sábado, 20 de setembro de 2014

Partindo...but I´ll be back : )


"O vento que às vezes leva algo que amamos, é o mesmo que nos traz algo que aprendemos a amar. Por isso, não devemos chorar pelo que nos foi tirado e sim aprender a amar o que nos foi dado, pois tudo o que é realmente nosso, o vento nunca irá levar."

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Livro: Breviário das Más Inclinações


Precisava postar esse livro, que considero um marco no meu caminho espiritual com a verdadeira Bruxaria. Indicado pelo meu mestre Herne em 2010, depois da minha inciação em 2008, fazendo com que repensasse o verdadeiro olhar sobre minha religião, desmistificando tanta besteira que lemos por aí. 
Meu encontro com a Bruxaria já completa 6 anos, e esse marco posso dividí-lo em: "Antes do Breviário e Depois do Breviário", trazendo toda maturidade que fui colhendo desde então, relembrando minhas ancestrais, bisavós, avós, tias e mãe, suas histórias e experiências com o místico e com a simplicidade da cura e "feitiços" naturais que elas faziam (sem nem imaginar), seja para cozinhar, seja para celebrar algo, suas rezas, intuições, visões, pressentimentos e o motivo de sempre, desde menina sentir algo especial dentro de mim mas até então, não sabendo reconhecer a origem. Hoje muita coisa em minha espiritualidade e experiência pessoal se explica, muitas respostas encontrei e ainda estou encontrando. Nunca esquecerei a importância desse livro na minha vida, indico de coração às minhas irmãs que estão começando sua iniciação como também as velhas amigas que ainda não conheceram essa leitura tão especial.
Esse livro, trata-se de uma nova edição de um romance publicado pela primeira vez há duas décadas e intitulado "Breviário das Más Inclinações" (edição da Quetzal). Também é uma narrativa envolvente, inspirada em escritos antigos do livro “Vida e morte de José de Risso”

Yv Luna.


Sinopse:
"Depois de se ter deitado com um homem, lavava-se sempre numa infusão de folhas de arruda, apanhadas ao luar, e bebia tisanas com sementes de funcho e de sargacinha-dos-montes, para que as regras não lhe faltassem."

José de Risso é o personagem central da trama e é fruto de uma única noite de amor que sua mãe teve com um caixeiro viajante, que vai embora e a deixa grávida. A mãe morre no momento em que ele nasce e deixa José de Risso aos cuidados da avó.
Assim começa este romance que narra a vida e a morte dele, um homem de virtude que nasceu marcado nas costas com um sinal em forma de folha de carvalho, sinal esse de onde ele sangra cada vez que faz um milagre, coisa que não acontece a seguir a qualquer das suas malvadezas. Que são muitas, ao longo dos seus 33 anos de vida, entre 1923 e 1956, na localidade ficcionada em Vilarinhos dos Loivos, no norte de Portugal, numa zona próxima da fronteira com Espanha. 
Pelo meio há o enorme lobo de Espadañedo, um lobisomem que descia da serra quando a Lua lhe estava de feição; há receitas de chás e de tisanas que curam do mau-olhado, da má-sina com as mulheres, dos amores infelizes, das galhaduras, dos maus pensamentos; há chás e tisanas que fazem recobrar os ímpetos aos homens; há também Purísima de la Concepción, a bonita e alegre viúva galega, de quem se dizia (sem se ter a certeza) que encomendara a morte do marido a um matador de touros andaluz a quem as mulheres casadas chamavam, com disfarçado fervor e muita paixão contida, Niño del Teso.
José de Risso é um personagem misterioso e intrigante, a habilidade que possui com as plantas medicinais é uma fama de desgraçado e abençoado. Totalmente voltado para as más inclinações, José de Risso tão depressa presta auxílio ao seu próximo, como o despedaça e destrói sem piedade.


ELEMENTOS MÍSTICOS QUE RODEIAM A NARRATIVA DE JOSÉ DE RISSO: 
(por Professora Nayara)

A Narrativa é um breviário (espécie de manual), porque é quase uma súmula das crenças populares. Marcado por crenças, superstições, simpatias, mezinhas, rezas e ladainhas.
(Só quem como José De Risso, “sugou sofregamente, como se trouxesse uma fome de anos”  o leite materno com toda a sabedoria ancestral pode confirmar a veracidade dos rituais e das ladainhas que ele mesmo faz para curar as pessoas que nem mesmo médicos ou bruxos dão jeito)

Profecias - É a predição do futuro por alguém. O personagem mais marcante nesse elemento é o pai de José de Risso.
“O teu destino está preso a mim, também já o sabes (...). Ficamos ligados quando fechei esse cordão a pensar em nós.”
(Essa cena ocorre quando o caixeiro, que também faz serviços de ourives conserta um cordão que sua avó lhe dera que se partiu misteriosamente no dia em que a avó morreu. É importante lembrar que quando a moça usa o cordão novamente, ela sente a mesma sensação que sentiu no dia da morte da avó. Há na cena a presença do presságio, um sinal de que sua vida não vai ser tão longa. A fala do caixeiro é muito significativa porque a partir dessa fala começam o desenrolar de cenas que leva até o nascimento de Risso, que é realmente a prova da ligação que houve entre o caixeiro e a mãe de Risso.)

Sonhos - Muitas passagens falam da interpretação de sonhos como se estes fossem verdadeiras antecipações do que se vai acontecer.
“Ao pensar no cordão, algo lhe trouxe o sonho a memória: uma cobra que se agitava , saída de uma moita de espinheiros de flores amarelas, emitindo silvos e um barulho de pequenos guisos, e que mordia incessantemente a cauda. (...) De repente recomeçou a morder a cauda e transformou-se num só anel de carne, onde não se distinguia nem cabeça nem cauda.”(p.15)

(Este foi o único dia em que ela não se lembrou do sonho que teve. Aqui praticamente toda a simbologia do livro). Haverá mesmo uma aliança entre ela e o caixeiro que será o José de Risso, e que como em um círculo nasce com a chegada do caixeiro e morre também com a chegada do caixeiro. Assim como o cordão que ele fecha e o círculo em que a cobra se transforma há uma volta em toda a narrativa que termina em sua vinda novamente a cidade. as flores amarelas podem significar lágrimas, dor . Porque o amarelo é concebido como a cor da tristeza e a cobra foi vista por nós como a figura da traição do caixeiro que a deixou grávida e desapareceu. Inclusive José de Risso é depois morto pelo pai e por causa de muitos escorpiões que existem em sua volta as pessoas são obrigadas a fazerem um círculo de fogo ao seu redor para poderem tirar o corpo de um buraco, e quando o círculo se apaga o pai vai embora da cidade.)

Mezinhas - São receitas caseiras, feitas de acordo com as sabedorias populares ancestrais.
“lavava-se sempre numa infusão de folhas de arruda, apanhadas ao luar, e bebia tisanas com sementes de funcho e de sargacinha-dos-montes, para que as regras não lhe faltassem.”(p.9)

Superstições - A narrativa é recheada de superstições e simpatias, principalmente no momento em que ocorre o nascimento de José de Risso.

O bebê estava virado dentro da barriga - “Colocou então as mãos sobre o ventre da rapariga, e sentiu logo que a criança não se tinha voltado dentro da barriga. De maneira que era necessário subir ao telhado da igreja e voltar uma telha, para que também assim a criança se voltasse e se pusesse na posição certa de nascer.” (p.10)

Cuidados que a mãe tomou durante a gravidez - “Depois de saber que estava grávida (...) deixou de usar o cordão de ouro ou outro qualquer fio, para o bebê não nascer com o cordão umbilical enrolado a volta do pescoço, (...) partiu em casa todos os copos rachados para que não bebesse por eles, e não comeu carne de lebre durante todo o tempo da gravidez, pois a criança nasceria com o lábio fendido, leporino, e dormiria de olhos abertos;(...) e evitou olhar fixamente para o focinho de qualquer animal, o bebê poderia vir a ter feições de bicho.”(p.12)

Presságios - São os sinais ou fatos que prenunciam o futuro e que na obra quando não são interpretados acarreta em uma série de fatos.
“A velha sentira as primeiras dores no peito, pouco tempo depois de o José de Risso ter ouvido uma coruja piar na asna do telhado do Lagar Velho (...) Foi o estranho pressentimento disto e não ligar o pio do pássaro a morte da avó, que fez com que só voltasse para casa no final do dia.”

Sina ou Destino - Do pai, da mãe e da avó José de Risso herda uma grande carga simbólica e sabedoria popular, por isso seu destino é marcado por muitas crendices e superstições.

O dia do nascimento - Nascera no dia de São Bartolomeu, dia em que, segundo a crendice popular o diabo anda a solta. “(...) Há coisas donde ninguém escapa (...)ter nascido no dia de S. Bartolomeu é uma delas” (p.6)

O batismo - José de Risso não foi batizado como deveria - “(...) logo há coisas em que se sabem logo, e essa foi uma delas, o padre entornou a concha de água benta para o chão quando o batizava, já não havia remédio, isto já toda a gente sabia. Não adiantava que fizesse piruetas para fugir a esta sina (...)”(p.6)

“José de Risso era mesmo amaldiçoado, tanto que nem batizado foi, na leitura do livro percebemos esse toque diabólico que existe nele, por exemplo. Ele está praticamente em todos os lugares quando acontecem coisas ruins ou boas, e quase ao mesmo tempo, o que de ruim acontece é culpa dele, o que de bom acontece também! Ele conhece todos os caminhos que leva a todos os lugares na vila e mesmo quem lhe tenta fazer mal não consegue.”

O pai - A vida de José de Risso parece estar determinada por duas vindas do Caixeiro ao cenário da história. A primeira marcando o seu nascimento e a segunda coincidindo com a sua vingança e morte. Inclusive o narrador conta quase com as mesmas palavras a cena em que o pai vai embora da cidade, deixando num primeiro momento a mãe de Risso marcada por uma “aliança” e num segundo desfazendo essa aliança”.

Trecho que narra à partida do Caixeiro, quando este deixa grávida a mãe de Risso.
“Ainda não sabia que alguém o vira subir pelo carreiro das vinhas do monte, parar lá no alto com ambas as malas, olhar para trás, e desaparecer de seguida por entre os castanheiros e os carvalhos” (p.12)

Trecho que narra à partida do Caixeiro logo após a morte de Risso.
“Quando o círculo se apagou, um homem começou a subir devagar o carreiro das vinhas do monte. Parou lá no alto com ambas as malas. Olhou para trás, e desapareceu de seguida por entre os castanheiros e os carvalhos.” (p.157)

“Entre os dois aparecimentos do vendedor de ouro, ambos na época da desfolhada ocorre os incidentes que o levam a autodestruição porque tal como a mãe, não repara que o responsável por toda desgraça é a presença destruidora configurada no pai, É como se a primeira vez ele tivesse ido estabelecer a aliança e depois destruí-la.”

A marca - O ciclo da vida do protagonista é marcado por uma mancha em forma de Folha de Carvalho que este tem estampada nas costas. Cada vez que José de Risso usava seus “poderes” ou passava por uma emoção muito forte, a marca sangrava. No dia em que a folha cai o ciclo da vida de José acaba. Nasce com a mancha nas costas, um presságio de infortúnios.
“(...) e com um sinal em forma de folha de carvalho mesmo no meio das costas, é uma marca de desgraçado toda gente o sabe. Quando passava já todos viam que ia para morto (...)” (p.6)

“Para muitos povos o carvalho é uma árvore sagrada, que significa vida. O sangue, também simboliza a vida, logo percebemos, que cada vez que a marca sangrava José perdia parte da sua vida. Aqui também existe a presença da superstição que diz que a mancha foi gerada pelo descuido da mãe, que só depois que ele nasceu reparou que tinha no bolso do avental uma folha de carvalho durante toda a gravidez.”

No dia em que seu pai chega à cidade a folha cai, logo mais José de Risso aparece morto da mesma maneira como costumava matar escorpiões quando criança.
“Tirou da água a marca em forma de folha de carvalho com que nascera; olhou-a sem curiosidade e atirou-a para o meio dos brincos e anéis. (...) e correu na direção do Cerro do Mocho. Esquecera-se de que tinha descido também a peia da porta do quintal, deixando encerrado em casa, Lázaro, o cão.
Um rapaz que levava o gado (...) encontrou José de Risso na manhã seguinte. Estava entalado, com os braços ao longo do corpo, numa fenda das rochas. Tinha a cara desfigurada pelas mordeduras venenosa das cobras e dos lacraus (eram tantos que, para o poderem erguer do buraco em que caíra tiveram que acender um círculo de fogo ao redor do corpo e esperar a morte dos escorpiões). ”(p.157)

“Quando o pai de José de Risso chega a cidade, José manda o cão roubar-lhe o ouro e os relógios como se fosse uma vingança, nesse mesmo dia a folha cai  e José de Risso aparece morto, assim como ele o pai é carregado de mistério. Morre com os escorpiões e como os escorpiões sem perceber que está caminhando para a própria autodestruição, igual a mãe não repara que o pai é a figura da desgraça, se vinga dele e recebe o troco.”

domingo, 14 de setembro de 2014

A rara "boa comunicação"...


Sempre pensei que a boa comunicação é  fundamental, uma tarefa para poucos. Mas comunicar-se não é só falar, é preciso ter interesse em escutar, compreender, se importar, saber interpretar, se colocar (e por que não?) no lugar do outro, mesmo pensando diferente e respeitar essas diferenças. O que seria da comunicação sem essa troca? 
Que sempre fique claro que não compartilho meus pensamentos achando que vou mudar a cabeça de pessoas que pensam diferente. Compartilho meus pensamentos para mostrar às pessoas que já pensam como eu, que elas não estão sozinhas.
Hoje percebo que as pessoas querem simplesmente falar o que pensam sem escutar a resposta do outro com o mesmo carinho com o qual foi escutado. Falar é muito bom, mas escutar é melhor ainda.
O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranqüila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: "Se eu fosse você". A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção nas pessoas. 


Yv Luna

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Boa semana !


No documentário sobre Rubem Alves, vimos que tanto ele como Guimarães, partilhavam dos mesmos pensamentos de que o homem, precisa de metamorfoses e fugir da mesmice!

"Mire, veja, o mais importante e bonito do mundo é isto: Que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas sempre vão mudando. "

(Guimarães Rosa)

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Natureza e Mãe Terra


A paz perene com a natureza e a Mãe Terra
(por Leonardo Boff, para coluna JB, em 14/04/14 às 06h00)

Um dos legados mais fecundos de Francisco de Assis, atualizado por Francisco de Roma, é a pregação da paz, tão urgente nos dias atuais. A primeira saudação que São Francisco dirigia aos que encontrava era desejar “Paz e Bem”, o que corresponde ao Shalom bíblico. A paz que ansiava não se restringia às relações interpessoais e sociais. Buscava uma paz perene com todos os elementos da natureza, tratando-os com o doce nome de irmãos e irmãs.

Especialmente a “irmã e Mãe Terra”, como a chamava, deveria ser abraçada pelo amplexo da paz. Seu primeiro biógrafo, Tomás de Celano, resume maravilhosamente o sentimento fraterno do mundo que o invadia ao testemunhar: “Enchia-se de inefável gozo todas as vezes que olhava o sol, contemplava a lua e dirigia sua vista para as estrelas e o firmamento. Quando se encontrava com as flores, pregava-lhes como se fossem dotadas de inteligência e as convidava a louvar a Deus. Fazia-o com terníssima e comovedora candura: exortava à gratidão os trigais e os vinhedos, as pedras e as selvas, a plantura dos campos e as correntes dos rios, a beleza das hortas, a terra, o fogo, o ar e o vento”.

Esta atitude de reverência e de enternecimento levava-o  a recolher as minhocas dos caminhos para não serem pisadas. No inverno dava mel às abelhas para que não morressem de escassez e de frio. Pedia aos irmãos que não cortassem as árvores pela raiz, na esperança de que pudessem se regenerar. Até as ervas daninhas deveriam ter um lugar reservado nas hortas para que pudessem sobreviver, pois “elas também anunciam o formosíssimo Pai de todos os seres”.


Só pode viver esta intimidade com todos os seres quem escutou sua ressonância simbólica dentro da alma, unindo a ecologia ambiental com a ecologia profunda; jamais se colocou acima das coisas mas ao pé delas, verdadeiramente como quem convive como irmão e irmã, descobrindo os laços de parentesco que une a todos.

O universo franciscano e ecológico nunca é inerte, nem as coisas estão jogadas aí, ao alcance da mão possessora do ser humano ou justapostas uma ao lado da outra, sem interconexões entre elas. Tudo compõe uma grandiosa sinfonia, cujo maestro é o próprio Criador. Todas são animadas e personalizadas; por intuição descobriu o que sabemos atualmente por via científica (Crick e Dawson, os que decifraram o DNA) de que todos os viventes somos parentes, primos, irmãos e irmãs, por possuirmos o mesmo código genético de base. Francisco experimentou espiritualmente esta consanguinidade.

Desta atitude nasceu uma imperturbável paz, sem medo e sem ameaças, paz de quem se sente sempre em casa com os pais, os irmãos e as irmãs. São Francisco realizou plenamente a esplêndida definição que a Carta da Terra encontrou para a paz: “É aquela plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com as outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com o Todo maior do qual somos parte”(n.16 f).

A suprema expressão da paz, feita de convivência fraterna e de acolhida calorosa de todas as pessoas e coisas, é simbolizada pelo conhecido relato da perfeita alegria. Através de um artifício da imaginação, Francisco apresenta todo tipo de injúria e violência contra dois confrades (um deles é ele próprio, Francisco). Encharcados de chuva e de lama, chegam, exaustos, ao convento. Aí são rechaçados a bastonadas (“batidos com um pau de nó em nó”) pelo frade porteiro. Embora tenham sido reconhecidos como confrades, são vilipendiados moralmente e rejeitados como gente de má fama.

No relato da perfeita alegria, que encontra paralelos na tradição budista, Francisco vai, passo a passo, desmontando os mecanismos que geram a cultura da violência. A verdadeira alegria não está na autoestima nem na necessidade de reconhecimento, nem em fazer milagres e falar em línguas. Em seu lugar, coloca os fundamentos da cultura da paz: o amor, a capacidade de suportar as contradições, o perdão e a reconciliação para além de qualquer pressuposição ou exigência prévia. Vivida esta atitude, irrompe a paz que é uma paz interior inalterável, capaz de conviver jovialmente com as mais duras oposições, paz como fruto de um completo despojamento. Não são essas as primícias de um Reino de justiça, de paz e de amor que tanto desejamos?


Esta visão da paz de São Francisco representa um outro modo de ser-no-mundo, uma alternativa ao modo de ser da modernidade e da pós-modernidade, assentado sobre a posse e o uso desrespeitoso das coisas para o desfrute humano sem qualquer outra consideração.

Embora tenha vivido há mais de oitocentos anos, novo é ele e não nós. Nós somos velhos e envelhecidos que, com a nossa voracidade, estamos destruindo as bases que sustentam a vida em nosso planeta e pondo em risco o nosso futuro como espécie. A descoberta da irmandade cósmica nos ajudará a sair da crise e nos devolverá a inocência perdida, que é a claridade infantil da idade adulta.



(Leonardo Boff, teólogo e filósofo, é autor de vários livros, entre eles, 'A oração de São Francisco: Uma 
mensagem de paz para o mundo atual' -Vozes, 2012).


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

27 de Agosto - Dia do Psicólogo !!!


Um sonho se realizando em breve...
Obrigada ao Deus Tempo que sabe a hora perfeita de tudo acontecer...
Parabéns a todos os Psicólogos pela linda missão e pelo dom recebido !

Yv Luna

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

"De um jeito ou de outro, minhas histórias eu levo comigo..."


(por Tico Santa Cruz)

A minha vida é feita de andanças incessantes pelos caminhos da minha mente. Vou encontrando os cenários que me levam a estados de pensamentos muito variados. Gosto de colorir o mundo com as cores que estão ao meu dispor. E fazer desses lugares experiências que me tragam algo novo a aprender. Sou curioso. Sou como um gato preto. Alguns querem distância de mim e outros não se importam com a falsa mística. 
Minha vida é feita de conflitos. Do enfrentamento a culpa. Da blindagem da saudade, pois amar demais é um ponto fraco do coração de um homem e para estar nas minhas andanças precisei criar esse escudo para proteger esse meu amor. 
O que me guía são os desafios. Não tenho tempo para a monotonia de uma vida cheia de conceitos engessados por anos e anos de condicionamento social para um comportamento de ovelha dentro do cercadinho. Sou a ovelha negra. Alguns não suportam a minha presença enquanto outros querem ser como a mim. 
Minha vida é feita de histórias. Algumas que você jamais acreditaria. Outras que nem passam pelo sua cabeça. As que posso contar. As que preciso mentir. As que resolvi inventar. Mas todas elas eu vivi. 
De um jeito ou de outro, minhas histórias eu levo comigo. 
O que me afugenta é a hipocrisia. Tão necessária hoje em dia. Tão em moda. Tão precisa. Tão automática que às vezes nem nos damos conta. E há quem nem saiba do que se trata mas pratica mesmo assim. Como se fosse um esporte. 
O que me levanta é o som das noites. O Olhar da madrugada. O amanhecer do dia. A vontade de gritar e de esmurrar meu coração na cara das pessoas. Para que elas possam sangrar junto comigo, esse sangue das entregas que faço quando estou entregue ao que me faz viver. 
O que me faz sorrir são meus amores, meus amigos, as superações diante da dúvida que me é imposta. Eu gosto é do impossível, do improvável, do que poucos acham que possa acontecer. É assim que me divirto, que me emociono, que me apetece prover. 
E aos meus filhos minha sorte de tê-los por perto para que me ensinem o quão difícil é ser um bom pai. Um ser humano mais humano, mas não demasiadamente humano. 
A minha vida é pelas estradas e se não estiver vagando por ai, fazendo o que eu gosto. Então podem me deixar ir... 
Mas por enquanto, aqui estou eu.


(Fonte:https://www.facebook.com/ticosanta.cruz)

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

LIVRO DE CABECEIRA: Paisagens da alma


A partir de hoje, o Blog Metamorfose Ambulante Oficial cria mais um marcador: "Minha Biblioteca", onde serão postados todos os livros que já li e que indicarei a vocês.
Serão temas relacionados a Teologia, Psicologia, Filosofia, poesias, biografias, bruxaria, romances, entre outros assuntos. Enfim, de tudo que essa "metamorfose ambulante" aqui conseguiu colecionar todos esses anos e que engradeceram de alguma forma minha alma e minha vida. 
Para primeira indicação, "Paisagens da Alma", de Rubem Alves.

Espero que apreciem ,

Yv Luna

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Sinopse
Nesta obra estão reunidas algumas das mais belas e espirituosas frases que Rubem Alves escreveu ao longo dos anos e que tratam de temas caros a todos: amor, tolerância, desejo, coragem, amizade e tantos outros. 'Paisagens da Alma' é uma edição comemorativa dos 80 anos deste autor que enriquece o universo de seus leitores com textos de sabedoria simples e delicada. Este livro é uma festa para qual você foi convidado. Participe. Emocione-se!

Fonte: (http://loja.lojarubemalves.com.br/livros/pensamento/paisagens-da-alma.html#)


terça-feira, 19 de agosto de 2014

domingo, 17 de agosto de 2014

Minha poção mágica...


"Espalhe que o amor não é banal. E que, embora estejam distorcendo o sentido verdadeiro dele nos tempos modernos de hoje, ele existe e é o ingrediente mais importante da vida, a própria poção mágica da felicidade.” 

(Mário Quintana)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

6º Aniversário do Metamorfose Ambulante


Querido Blog,

Depois de 6 anos cheguei a conclusão que teu lema é:

- Resistência
- Insistência
- Paciência
- Sobrevivência

Tudo em nome da dedicação de sempre tentar se fazer entender da forma mais transparente e sincera possível...
Mas é difícil ser cristalina o tempo todo, às vezes, no meio do caminho, encontra-se uma certa confusão no interpretar de suas postagens. 
Não busco que minhas expectativas sejam correspondidas, simplesmente minhas idéias não vêm de quando estou escrevendo, mas de quando estou vivendo algo realmente significante, então preciso urgentemente postar, seja uma música, seja uma poesia, uma simples frase, pesquisa ou acontecimento pessoal. 
E aprendo muito durante esse processo. Um processo de descoberta tão profundo, que a cada dia volto a me recriar. Infelizmente nem todos podem ou querem saber dos rascunhos do meu coração, rascunhos esses, que contam na maioria das vezes, minha própria história.
Mas também, como dizia meu sábio avô, em sua simplicidade, "não adianta explicar quando o outro está decidido a não entender".
Eu sinto mais do que consigo expressar, mas "saber se comunicar também é uma arte", é isso que tento com todas as minhas forças, ano após ano. E acredite, eu posto com a alma.
Meu querido Blog, você me dá a liberdade diante de toda situação opressora, tanto as psicológicas, quanto as do cotidiano. Um "processo catártico" poderoso que me ajuda a enxergar o mundo seja nas situações mais simples às mais complexas de uma forma mágica. Meu processo de auto-superação, de crescimento, com minhas experiências, minhas alegrias, meus sonhos, meus pesadelos, minhas conquistas...
Não é um bem estar só pessoal, não espero só melhorias em mim mesma, mas um bem estar pelo ser humano, por aqueles que aqui te acompanham há tanto tempo. E olha meu caro amigo, tenho obtido tanto sucesso e melhoria ao próximo que é inevitável dizer o quanto isso me faz bem.
Meu afeto enorme pela Psicologia, pela Teologia, Espiritualidade, pela música, poesia, enfim, pelo eterno conhecimento, nos uniu profundamente. E te agradeço por sempre estar disponível para discutirmos juntos em qualquer hora, qualquer momento. Por trás dessa paixão, está a nossa cumplicidade.
Alguns amigos vivem me dizendo que um dia você vira um livro, deixarás de ser um simples Blog e ganhará outros horizontes. Mas isso é uma outra história, num outro tempo...uma idéia fantástica que irá amadurecer com toda certeza.

Abençoado seja seus 6 anos de vida !


Yv Luna.
(criadora e administradora do Blog)

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Therion - Sitra Ahra


Aprecio o trabalho do grupo Therion há algum tempinho e pesquisando sobre algumas coisas a respeito da mística que envolve esse grupo, achei um texto muito bom em um site de curiosidades. Então posto abaixo com os devidos direitos e créditos ao autor, suas fontes pesquisadas e referências bibliográficas merecidos.

OBS: Caro leitor, esta matéria tem unicamente o intuito de informar algo sobre o trabalho temático da banda, sobre o simbolismo e a mensagem por trás das letras em seus devidos contextos, independentemente das crenças pessoais de quem quer que seja. 

Therion: o Mistério de Sitra Ahra 

(por Cristiano C. Monteiro)


O grupo THERION não envolve somente boa música, mas também todo um plano conceitual filosófico, ocultista e mitológico. A temática do THERION é sobre Filosofia Oculta em geral e Magia Draconiana em particular, especificamente no que diz respeito à Ordem Dragon Rouge, da qual fazem parte Christofer Johnsson (fundador do THERION) e Thomas Karlsson (fundador da Dragon Rouge e letrista do THERION).

“THERION” significa “besta” em grego e é uma referência ao álbum “To Mega Therion”, da banda suíça CELTIC FROST, e ao controverso e polêmico magista inglês Aleister Crowley, que tinha o mote de “A Grande Besta”: “To Mega Therion”. “THERION” também se refere a certas ideias no contexto da Dragon Rouge, estando relacionada às palavras “Deggial” e “Sorath”, a besta solar, presentes em algumas músicas (e neste texto).

Sobre o álbum que abre com a faixa-título, falando sobre o outro mundo, o “Outro Lado”, ou seja, “Sitra Ahra” (em hebraico), presente também na música “Nightside of Eden”, do álbum “Theli”. Mas esse “Outro Lado” não é meramente o Além, o mundo dos espíritos dos mortos, mas sim um universo primordial, um universo caótico pré-cósmico que antecede a existência do universo conhecido, este último representado pela Árvore da Vida cabalística conhecida como Árvore Sephirótica (aquele famoso diagrama com dez círculos visíveis e um “invisível” e suas interligações, representando planos e níveis psicomentais e espirituais cósmicos). Por outro lado, Sitra Ahra, o “Outro Lado”, tem sua representação na Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, chamada de Árvore Qliphótica (há uma referência a essa Árvore também na música “Lepaca Kliffoth”, do álbum homônimo). É essa Árvore do Conhecimento que é mencionada na letra da música “Sitra Ahra” logo no início: “Tree of disbelief (...)”; é a essa Árvore que a letra se refere quando diz “Pass to the sea of darkness/ to another world (...) Join me to the Other Side/ The Nightside of the Paradise”. O diagrama dessa Árvore Qliphótica aparece na horizontal, com seus onze círculos qliphóticos e uma concha na extremidade, na capa de “Sitra Ahra”. Conchas são também todas as onze esferas do diagrama, referidas na letra da música “The Shells Are Open”, do “Sitra Ahra”.

A capa de “Sitra Ahra” é muito interessante e enigmática para aqueles que conhecem e também para aqueles que ainda não conhecem a temática do THERION e a filosofia oculta da Dragon Rouge. A Árvore que aparece na ilustração do álbum, como mencionado, é a Árvore Qliphótica de maneira invertida, ou seja, o mundo de Sitra Ahra. O círculo dessa Árvore do Conhecimento que está em primeiro plano com a concha representa a qlipha chamada Thaumiel – na Árvore da Vida, é a sephira (“emanação”) Kether (“Coroa”). A "flor" que surge da qlipha Thaumiel é uma flor e é uma concha (que significa "qlipha", em hebraico, singular de “qliphoth”). Como flor, representa o chakra Sunya (“Vazio”), que está além do chakra da coroa (o conhecido Sahashara), acima da cabeça humana (chakras – “rodas”, em sânscrito – são centros energéticos na anatomia oculta humana). Dessa "concha-flor" o que surge é uma pedra bruta conhecida como Diamante Negro (“Black Diamond”, do álbum “Vovin”, e da música “In the Desert of Set”, do “Theli”), que é uma outra representação do chakra negro Sunya. Sunya é o “Vazio” que Tudo contém, paradoxalmente, e é chamado também de Olho do Dragão, Olho de Set, Olho de Lúcifer e Olho de Shiva (o que é evidente nas músicas “Emerald Crown”, do álbum “Deggial”, e “Eye of Shiva”, do álbum “Vovin”). Esse Olho, quando aberto, significa a destruição de toda Ilusão do cosmos, do universo manifestado criado por uma entidade chamada Demiurgo, um deus de restrição, estagnação e escravidão. Essa destruição da Ilusão (Maya) e da personalidade egoica possiblita a assimilação e experiência individual do Real na primeva Noite anticósmica, em seu sentido suprafísico, que pode ser acessada por meio de certas técnicas e “chaves” (isso é referido na música “Clavicula Nox”, “Chave da Noite”, do álbum “Vovin”).

Considerando-se a interessante temática theriônica, o leitor já deve ter percebido que Sitra Ahra é um mundo sinistro e aparentemente distante... Mas não necessariamente maléfico, como se poderia imaginar equivocadamente. Sitra Ahra, o “Outro Lado”, o “Lado Sinistro”, é o Reino das Trevas que precedem a Luz da Criação. É o reino da deusa sinistra Lilith, citada na letra da música “Sitra Ahra” como a “Rainha das Qelipot”, sendo o mundo dos poderes femininos que criam do caos, que gestam a vida na escuridão; é o Útero de toda a vasta do universo manifestado e não-manifestado, a fonte de toda a existência. Mitologicamente, Sitra Ahra é a “morada” das “deusas” Lilith, Kali, Hekate, Tiamat, etc., o lado noturno ou sinistro da “eterna” Sofia. Nesse sentido, outros nomes correspondentes a Sofia são Shekinah, Shakti, Vênus, Diana, Astaroth, Freja, entre outras, também mencionados ao longo das obras do THERION, em músicas como “Dark Princess Naamah” (do álbum “Symphony Masses”), “The Beauty in Black” (do “Lepaca Kliffoth”), “Invocation of Naamah” (do “Theli”), “Birth of Venus Illegitima” e “Morning Star” (do álbum “Vovin”), “Ship of Luna” e “Via Nocturna” (do “Deggial”), “Vanaheim”, (do “Secret of the Runes”), “Dark Venus Persephone” (do “Sirius B”), “The Perennial Sophia” e “Wisdom and the Cage” (do álbum “Gothic Kabbalah”).


No sistema aqui mostrado, Sofia se une à Luz de seu filho e esposo Lúcifer (“Portador da Luz”, em latim), no próprio indivíduo, por meio do fruto proibido (fruto também mencionado na letra de “Sitra Ahra”) para expandir a consciência que abarca o universo primordial pré-cósmico, onde está toda a sabedoria oculta cujos ínfimos fragmentos estão espalhados em nosso universo visível e material. Sitra Ahra é, portanto, o plano primevo, o caos primordial (o “pandemônio” mencionado na letra da música) representado de maneira organizada pelos círculos da Árvore Qliphótica e pela estrela de onze pontas que também aparece em todos os álbuns do THERION desde o “Theli”. A organização do caos qliphótico em um diagrama ou mapa é necessária para estudo, compreensão e para a prática visando a acessar os reinos de Sitra Ahra.

Em nível meramente humano, Sitra Ahra é o reino do subconsciente no qual a sabedoria secreta (Sofia, etc) vem à consciência do indivíduo que atingiu a iluminação (Portador da Luz, Lux-ferre, o Daemon “socrático”, referido na música “Emerald Crown”, do álbum “Deggial”). Isso é mencionado na letra de “Sitra Ahra” como os “segredos revelados”. Essa iluminação só é possível com a “entrada” do “Ungido” no mundo de Sitra Ahra para “resgatar” a Sabedoria lá oculta nas Trevas, no “Lado Noturno do Paraíso” (conforme a letra da música também nos diz). Quer dizer, quando Lúcifer resgata sua esposa Sofia (Diana, Shakti, etc.) lá no “Outro Lado”, em Sitra Ahra. Mas o que é ser “ungido”, no contexto do Draconismo que permeia o THERION?

“Ungido” é todo aquele que desperta o Dragão-Serpente de Sabedoria, Leviathan, Kundalini, Theli (este último também referido no álbum de mesmo nome). Esse Dragão serpentino é a energia psicossexual que sobe até a cabeça e ilumina a consciência com um lampejo de sabedoria, manifestando o Anti-Logos Draconiano (a “voz da serpente”, conforme nos diz novamente a letra de “Sitra Ahra”). A unção serpentina e draconiana então “sacrifica” o corpo de Adam Belial, ou seja, o corpo do ser humano material se transforma fisica e fisiologicamente. Assim, o indivíduo se transforma no iniciado, tornase Ophis-Christos, Nachash-Messiah, ou, em outras palavras, “Serpente Ungida”, do grego/hebraico ophis/nachash (“serpente”) e christos/messiah (“ungido”), não tendo isso nada a ver com o famoso Jesus das massas. A Serpente Ungida é, portanto, o “Dragão” manifestado no indivíduo (“Vovin”, em língua enochiana, novamente referido em outro álbum do THERION). O iniciado então se converte no filho e amante de Sofia-Lilith, o verdadeiro Filósofo, Amante da Sabedoria (a “Perennial Sophia” do álbum “Gothic Kabbalah”).


Pelo que precede, Sitra Ahra é também o reino da Besta (“To Mega Therion”, “Deggial”, outras músicas da 
banda), a besta solar Sorath, filho e consorte da Sofia Ilegítima. É a Besta iniciadora, o “Dragão” mestre dos Mistérios das Trevas, Trevas onde a Sabedoria está oculta. Em Sitra Ahra, o conhecimento “proibido” e “inacessível” (o “fruto proibido” da música “Sitra Ahra”) pode ser buscado e é onde a Árvore do Conhecimento cresce. Simbolicamente, é essa árvore do Éden que possui os 11 frutos pertencentes a cada um dos Reis de Edom (outra música do álbum “Sitra Ahra”), os reis que governam cada uma das qliphoth de Sitra Ahra sob o poder de Shekinah, ou Sofia, a Sabedoria da Serpente do Éden, e o Dragão-Serpente Lúcifer-Vênus (Abzu-Tiamat, Samael-Lilith, também mencionados nas músicas do THERION). Nesse ponto, é facilmente notável uma aproximação entre os 11 frutos da Árvore do Paraíso, os 11 monstros gerados por Tiamat e os 11 reis de Sitra Ahra, o mundo da Magia Draconiana (cujo número-símbolo também é 11, o número da décima primeira esfera, ou concha qliphótica da Árvore). Onze é a redução de 218, a corrente anticósmica e caótica de Sitra Ahra, a corrente draconiana, e a síntese dos 11 reis de Edom, dos 11 monstros de Tiamat, dos 11 “demônios” das Qliphoth e da Árvore do Conhecimento, tudo isso por vezes chamado sinteticamente de Azerate por outras vertentes ocultas tais como o Templo da Luz Negra.

É importante mencionar também que a palavra “demônio” vem do grego “daemonos”, significando originalmente “espírito” ou “deus”, sem os conceitos populares de “bem” e “mal”, mas indiferente e isento de qualquer conotação moral religiosa ou pejorativa em voga. Ao longo da história, sabe-se que os “deuses” de um povo ou religião sempre se tornaram os “demônios” de outro povo ou religião... São conceitos realmente relativos...


A esta altura, já se pode ter um breve e “intrincado” vislumbre de toda a temática abordada nas letras do THERION, que para muitos são obscuras, incompreensíveis e talvez misteriosas... Mais uma vez, caso o leitor tenha mais interesse, é recomendável repetir a leitura de todo esse conteúdo para uma melhor assimilação.

No contexto theriônico aqui apresentado, a mera luz não é o bem absoluto e as trevas não são o mal absoluto; essa dicotomia absurda não existe na “vida prática” da natureza e do universo. O bem e mal como são conhecidos somente existem por meio dos atos humanos. E qualquer luz somente pode ser perceptível sobre o fundo negro das trevas essenciais. Luz, em nosso plano, significa manifestação do universo vísivel e da vida multifacetada em tons gradativos de luz e escuridão. Escuridão significa o universo invisível, o universo B, o Caos primordial de onde tudo surgiu. E, como toda moeda, um lado não pode existir sem o “outro lado” (Sitra Ahra)...

Fonte: Therion: o Mistério de Sitra Ahra (http://whiplash.net/materias/curiosidades/131819.html#ixzz31iDgIKGh)

Referências bibliográficas e discográficas:
ALIGHIERI, Dante. A Divina Comédia. Editora Abril, 1979.
CROWLEY, Aleister. The Holy Books of Thelema. Weiser Books, 1983.
GRANT, Kenneth. Nightside of Eden. London: Skoob Books, 1994.
HALL, Calvin S./Nordby, Vernon J. Introdução à Psicologia Junguiana. Editora Cultrix, 1993.
KARLSSON, Thomas. Qabalah, Qliphoth and Goetic Magic. Jacksonville: Ajna, 2007.
KING, L.H. Enuma Elish. FQ Classics, 2007.
NIETZSCHE, Friedrich W. Além do Bem e do Mal. LP&M, 2008.
ROBINSON, James M. A Biblioteca de Nag Hammadi. Madras Editora, 2006.
SVOBODA, Robert E. Aghora - At the Left Hand of God. Bellingham: Sadhana Publishing, 1999.
THERION. Symphony Masses: Ho Drakon Ho Megas (Music CD booklet). Pavement Records, 1993.
THERION. Lepaca Kliffoth (Music CD booklet). Nuclear Blast, 1995.
THERION. Theli (Music CD booklet). Nuclear Blast, 1996.
THERION. Vovin (Music CD booklet). Nuclear Blast, 1998.
THERION. Deggial (Music CD booklet). Nuclear Blast, 2000.
THERION. Secret of the Runes (Music CD booklet). Nuclear Blast, 2001.
THERION. Sirius B (Music CD booklet). Nuclear Blast, 2004.
THERION. Gothic Kabbalah (Music CD booklet) Nuclear Blast, 2007.
THERION. Sitra Ahra (Music CD booklet) Nuclear Blast, 2010.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

A Sagrada Escritura dos Violeiros...



"Quem tem o mel, dá o mel.
Quem tem o fel, dá o fel.
Quem nada tem, nada dá...."

quinta-feira, 1 de maio de 2014

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Feng Shui: "A aliança de simpatia e de amor para com a natureza..."



A  filosofia chinesa do cuidado: o Feng Shui
(por Leonardo Boff)

Uma das vantagens da globalização que não é só econômico-financeira mas também cultural, é permitir-nos colher valores pouco desenvolvidos em nossa cultura ocidental.

No caso, temos a ver com o Feng-Shui chinês. Literalmente significa “o senhor das receitas”. Originalmente era o sábio que, a partir de sua observação  da natureza e da fina sintonia com o Chi, a energia universal, indicava como bem montar a moradia.

Beatriz Bartoly,  em sua brilhante tese em filosofia na UERJ, da qual fui orientador, escreve: “o Feng Shui nos remete para uma forma de zelo carinhoso” - nós diríamos cuidadoso e terno – “com o banal de nossa existência, que no Ocidente, por longo tempo, tem sido desprestigiado e menosprezado: cuidar das plantas, dos animais, arrumar a casa, cuidar da limpeza, da manutenção dos aposentos, preparar os alimentos, ornamentar o cotidiano com a prosaica, e, ao mesmo tempo, majestosa beleza da natureza. Porém mais do que as construções e as obras humanas é a sua conduta e a sua ação que é alvo maior desta filosofia de vida,  pois mais do que os resultados, o Feng-Shui visa o processo. É o exercício de embelezamento que importa, mais do que o belo cenário que se quer construir.  O valor está na ação e não no seu efeito, na conduta e não na obra.”     

Como se depreende, a filosofia Feng-Shui visa antes o sujeito que o objeto,  mais a pessoa do que ambiente e a casa em si.  A pessoa precisa envolver-se no  processo, desenvolver a percepção do ambiente, captar os fluxos energéticos e os ritmos da natureza. Deve assumir uma conduta em harmonia com os outros, com o cosmos e com os processos rítmicos da natureza. Quando tiver criado essa ecologia interior, está capacitado para organizar, com sucesso, sua ecologia exterior.

Mais que uma ciência e arte, o Feng Shui é fundamentalmente uma ética ecológico-cósmica de como cuidar da correta distribuição do Chi em nosso ambiente inteiro. Nas suas múltiplas facetas o Feng Shui representa uma síntese acabada do cuidado na forma como se organiza o jardim, a casa ou o apartamento, com harmoniosa integração dos elementos presentes. Podemos até dizer que os chineses como os gregos clássicos são os incansáveis buscadores do equilíbrio dinâmico em todas as coisas.

O supremo ideal da tradição chinesa que encontrou no   budismo e no taoismo sua melhor expressão, representada por Laotse (do V-VI século a.C.)  e por Chuang Tzu (século IV-V a.C.), consiste em procurar a unidade mediante um processo de integração  das diferenças, especialmente das conhecidas polaridades de yin/yang, masculino/feminino, espaço/tempo, celestial/terrenal entre outras. O Tao representa essa integração, realidade inefável com a qual a pessoa busca se unir.


Tao significa caminho e método, mas também a Energia misteriosa e secreta que produz todos os caminhosprojeta todos os métodos. Ele é inexprimível em palavras, diante dele vale o nobre silêncio. Subjaz na polaridade do yin e do yang  e através deles se manifesta. O ideal humano é chegar a uma união tão profunda  com o Tao que se produza o satori, a iluminação. Para os taoistas o bem supremo não se dá no além morte como para os cristãos, mas ainda no tempo e na história, mediante uma experiência de não-dualidade e de integração no Tao. Ao morrer a pessoa mergulha no Tao e se uni-fica com ele.

Para se alcançar esta união,  faz-se imprescindível a sintonia  com  a energia vital que perpassa o céu e a terra: o Chi.  Chi é intraduzível, mas equivale ao ruah  dos judeus, ao pneuma dos gregos,  ao spiritus dos latinos e ao axé dos yoruba/nagô, ao vácuo quântico dos cosmólogos: expressões  que designam a Energia suprema e cósmica que subjaz e sustenta todos os seres.

É por força do Chi que todas as coisas se transformam (veja o livro I Ching, o livro das mutações) e se mantém permanentemente em processo. Flui no ser humano através dos meridianos da acupuntura. Circula na Terra  pelas veias telúricas subterrâneas, compostas pelos campos eletro-magnéticos distribuidos ao longo de meridianos da ecopuntura que entrecruzam a superfície terrestre. Quando o Chi se expande significa vida, quando se retrái, morte. Quando ganha peso, apresenta-se como matéria, quando se torna sutil, como espírito. A natureza é a combinação sábia dos vários estados do Chi, desde os mais pesados até os mais leves.

Quando o Chi emerge num determinado lugar, surge uma paisagem aprazível com brisas suaves e águas cristalinas, montanhas sinuosas e vales verdejantes.  É um convite para o ser humano instalar ai sua morada. Ou encontra um apartamento no qual se sente “em casa”.

A visão chinesa  do mundo privilegia o espaço, à diferença do Ocidente que privilegia o tempo. O espaço para o taoismo é o lugar do encontro, do convívio, das interações de todos com todos, pois todos são portadores da energia Chi que empapa o espaço. A suprema expressão do espaço se realiza na casa, no jardim ou no apartamento bem cuidado.

Se o ser humano quiser ser feliz deve desenvolver a topofilia, o amor ao lugar onde mora e onde constrói sua casa e seu jardim ou mobília seu apartamento. O Fen Shui é a arte e  técnica de bem construir a casa, o jardim e decorar o apartamento com sentido de harmonia e beleza.

Face ao desmantelamento  do cuidado e à grave crise ecológica atual, a milenar sabedoria  do Feng-Shui nos ajuda a refazer a aliança de simpatia e de amor para com a natureza. Essa conduta  reconstrói a morada humana (que os gregos chamavam de ethos), assentada sobre o cuidado e a suas múltiplas ressonâncias como a ternura, a carícia e a cordialidade.


(Fonte: Texto retirado da coluna de Leonardo Boff para o site jb.com.br em 02/03/14 às 06h00)


- Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor, autor de “Virtudes para um outro mundo possível, 3 vol. Vozes 2006.

terça-feira, 22 de abril de 2014

De Manuel Bandeira para Mario Quintana...


Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.

São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares

Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Face a Face com Jung...




Nessa entrevista, Jung conta como conheceu Freud, apresenta uma lealdade de sigilo profissional não revelando os sonhos e as cartas trocadas com ele. Também conta o real motivo de seu rompimento com seu mestre, as discordâncias de idéias, sua vasta experiência com esquizofrênicos, fala sobre a morte, entre outras coisas apaixonantes sobre a natureza e a psique humana.

Vale a pena conferir...

terça-feira, 15 de abril de 2014

Presença - Mário Quintana



É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Vem - Madredeus



Vem
Além de toda a solidão
perdi a luz do teu viver
perdi o horizonte

Está bem
Prossegue lá até quereres
Mas vem depois iluminar
Um coração que sofre

Pertenço-te
Até ao fim do mar
Sou como tu
Da mesma luz
Do mesmo amar

Por isso vem
Porque te quero
Consolar
Se não está bem
Deixa-te andar a navegar

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O religioso e o místico


Qual é o lugar do religioso no mundo?
(por Leonardo Boff em 02/02/13 para a coluna JB)


Por mais que a sociedade se mundanize e, de certa forma, se mostre materialista, não podemos negar que vigora uma volta vigorosa do religioso, do místico e do esotérico nos tempos atuais. Temos a impressão de que existe um cansaço pelo excesso de racionalização e de funcionalização de nossas sociedades complexas. A volta do religioso apenas revela que no ser humano há uma busca por algo maior. Há um lado invisível no visível que gostaríamos de surpreender. Quem sabe, não se encontre lá um sentido secreto que sacia nossa busca incansável por algo que não sabemos identificar?  Nesse horizonte não confessional, quiçá faça sentido se falar do religioso ou do espiritual. Ele sofreu todo tipo de ataques mas conseguiu sobreviver. A primeira modernidade o via como algo pré-moderno, um saber fantástico que deve dar lugar ao saber positivo e crítico (Comte). Em seguida foi lido como uma enfermidade: ópio, alienação e falsa consciência de quem ainda não se encontrou ou,  caso se encontrou, voltou a se perder (Marx). Depois, foi interpretado como a ilusão da mente neurótica que busca pacificar o desejo de proteção e tornar o mundo contraditório suportável (Freud). Mais adiante, foi interpretado como uma realidade que pelo processo de racionalização e de desencanto do mundo tende a desaparecer (Weber). Por fim, alguns o tinham como algo sem sentido, pois seus discursos não têm objeto verificável nem falsificável (Popper e Carnap).

Estimo que o grande equívoco destas várias interpretações reside no fato de colocarem o religioso num lugar equivocado: dentro da razão. As razões começam com a razão. A razão em si mesma não é um fato de razão. É uma incógnita. Já rezava a sabedoria dos Upanishad: “Aquilo pelo qual todo pensamento pensa não pode ser pensado”. Talvez nesse “não pensado” se encontre o berço do religioso, vale dizer, daquelas instâncias exorcizadas pela racionalidade moderna: a fantasia, o imaginário, aquele fundo de desejo do qual irrompem todos os sonhos e as utopias que povoam nossa mente, entusiasmam os corações, incendeiam o estopim das grandes transformações da história. Seu lugar reside naquilo que o filósofo Ernst Bloch chamava de princípio esperança.


É próprio destas instâncias — do utópico, da fantasia e do imaginário — não se adequarem ao dado racional concreto. Antes, contestam o dado, pois suspeitam que o dado é sempre feito; tanto o dado quanto o feito não são todo o real. O real é ainda maior. Pertence ao real também o potencial, o que ainda não é mas que pode vir a ser. Por isso, a utopia não se antagoniza com a realidade; revela a dimensão potencial e ideal desta realidade. Já dizia o sábio E. Durkheim na conclusão de sua famosa obra As formas elementares da vida religiosa: “A sociedade ideal não está fora da sociedade real; é parte dela”. E concluía: “Somente o ser humano tem a faculdade de conceber o ideal e de acrescentá-lo ao real”. Eu diria, de detectá-lo dentro do dado real, fazendo com que este real, no qual está o ideal, seja sempre maior que o dado à nossa mão.

É no interior desta experiência do potencial, do utópico, que irrompe o fato religioso. Por isso dizia Rubem Alves, quem melhor no Brasil estudou o “enigma da religião” (título de seu livro): “A intenção da religião não é explicar o mundo. Ela nasce, justamente, do protesto contra este mundo que pode ser descrito e explicado pela ciência. A descrição científica, ao se manter rigorosamente nos limites da realidade instaurada,sacraliza a ordem estabelecida das coisas. A religião, ao contrário, é a voz de uma consciência que não pode encontrar descanso no mundo assim como ele é e que tem como seu projeto transcendê-lo”.

Por esta razão, o religioso é a organização mais  ancestral e sistemática da dimensão utópica, inerente ao ser humano. Como bem dizia Bloch: “Onde há religião, aí há esperança” de que nem tudo está perdido.


Quem viu com lucidez esta singularidade do religioso foi o filósofo e matemático Ludwig Wittgenstein que disse: no ser humano não existe apenas a atitude racional e científica que sempre indaga como são as coisas e para tudo procura uma resposta. Existe também a capacidade de extasiar-se: “Extasiar-se não pode ser expresso por uma pergunta; por isso não existe também nenhuma resposta”. Existe o místico: “O místico não reside no como o mundo é, mas no fato de que o mundo exista”. A limitação da razão e do espírito científico reside no fato de que eles não têm nada sobre o que calar.

O religioso e o místico sempre terminam no nobre silêncio, pois não existe em nenhum dicionário a palavra que o possa definir. Até aqui falamos do religioso em sua natureza sadia. Mas ele pode ficar doente. Daí nasce a doença do fundamentalismo, do dogmatismo e da exclusividade da verdade. Mas toda doença remete à saúde. O religioso deve ser analisado a partir de sua saúde, e não de sua doença. Então, o religioso sadio nos torna mais sensíveis e humanos. Sua volta sadia é urgente hoje, pois ele nos ajuda a amar o invisível e tornar real aquilo que ainda não é mas pode ser. 

(Leonardo Boff escreveu 'Experimentar Deus: A transparência de todas as coisas' (Vozes, 2011).)



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Madredeus - O pastor



Teresa Salgueiro, a voz mais linda que já ouvi...
Madredeus, há anos transformando minha "alma em música"...


O Pastor

Ai que ninguém volta
ao que já deixou
ninguém larga a grande roda
ninguém sabe onde é que andou

Ai que ninguém lembra
nem o que sonhou
(e) aquele menino canta
a cantiga do pastor

Ao largo
ainda arde
a barca
da fantasia
e o meu sonho acaba tarde
deixa a alma de vigia
Ao largo
ainda arde
a barca
da fantasia
e o meu sonho acaba tarde
acordar é que eu não queria.


domingo, 19 de janeiro de 2014

"Intérprete natural do mundo dos espíritos..."


"Enquanto que outra religião, pelo dogma do pecado original, denegriu a mulher durante séculos, tornando-a responsável pela decadência do gênero humano, os celtas viam nela seus dons de adivinhação e a faziam intérprete natural do mundo dos espíritos.
Foram necessários muitos séculos para reabilitar a mulher e devolver-lhe seu papel predestinado.
Joana D´arc e muitas outras ilustres inspiradas foram levadas à fogueira por terem recebido os dons do céu. Coube ao espiritualismo moderno reconhecer as faculdades psíquicas da mulher e, apesar de certos abusos inerentes às coisas humanas, a missão que ela pode realizar na parte experimental e nas revelações do mundo invisível."


(por Léon Denis - filósofo, médium e um dos principais continuadores do espiritismo após a morte de Allan Kardec. Fez conferências por toda a Europa em congressos internacionais espíritas e espiritualistas, defendendo ativamente a ideia da sobrevivência da alma e suas conseqüências no campo da ética nas relações humanas.)