuvre de Flaubert (O bovarismo, a psicologia na obra de Flaubert), de 1892, e em seguida em Le bovarysme, essai sur le pouvoir d’imaginer (O bovarismo, ensaio sobre a capacidade de imaginar), de 1902: “Emma personificou essa doença original da alma humana, para a qual seu nome pode servir de rótulo, se entendermos por ‘bovarismo’ a faculdade que faz o ser humano conceber a si mesmo de outro modo que não aquele que é na verdade”. Ou seja, o bovarismo consiste em “se imaginar diferente do que se é”. Essa capacidade remete não a uma fraqueza de caráter, mas a um funcionamento psicológico, típico da espécie humana.



Podemos pensar que há um bovarismo intelectual e um sentimental, e cada um apresenta tanto aspectos “normais” quanto patológicos. Estes últimos representam o falseamento exagerado da concepção de si mesmo e a ausência de senso crítico em relação a um erro cometido. O bovarismo clínico implica não nos darmos conta de que imaginamos a nós mesmos de maneiras muito diferentes do que realmente somos.

Mas voltemos a Emma. Qual a origem de sua patologia? Gaultier questiona inicialmente sua educação em um colégio de freiras freqüentado por garotas da alta sociedade, onde aos 13 anos ela foi submetida à influência de uma “garota mais velha”, que lhe disse para ler as “sagas sentimentais” e lhe deu alguns livros. “Aquilo tudo não passava de amores, amantes, mulheres perseguidas e desmaiando em locais solitários, bosques sombrios, males de amor, juras, soluços, lágrimas e beijos, homens fortes como leões, suaves como cordeiros, virtuosos como nunca se é, sempre bem vestidos e que choram como bebês.” O efeito teria sido imediato: “Ela teria passado a sonhar em viver em algum velho palacete, como as castelãs de longos corpetes, que sob o trevo das arcadas passam os dias com o cotovelo na pedra da janela e o queixo apoiado na mão, olhando ao fundo da paisagem, para ver se do campo chega algum cavaleiro com uma pluma branca no chapéu, galopando um corcel negro”. Essa “atraente fantasia da realidade sentimental” em uma idade precoce marcaria seu desenvolvimento e se intensificaria com o passar do tempo.



O apogeu do bovarismo na psiquiatria se deu nos anos 30, na França. Em 1906, o psiquiatra Philibert de Lastic, em sua tese La pathologie mentale dans les oeuvres de Gustave Flaubert (A patologia mental nas obras de Gustave Flaubert) fazia de Emma uma “degenerada”, provavelmente histérica. Segundo ele, “o bovarismo patológico não passa de falta de capacidade de se adaptar à realidade”. Mais tarde, seria feita uma aproximação com a paranoia, da qual o bovarismo seria uma versão mais branda, mas comportando os mesmos sintomas – superestimação de si mesmo, desconfiança, erro de julgamento e falta de habilidade no convívio social. Mais tarde, outros psiquiatras incluíram noções de mitomania, ao definir o bovarismo como “capacidade de imaginar a si mesmo melhor do que se é” (e não apenas diferente).

No momento em que a heroína do romance conhece Charles, seu marido, ainda está sob influência da nostalgia do colégio de freiras e dos sonhos e histórias com “anjinhos de asas douradas, madonas, lagos e gondoleiros”. Acredita ter encontrado o amor, mas muito rapidamente se decepciona. Pouco depois do casamento, ela é tomada por um “inefável mal-estar, que muda de aspecto como as nuvens e turbilhona como o vento”. Na verdade Charles é insípido e está a léguas de corresponder à ideia que ela fazia dos homens. A conversa dele é plana, rasa, e suas palavras desfilam sem provocar nenhuma emoção, riso ou sonho. Ele não tem talento, ambição e nada parece realmente interessá-lo.Inevitavelmente, Emma acaba por se perguntar se não haveria como conhecer outro homem. Nesse momento, a protagonista já vive em um mundo paralelo à morna realidade que a cerca. Esses devaneios se tornarão exacerbados quando ela tiver ocasião de participar de um baile da alta sociedade.



Ali ela sente “o roçar da riqueza”. Ao ver os aristocratas, ela deseja conhecer a vida deles, penetrar nela, misturar-se a ela. De volta à tristonha casa de campo, lembranças da festa assumem a forma de ações inocentes, no início: “Ela comprou um mapa de Paris, e com a ponta do dedo deslizando sobre ele, fazia compras na capital”. Passou, então, a devorar todas as notícias sobre peças teatrais, lançamentos de produtos, festas e inaugurações. Sabia o que estava na moda e qual o endereço dos bons costureiros. 

Mais tarde ela conhece dois homens que considera maravilhosos. A verdadeira natureza de ambos, porém, se revela aquém de suas expectativas. O tímido Leon se parece bastante com o homem de seus sonhos, pois também vive em um mundo imaginário. Já Rodolphe conhece em suas amantes a tendência para o bovarismo e as explora sem o menor escrúpulo: “Emma se parecia com todas as outras amantes e o encanto da novidade, que foi caindo por terra, como uma peça de roupa, deu lugar à monotonia da paixão, que sempre tem as mesmas formas e a mesma linguagem.”



A cada desilusão, Emma é tomada de uma estranha “doença nervosa”. E para se curar ela se volta primeiramente para o marido, busca leituras mais sérias, e por fim abraça a religião. Mas sempre tem recaídas e, confundindo faltas, choraminga pelo veludo que não tem, pela felicidade que lhe falta, pelos sonhos impossíveis, pela casa pequena demais.

Flaubert sofreu a primeira crise epilética em 1844, aos 22 anos. E seguiram- se outras. Sem motivos consideráveis, o escritor erguia a cabeça e empalidecia ao sentir o sopro misterioso que parecia tocar sua face, e seu olhar se enchia de angústia. Então soltava um gemido, e sobrevinha a convulsão: todo o seu ser entrava em trepidação, que sucedia inevitavelmente um sono profundo. Pierre- Marc de Biasi, especialista em Flaubert, sugeriu um paralelo entre Madame Bovary e as crises de seu criador. Estas se assemelham à sofrida por Emma pouco antes de decidir-se pelo suicídio. “Ela mergulhou no estupor. Só o que doía nela era seu amor, e ela sentia sua alma abandoná-la junto com as recordações. De repente, ela teve a impressão de que glóbulos cor de fogo explodiam no ar, como esferas fulminantes que se achatavam e rodopiavam até derreter na neve. Até que tudo desapareceu.”

A intensidade imaginativa constitui a face produtiva do bovarismo – a protagonista aspira a algo, tenta escapar de sua condição. Todos os demais personagens do romance são prodigiosamente desinteressantes. Mas a heroína não contém o excesso de romantismo e desenvolve uma série de sintomas. Podemos dizer que esses são os sinais negativos do bovarismo e eles são numerosos, pois Flaubert oferece ao leitor um verdadeiro catálogo clínico das doenças da modernidade. Cada vez que vê suas esperanças destruídas, seus projetos contrafeitos e seus devaneios remetidos à realidade, Madame Bovary mergulha em uma estranha doença: sofre de torpores, calores, palpitações, sufocamentos, fica pálida, emagrece a olhos vistos, treme, chora, desmaia. Fica deprimida, irritadiça, exaltada, mente, mostra-se descontrolada e até má. Perde completamente o interesse pela filha e às vezes a detesta abertamente. E ainda manifesta uma “febre cerebral”, além de insônia e enxaqueca. 



Emma talvez seja a primeira personagem que se encaixa na descrição clínica da compulsão por fazer compras, a ponto de pôr a família em grave risco financeiro. Como não consegue estancar sua sede de romantismo, ela se volta para bens materiais, que ficam praticamente de imediato esquecidos no fundo do armário. Por fim ela terá alucinações, em especial em sua fase pseudomística, e manifestará sintomas semelhantes aos das histéricas atendidas no Hospital da Salpêtrière. 

A descrição de Emma leva inevitavelmente à conclusão de que Flaubert pesquisou sobre a histeria. É verdade que na época em que o romance foi escrito havia grande interesse por fenômenos como histeria, hipnose, neurose e dupla personalidade. Em 1880, durante uma discussão sobre a dupla personalidade de mulheres possuídas, demonizadas e sonâmbulas, o ganhador do Nobel de Medicina Charles Richet, praticante do exorcismo, disse: “Emma Bovary é uma histérica branda”. Ainda hoje a histeria é muitas vezes utilizada como expediente sexista, para desqualificar comportamentos femininos considerados inadequados. E Madame Bovary continua presente nessa discussão.



Por meio de sua personagem, o autor faz críticas a dois aspectos que considera os mais destacados de sua época – o tédio e a estupidez. A respeito do primeiro ele chegou a esboçar uma teoria. Segundo Flaubert, existem dois tipos de tédio: o comum, do qual todos sofremos em algum momento, e o tédio moderno, típico de uma geração, que caracteriza um mundo de progresso que oferece distrações fictícias e uma vida baseada no senso comum, desprovida de surpresas. Emma é uma desocupada, essa é a verdade. Seus sonhos são inacessíveis e a remetem a um mundo que simplesmente não existe. A monotonia lhe é insuportável: “Seu coração ficou vazio mais uma vez, e então recomeçava a mesma sequência de dias. E eles se seguiriam assim, um depois do outro, sempre iguais, incontáveis, e não trazendo nada! O futuro era um corredor escuro, no fim do qual havia uma porta bem fechada”. E de alguma forma todos os personagens do romance são vítimas dessa monotonia. No momento em que Flaubert escreve, pode-se dizer que o romantismo está morto e enterrado, e só sobrevive como objeto de zombaria. O que realmente desespera Emma é a imensa defasagem entre o que vive e aquilo a que aspira, assim como o fato de estar convencida de que, mais do que ninguém, tem o direito de realizar seus sonhos. Ou seja, Flaubert consegue a proeza de fazer um romance de sucesso cujo tema principal é o tédio. 


O segundo assunto, que também permeia toda a obra do autor, é a estupidez, característica da qual nem Emma nem nenhum outro personagem do romance escapam. Parece ser com imenso prazer que Flaubert escreve diálogos insípidos e cheios de clichês. A protagonista não se dá conta do absurdo de seus desejos, não consegue olhar a realidade de frente, não faz nada de efetivo para melhorar a própria sorte ou tentar compreender seu comportamento – e não tem o menor interesse pelas preocupações alheias. Ela simplesmente não tem os recursos que lhe permitiriam compreender o mundo que a cerca e analisar seus limites. Mas Flaubert consegue poupá-la, mostrando outros personagens tão estúpidos quanto ela, se não mais, por exemplo, o político que faz um ruidoso discurso em uma reunião agrícola, ou o farmacêutico Homais, que despeja uma coleção de ideias feitas sobre todos os assuntos possíveis. 

Podemos considerar que o bovarismo consiste em um desdobramento da vida consciente, entre imaginário e realidade. Por ocasião de suas crises epiléticas (ver quadro na pág. 69), enquanto alucinava e se via invadido por diversas sensações, Flaubert parecia manter a razão, ao menos enquanto não desmaiava. Ele fala disso em suas cartas: “Havia dentro de meu pobre cérebro um turbilhão de ideias e imagens nas quais eu tinha a sensação que minha consciência, que meu ser afundava, como uma nau sob a tempestade. Mas eu me agarrava à razão. Ela dominava tudo, apesar de sitiada e atacada”.



Em seguida, em outra carta: “Eis o que eu sentia quando tinha alucinações: primeiro, uma angústia indeterminada, um mal-estar vago, um sentimento de espera sem dor, como acontece na inspiração poética, quando sentimos ‘que alguma coisa vai chegar’. Depois, de repente, como um raio, a invasão, ou melhor, a irrupção instantânea da memória, pois a alucinação propriamente dita é só isso – ao menos para mim. É uma doença da memória, um afrouxamento daquilo que ela contém. Sinto ver as coisas falsas – saber que é uma ilusão, ter certeza disso, e no entanto vê-las com uma clareza tal, como elas fossem reais. Na alucinação pura e simples podemos perfeitamente ver uma imagem falsa com um olho, e os objetos verdadeiros com o outro. “Aliás, é justamente esse o suplício”. 

Flaubert estava, portanto, familiarizado com a ideia de que existem dois caminhos no pensamento humano: o das sensações ordinárias, da realidade, e o de um universo produzido como se fosse um paralelo do outro. O escritor tinha consciência do risco de se perder no mundo das alucinações e da importância de distingui-lo da inspiração criadora, voltada para o real. 
Em 1883, o escritor Paul Bourget descrevia assim sua versão do bovarismo, antes mesmo que Jules de Gaultier criasse o termo: Emma é vítima “de ter conhecido a imagem da realidade antes da realidade, a imagem das sensações e dos sentimentos antes das sensações e dos sentimentos”. Bourget via nessa tendência o reflexo do constante “processo de antecipação literária”, em Flaubert. Também é possível ver aí o reflexo da sintomatologia epilética e das alucinações que o acometiam. 



Emma nunca teve consciência do único talento que compartilhava com Flaubert – sua sensibilidade exacerbada. “Mas, então, o que é que a tornava infeliz? Onde estava a catástrofe extraordinária que a perturbava? E ela ergueu a cabeça, olhando em volta de si, como que à procura da causa do que a fazia sofrer.” Flaubert, ao contrário, tinha profunda consciência dessa dor – conseguiu catalisá-la em sua obra.




(Fonte:http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/emma_bovary_e_a_realidade_paralela.html) 

quarta-feira, 6 de março de 2013

LUTO CHORÃO !



"Você deixou saudades..." 
Posto aqui minha música favorita... 
R.I.P. Chorão...

 

terça-feira, 5 de março de 2013

É hora de procurar ajuda? (por Robert Epstein)



Grande parte das pessoas enfrenta, em algum momento da vida, transtornos de saúde mental que podem ser tratados; é o caso da depressão e do estresse, mas a falta de informação e o preconceito ainda fazem com que adultos e crianças sofram sozinhos em vez de procurar um profissional qualificado.

Vinte e três milhões. Este é o número de brasileiros que necessitam de acompanhamento na área da saúde mental. Desse total, pelo menos 5 milhões sofrem com transtornos graves e persistentes, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse universo encontram-se crianças e adultos que sofrem de patologias como depressão, transtornos de ansiedade, distúrbios de atenção e hiperatividade e dependência de álcool e drogas. Aproximadamente 80% das pessoas que sofrem com esses transtornos não recebem nenhum tipo de tratamento. Mas a situação não é prerrogativa do Brasil. Ainda de acordo com a OMS, um em cada quatro americanos passa por um transtorno psiquiátrico diagnosticável em algum momento da vida. Exageros à parte, no decorrer de nossa existência muitas vezes nos perguntamos se somos mentalmente saudáveis e se não estaria na hora de buscar ajuda profissional. A preocupação faz sentido: de fato, quase metade da população do planeta apresenta algum tipo de transtorno durante a vida. Infelizmente, porém, em cerca de dois terços dos casos os problemas comportamentais e emocionais jamais são diagnosticados e acompanhados, embora muitos deles possam ser tratados de maneira eficaz. Mais de 80% das pessoas com depressão grave, por exemplo, são capazes de se beneficiar significativamente da combinação de medicação e terapia. 

O preconceito, porém, ainda é um empecilho para a busca de auxílio especializado. Não raro, ouve-se até mesmo de pessoas razoavelmente bem informadas que “psicoterapia é coisa para louco”. A postura defensiva pode se mostrar de várias maneiras, como pela desqualificação dos profissionais ou de si próprio. Para muitos prevalece, por exemplo, a ameaça de que “o psicoterapeuta saberá mais sobre mim do que eu mesmo; descobrirá segredos dos quais nem suspeito”. Pode também surgir a fantasia onipotente de que “ninguém pode me ajudar”. Ou ainda o pensamento persecutório referenciado na opinião alheia: “O que os outros vão pensar se souberem que vou a um psicólogo?”. Qualquer que seja a forma como se apresente, a resistência não aparece por acaso: em geral, é inerente à própria patologia e tem a ver com o funcionamento psíquico da pessoa. E, infelizmente, às vezes persiste por muito tempo, até que o paciente decida buscar ajuda.


 


O QUE É NORMAL? 

Quando trabalhei como editor-chefe da Psychology Today, com frequência os leitores me pediam que sugerisse testes de triagem para pessoas com problemas de saúde mental. Procurei por esse material no intuito de ajudar homens e mulheres a encontrar respostas às perguntas como “Será que este meu sentimento de desânimo é normal?”, “Por que eu grito com a minha mulher e meus filhos o tempo todo, mesmo não querendo fazer isso?”, “Será que perdi o controle da bebida?”. Encontrei milhares de testes “caseiros” na internet, mas nenhum havia sido validado cientificamente. Pior ainda, muitos serviam como veículos de marketing para vídeos, livros ou serviços, encaminhando o leitor que respondesse às questões direto para um setor de vendas. Não parecia existir nenhum teste amplo, confiável, favorável ao consumidor, que ajudasse alguém a refletir melhor sobre si mesmo.

Assim, desenvolvi o teste Triagem Epstein em Saúde Mental (Epstein Mental Health Inventory) (EMHI), baseado na quarta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV), compêndio no qual médicos americanos se baseiam para fazer diagnósticos. O teste cobre 18 problemas psiquiátricos comuns nos Estados Unidos, como depressão maior, fobias, transtorno bipolar e abuso de substâncias, que selecionei usando dados preponderantes do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) dos Estados Unidos, entre outras fontes. 

Para cada distúrbio são considerados três critérios do DSM-IV, que reescrevi em linguagem para leigos.
A ferramenta, porém, não tem o papel de diagnosticar ninguém. Seu objetivo é alertar para possíveis riscos de um transtorno, estimulando a busca por ajuda psicológica. O mais importante é ajudar as pessoas a se sentir e viver melhor, pois minha experiência tem mostrado que qualquer meio legítimo de levá-las a consultar um psicoterapeuta é válido. No ano passado, Laura Muzzatti, aluna da Universidade da Califórnia em San Diego, e eu apresentamos uma avaliação da EMHI usando uma amostragem de 3.403 pessoas que fizeram o teste depois de ele ter sido colocado na internet, em 2007. Verificamos que os resultados previram sete fatores importantes relacionados à saúde mental. A avaliação incluía o grau de felicidade declarado; o quanto se sentiam ativamente responsáveis por seu sucesso pessoal e profissional; se estavam empregados; se fizeram terapia em alguma ocasião, se alguma vez já haviam sido hospitalizados por problemas comportamentais ou emocionais e se, na época do teste, estavam em terapia. A pontuação não diferia de acordo com etnia, mas variava segundo o gênero: a pontuação das mulheres foi 17% mais elevada que a dos homens, parecendo apresentar mais problemas de saúde mental, um resultado consistente com os de outros estudos. Ou, pelo menos, foram mais sinceras e analíticas ao responder o questionário.


Em busca de um diagnóstico

Muitas pessoas chegam aos consultórios de psicologia e psicanálise ansiosas para encontrar um nome que 
abarque aquilo que sentem, uma palavra que encerre a dor, a angústia e, às vezes, a culpa ou as dúvidas que as afligem. Isso, porém, nem sempre é fácil, e de pouco adianta se o paciente não puder compreender o que se passa com ele e se responsabilizar pelo próprio tratamento, atribuindo sentidos a sua patologia. A atração que os testes exercem sobre muitos leigos (haja vista quantos questionários são respondidos nas revistas e na internet) pode ser explicada pelo desejo de quantificar e medir características pessoais e comportamentos. E em alguns casos eles têm sua função. Mas ainda que tenham validação científica e possam ser usados para ajudar a entender o quadro clínico, os testes não são definitivos, seja para medir inteligência, seja para determinar a presença de um transtorno mental. 

Sem dúvida, em algumas abordagens (e em determinados casos) eles são úteis na tarefa de oferecer informações que favoreçam a compreensão da situação clínica de forma mais ampla. Mas não sempre – e raramente de maneira perene. Há ocasiões em que as palavras impressas em um prontuário ou ditas por um profissional acerca de determinado quadro psíquico podem soar como uma espécie de sentença, promovendo a desastrosa rotulação do paciente. No Brasil, muitos psicólogos evitam recorrer a essa ferramenta, pelo menos no primeiro momento. Em vez de apostar em um diagnóstico único, pleno e “definitivo”, acreditam que, em muitos casos, mais importante que reduzir a situação a um único termo é ouvir o paciente, entender sua lógica e seus sintomas. Afinal, é na possibilidade de elaboração, ampliação do espaço psíquico e transformação que se embasa o ofício do psicoterapeuta.


Teste – Sentir, pensar e agir:


 


Para conhecer o teste completo basta acessar o site http://DoYouNeedTherapy.com. A seguir, a versão abreviada que abrange dez transtornos. Para fazê-lo, marque todas as afirmações que se aplicam a você:

1- TRANSTORNOS DO CONTROLE DE IMPULSOS

(a) Às vezes não sou capaz de controlar a minha raiva
(b) Frequentemente ajo por impulso, o que, às vezes, traz grandes problemas
(c) Estou preocupado com as apostas, parece que tenho dificuldades em controlar meu comportamento quanto ao jogo


2- ABUSO DE SUBSTÂNCIAS

(a) Durante o ano passado, tive de ingerir mais bebidas alcoólicas ou usar mais drogas para satisfazer
minhas necessidades
(b) No ano passado tentei, mas não consegui, diminuir a quantidade de bebidas alcoólicas, de drogas ou de
cigarros
(c) Durante o ano passado tive de ingerir quantidades cada vez maiores de bebidas alcoólicas ou drogas para me satisfazer ou lidar com meus problemas


3- DEPRESSÃO MAIOR

(a) Nas últimas duas semanas venho tendo dificuldade em sentir qualquer prazer nas atividades diárias de que costumava gostar
(b) Há cerca de 15 dias venho pensando com frequência que quero morrer
(c) Pelo menos durante as duas últimas semanas, venho me sentindo deprimido quase todos os dias


4- FOBIAS ESPECÍFICAS

(a) Tenho medo excessivo ou irracional de algum objeto ou situação
(b) Estou com muito medo de algo, e meu medo interfere em minha capacidade de desenvolver o meu trabalho ou em conduzir a minha vida de maneira normal
(c) Tenho muito medo de um objeto ou uma situação, e quando me exponho a esse estímulo entro em pânico


5- FOBIAS SOCIAIS

(a) Sinto medo de ficar perto de outras pessoas em determinadas situações e percebo que meus medos podem ser irracionais ou excessivos
(b) Em determinadas situações sociais, sinto extrema ansiedade
(c) Sinto grande temor em uma ou mais situações em que eu precise interagir com outras pessoas


6- TRANSTORNOS DA ALIMENTAÇÃO

(a) Costumo comer muito e, em seguida, vomitar ou usar laxantes, ou outros meios radicais, para evitar ganho de peso
(b) Estou preocupado com meu peso ou com a forma do meu corpo e, consequentemente, como ou me exercito de uma forma que algumas pessoas poderiam considerar incomum
(c) Não estou disposto ou não sou capaz de comer ou digerir o alimento em quantidade suficiente para manter o peso saudável


7- TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO

(a) Tenho lembranças perturbadoras relacionadas a um acontecimento traumático que experimentei no passado
(b) Costumo ter sonhos perturbadores sobre uma experiência terrível ocorrida no passado
(c) Às vezes me vejo revivendo o horror de um fato traumático que experimentei no passado


8- TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA

(a) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho sentindo preocupação e nervosismo excessivos, difíceis de controlar
(b) No mínimo nos últimos seis meses, tenho ficado extremamente ansioso e preocupado com uma série de
acontecimentos e atividades diferentes
(c) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho me sentindo excepcionalmente agitado, cansado, irritado, tenso ou distraído


9- TRANSTORNO BIPOLAR

(a) Durante o ano passado tive variações súbitas de humor, sem qualquer razão aparente
(b) Meu humor muda rapidamente, de depressivo a esfuziante, sem qualquer motivo aparente
(c) Durante o ano passado o meu humor mudou mais de uma vez de deprimido para esfuziante

10- TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO

(a) Repito excessivamente certos comportamentos ou pensamentos, sem conseguir parar
(b) Pensamentos frequentes me causam grande ansiedade
(c) Acredito que esses pensamentos possam ser irracionais ou exagerados. Faço ou penso repetidamente


PONTUAÇÃO 

Se você deixou todos os itens em branco, parabéns! É provável que a sua saúde mental esteja muito bem. Caso contrário, lembre-se de que esta não é a versão completa do teste e, ainda que fosse, sua aplicação não tem peso diagnóstico. Mas os resultados podem ajudá-lo a pensar como tem se sentido e lidado com os problemas. Se marcou um item em uma ou mais categorias, é possível que esteja passando por situação de angústia que poderia ser mais bem compreendida (ou contornada) com a ajuda de um profissional. Se assinalou dois ou três itens em uma ou mais categorias, talvez seja mesmo uma boa hora para consultar um psicólogo e evitar sofrer sem necessidade, já que a maioria dos problemas de saúde mental podem ser tratados. Mais importante que o resultado do teste, entretanto, é voltar-se para si e perguntar-se se não seria o momento de cuidar de si mesmo. Afinal, quando temos uma dor de dente, por exemplo, não hesitamos em buscar um dentista. Se a dor é na alma, o psicoterapeuta é o profissional mais indicado para cuidar desse desconforto.



(Fonte:http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/e_hora_de_procurar_ajuda_.html)